cultura

Pelos encontros

Colunista Camila Vermelho escreve sobre os encontros da arte e da vida

Setembro chegou! E já está pela metade! Em plena Semana Farroupilha e na despedida dos últimos dias do Inverno! E, no Brasil, no Rio Grande do Sul e em Santa Maria, muitas coisas acontecendo. A vida e sua dinâmica constante, mesmo quando tudo parece inerte... 

Aliás, sobre as dinâmicas, as mudanças e a virada de estações, não poderia deixar de falar sobre acontecimentos no campo artístico, claro. Não aqueles de cunho de agenda, de convites, de compartilhamentos de processos criativos.  

Afinal, o próprio jornal Diário de Santa Maria, ao longo da semana, e ao lado de outros e outras agentes culturais e da arte da cidade, fazem esse trabalho de comunicação. E também o universo radiofônico, com programas, por exemplo, como o Fazendo Arte, de Rejane Miranda, e o Baleiro das Artes, da pessoa que escreve estas palavras, ambos na UniFM 107.9. 

Mas, como esta é uma coluna de cultura dominical, gostaria de ir além. De falar sobre os encontros enquanto acontecimentos e potência artística e, sobretudo, de vida. Pois, numa época deliberadamente hostil, de conflitos em todas as esferas de convivência, tanto no Brasil quanto no Mundo, como criar e viver encontros plenos? 

Encontros no sentido de empatia, de presença, de dar sentido à vida, de valorizar a existência das outras pessoas como importante para a própria existência. Ou seja, o senso de comunidade, de pertencimento, de partilha.  

Foto: Pixabay

Não somente nas artes, mas na vida os encontros são fundamentais. São o movimento, a criatividade, o impulso pelo tempo e através da História.  

Os encontros são centrais para a educação, seja na esfera formal ou no dia a dia. Para a família, em todas suas possibilidade de ser, inclusive previstas pela Constituição Federal Brasileira. Para as conexões sociais. Para a Economia. E, claro, para a Arte. A Arte prescinde das pessoas para existir. Desde seus processos de criação ao contato do público com suas realizações. Pode parecer um senso comum, mas talvez daí seja uma das origens da expressão "Arte é vida"!  

A Academia é outro espaço de encontro essencial para a Arte, onde a produção e a reflexão de conhecimento ficam em sintonia com as transformações da sociedade.  

Uma arte que despreza o que se passa ao redor deve ser colocada em dúvida. Talvez por isso a censura infelizmente exista, para impedir o censo crítico, que é fundamental para questionar as arbitrariedades, sejam elas de qual origem for. 

Os encontros cotidianos, contudo, são os mais poderosos. Por eles passam as memórias, os afetos, as micropolíticas. Aqueles que nem sempre estão nos discursos ou nas pautas dos grandes estadistas. Mas que fazem os dias das pessoas terem sentido, no fluxo da História. E também são uma das principais fontes de trabalho dos e das artistas. 

Contudo, para haver um encontro, é preciso estar disponível para que aconteça. Abrir-se, ouvir, relativizar suas visões de Mundo, mas também colocar-se diante dele. É dar o sentido de alteridade, de que todas as pessoas, independentemente de etnia, sexualidade, filosofia religiosa, têm o direito de ser e estar aqui. 

Isto tudo que está escrito aqui não é uma novidade, mas parece que precisa ser resgatado. Apesar e a propósito da larga História da humanidade e com o grande avanço das tecnologias, inclusive as de informação. 

Mesmo com as redes sociais, isto não significa que os encontros sejam facilitados. Até parece que o contrário acontece. Como exemplo, os próprios comentários nos posts da página do Diário de Santa Maria no Facebook. Uma coleção de desencontros. De pessoas que se agridem gratuitamente, que não se colocam no lugar das outras e que parecem que se odeiam e querem se destruir mutuamente, mesmo que no campo virtual. 

Por isso, já que a Primavera está a caminho, época em que a fauna e a flora se multiplicam, florescem, transbordam em vida, fica o convite. Para que aconteçam mais encontros. Sejam eles físicos ou virtuais. 

Que haja mais escuta. Mais empatia. Mais solidariedade. Mais trocas. Mais humanidade. E que acontecimentos melhores gerem encontros verdadeiros, para que a Arte também germine em poéticas de um Mundo melhor. 



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