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educação

É só o começo!

15 Maio 2019 10:56:00

Colunista Guilherme Howes fala sobre o movimento de luta que ressurge no país a partir de agora


Hoje está sendo um dia de manifestações em todo o Brasil. Há tempos não se via tamanha vontade popular de lutar e resistir. Ao que parece, pode ser um primeiro passo em direção ao rescenso das massas no sentido da sua autonomia intelectual, de sua autodeterminação, pode ser só o começo da retomada de seu protagonismo de lutas e militância. 

É bem verdade que entre 2013 e em 2016 a população foi às ruas, mas naquele momento o que os impelia não eram suas consciências propriamente ditas; eram, em verdade, estímulos externos, a maior parte deles impulsionados pelos "think tanks", os tanques de cérebros, repositórios intelectuais de ideias contrárias aos ideais populares. No limite, eles foram e são as organizações por trás da guinada da direita na América Latina, guiada por ideais e interesses neoliberais e contrários aos mais pobres, aos trabalhadores, em especial aos mais jovens.

Não é de se estranhar que o reascenso de agora tenha seu germe na Educação. É ela o setor mais castigado pelas crueldades do novo governo.

Foi entre 2005 e 2012 que o Ministério da Educação promoveu expansão e interiorização do Ensino Superior. Dessa forma, foram criadas 18 universidades federais, foram construídos 173 campi universitários, foram construídos 360 institutos técnicos federais, foram concedidas dois milhões de bolsas do ProUni, foram financiados dois milhões e meio de pobres que não tinham como entrar na universidade, senão pelo FIES. Tudo isso permitiu aos jovens, principalmente os mais pobres, sonhar e efetivamente participar como protagonistas da produção de conhecimento e da divisão sociotécnica do trabalho.


Ora, basta observar as datas! Essa ascensão social promovida pela Educação pôs em pânico a classe média conservadora. Detentora histórica do capital simbólico promovido pelo conhecimento, a classe média higienizada se viu dividindo o espaço que julgava exclusivamente seu com as filhas e filhos das empregadas domésticas, dos pedreiros, dos mais pobres; se viu competindo no mercado de trabalho com gente que até então lhe servira como subordinado e subserviente. Foi isso que a fez servir de tropa de choque, massa de manobra do processo que culminou no golpe de 2016.

Se é momentaneamente mais difícil a luta contra o poder econômico, cuja manutenção pertence à "Elite do Atraso" nas palavras do sociólogo Jessé Souza, a luta pela democratização do conhecimento é a pauta possível e mais urgente da agenda política do momento. Setores populares da sociedade brasileira, e em especial os jovens, são os que mais se beneficiam dos investimentos em educação. É por essa razão que são eles que estão hoje no pelotão de frente da resistência. Que seja só o começo!


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