mundo cervejeiro

Vamos falar um pouco sobre IPAs?

Colunista Denys Coelho continua sua aventura pelo universo das cervejas trazendo mais informações sobre o estilo


Na última coluna, quando escrevi sobre a viagem à costa oeste Norte-americana, comentei sobre IPAs, tipos de IPAs, e recebi vários pedidos de "mais esclarecimentos" sobre esse tipo de cerveja.

Quando comecei a conhecer mais sobre cervejas, as Ipas também me provocaram muitas curiosidades, então vou procurar dividir um pouco do que tenho aprendido sobre elas.

Para começar, a lenda do surgimento da India Pale Ale, ou IPA, conta que os ingleses exportavam cervejas para a Índia, para atender aos seus colonos, no século 18, e estas não chegavam em boas condições no seu destino, por conta da duração e temperatura da viagem. As cervejas passaram a ser produzidas com um maior teor alcoólico e recebiam uma quantidade adicional de lúpulo na sua produção, por conta das propriedades conservantes dele. Assim, a cerveja não chegava azeda ao destino. Sem querer, havia sido criado um novo estilo.

A história acima é muito bonita e romântica. Porém, pesquisas recentes esclarecem que não foi bem assim que as coisas aconteceram, mas, pelo menos dessa vez, vamos ceder ao belo e romântico, ficando com a lenda, e deixando a história e a ciência, quem sabe, para uma próxima coluna.

O fato é que a IPA clássica é uma cerveja mais alcoólica e com notada presença de aroma e sabor de lúpulo (você lembra de quando contei que o lúpulo garante o sabor e o aroma característicos da cerveja, né?). Chamo de IPA clássica as inglesas, produzidas com lúpulos ingleses mais herbais e terrosos. A Fullers IPA e a Meantime IPA são bons exemplos.


Foto: Arquivo pessoal

Em 2009, participei da Brasil Brau, uma feira de equipamentos e insumos cervejeiros (foto acima) que acontece de dois em dois anos na capital de São Paulo. Estava lá um stand da Associação dos Produtores de Lúpulo dos Estados Unidos. Eles estavam apresentando os seus produtos e buscando novos clientes. Lembro que um americano barbudo me ofereceu uma Stone IPA, que nunca havia tomado. Era uma American IPA, e ao primeiro gole tive uma sensação que jamais esquecerei. Uma cerveja com aroma e sabor complexos e marcantes, frutados, cítricos. É certo que este gole de American IPA contribuiu muito para o meu encantamento com a cerveja artesanal.

Ao provar uma American IPA, meu sentimento foi o de que se tratava de uma cerveja muito diferente das IPAs clássicas, pois a "pegada" de lúpulo é muito intensa, tornando-as experiências sensoriais únicas.

Stand da Associação dos Produtores de Lúpulo dos Estados Unidos na Brasil Brau

A escola norte-americana
Os norte-americanos adicionaram quantidades ainda maiores de lúpulo às receitas inglesas, e assim criaram o estilo American IPA. Este estilo é tão característico que, sem dúvida, é a origem do que chamamos de "escola norte-americana".

Se você ainda não tem um grande conhecimento sobre o universo cervejeiro, vou aproveitar para contar algo bem simples, mas que vai te ajudar na hora que estiver em dúvida ao escolher a cerveja que vai degustar. Normalmente, quando o estilo tem a palavra American na frente, espere por lúpulo cítrico (limão, maracujá, lima...). A Stone IPA é um ótimo exemplo do estilo. Mas, atualmente, aquela que é aclamada como a melhor cerveja norte-americana (de todos os estilos) é a Bells Two Hearted Ale.

Os dois principais tipos de IPA são as English IPA e as American IPA, porém existem variações de teores alcoólicos, tanto para mais quanto para menos, que são:

  • Session IPA - Uma cerveja com no máximo 5% ABV, mas marcada pela presença do lúpulo.
  • Double IPA ou Imperial IPA - São cervejas com muuuuito (muito mesmo) lúpulo e chegam a 10% de álcool.
  • Black IPA - É uma IPA de coloração escura, e fez apreciadores em todo o mundo. A carga de lúpulo também precisa ser exagerada para compensar o sabor do malte torrado, que não pode se sobressair.
  • Brut IPA _ É uma cerveja muito seca, sem dulçor, frisante, com um fim de gole que puxa na boca, surgida recentemente que ainda está "se apresentando" ao mercado.

A atual febre nos Estados Unidos, como falei na coluna anterior, são as New England IPA, também chamadas, conforme o estado de origem, de Hazy IPA ou Juicy IPA. São diferentes de uma IPA normal em visual (bem mais turvas) e no gole, que tende a ser mais "aveludado". Essas cervejas prezam pelo aroma e não pelo amargor do lúpulo. Para muita gente lembra um suco de lúpulo (o que justifica o nome em inglês). Apesar da carga gigante lúpulo, são cervejas com maior "drinkability", isto é, fáceis de beber. O que ajuda a entender por que fazem tanto sucesso.

O nome New England IPA vem da região dos Estados Unidos onde surgiu o estilo, Nova Inglaterra, estado de Vermont, por isso alguns a chamam de Vermont IPA também.

O grande porém das NEIPA (New England IPA), é o fato de serem cervejas com tempo de vida muito curto, por isso quando for experimentar uma procure na cervejaria mais próxima, pois elas não suportam viagens longas, muito menos temperaturas elevadas. Elas perdem o frescor e as suas características fundamentais.

As IPAs harmonizam muito bem com embutidos, carnes temperadas, hambúrgueres

Para harmonizar uma IPA com uma refeição é importante se valer da regra geral: cervejas leves acompanham comidas leves e cervejas mais fortes, intensas e encorpadas harmonizam melhor com comidas mais pesadas. Logo as IPAs harmonizam muito bem com embutidos, carnes temperadas, hambúrgueres.

O mais legal é que a partir dos estilos clássicos, com inovação e atitude, os cervejeiros estão apresentando cervejas cada vez mais revolucionarias, surpreendendo o apreciador com novas sensações, aromas e sabores.

Cheers!!


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