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viagem

Grand Canyon: uma selva de pedra

16 Setembro 2018 14:30:00

Colunista e professor, José Renato da Silveira escreve sua experiência em uma das mais belas paisagens turísticas do mundo

Foto: Fotos: Arquivo pessoal

Ao observar aquele belíssimo horizonte, senti uma alegria transbordar de mim. Era um misto de contemplação e encantamento. A beleza e o amor manifestam-se na experiência do êxtase, da embriaguez, da poesia e da música. Estava inebriado pelas descrições fascinantes que minha mãe me narrava sobre aquele lugar mítico.

Caros leitores, a partir daquela descrição materna e da minha fértil imaginação, criei esse breve e singelo texto.


Os raios de sol que penetravam nas vestes nupciais das nuvens brancas tocavam graciosamente meu rosto. Abismos roxos, penhascos rubros, um arco íris de pedra esvaindo-se sob um sol que ribomba pelo céu como um címbalo. Respirei fundo. Mergulhei em silêncio. E emoldurei com doçura os meus pensamentos. Naqueles breves momentos de interação com o ambiente, entendi que estava diante de uma das mais belas e fascinantes vistas do mundo: o Grand Canyon.

"O cenário é tão extraordinário e desolado, tão incompreensível em sua originalidade, que se tem a impressão de que tal paisagem nunca poderia ter sido contemplada antes" (Frederick S. Dellenbaugh).

Para muitos, não existe na Terra paisagem mais surpreendente que o Grand Canyon do Arizona. Essa selva de pedra tem 445 km de comprimento, mais de 1,5 km de profundidade e 30 km de largura. Ele foi todo entalhado pela erosão - pelo rio Colorado e pelas forças quase imperceptíveis, mas poderosas, dos flocos de neves, das gotas de chuva e do ar.


O Canyon é cheio de precipícios, anfiteatros, montes íngremes e isolados, despenhadeiros, pináculos, templos e formas sem nome, em vermelho, ouro, rosa, verde, ferrugem, laranja, violeta, e muitas outras cores. Visto em momentos diferentes os contornos internos do Canyon dão a impressão de estar em movimento. Ao meio-dia parecem recuar para os lados, achatando-se como se temessem o sol. Depois, ao longo do dia, à medida que a luz declina, as formas avançam de novo. O poeta Carl Sandburg ao escrever sobre Grand Canyon pensou em Deus: "Lá vai Deus com um exército de bandeiras".

O Grand Canyon é lugar espantoso e convém se aproximar dele com calma, cautelosamente, sem pressa, tanto no contato direto quanto por meio de leitura. Muitos que o veem pela primeira vez dizem que sentimos uma súbita perda da capacidade de expressão. Muitos homens e mulheres não souberam expressar, em palavras, o passeio por essa selva de pedra.


Por outro lado, o inglês Alfred Noyes descreveu de forma tocante o Grand Canyon: "Gigantescas muralhas de pedra, íngremes como o fim do mundo, parecem flutuar no ar, sobre os vazios do espaço e mudar suas formas com cada mudança de luz, como a suave fumaça azul da madeira".

Não tive o privilégio de conhecer o Grand Canyon. Espero conhecer um dia. Minha mãe esteve por lá com meus irmãos. Sobrevoou de helicóptero e vivenciou uma das sensações mais prazerosas de sua vida.

Ela compreendeu e vive o espírito da frase de Santo Agostinho sobre sermos viajantes em nossa existência:
"Não vês que somos viajantes?
E tu me perguntas:
Que é viajar?
Eu respondo com uma palavra: é avançar!
Experimentais isto em ti
Que nunca te satisfaças com aquilo que és
Para que sejas um dia aquilo que ainda não és.
Avança sempre! Não fiques parado no caminho".
Volto mês que vem, caro leitor.



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