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cultura

'Malhação: Viva a Diferença' transformou a narrativa adolescente na TV aberta

09 Março 2018 11:34:00

Colunista fala sobre uma das mais importantes temporadas da série que está há mais de 23 anos no ar


Com 222 episódios e pouco menos de um ano no ar, Malhação: Viva a Diferença tornou-se, sem dúvidas, uma das mais importantes temporadas da série que está no ar há quase 23 anos na Rede Globo. Dessa vez o público acompanhou outras visões, pensamentos políticos, emoções e sem esquecer de apoiar a educação e valorizar o ensino público.

Foto: Rede Globo (divulgação)

Trazendo um autor que não fazia parte do elenco muitas vezes engessado da emissora, Cao Hamburguer (Castelo Rá-Tim-Bum, Pedro & Bianca), e sua equipe, conseguiu mostrar seu diferencial com um ótimo roteiro, abordagens e apresentação de personagens. Dessa vez ele apostou em cinco protagonistas, que foram apresentadas como jovens "diferentes e corajosas". Sem dúvidas foi o que vimos em tela, até muito mais do esperávamos. 

Falando em diferenças, as protagonistas não eram diferentes só na cor da pele, cabelos, organização familiar e educacional. Elas foram responsáveis por apresentar uma narrativa sem competitividade e que buscavam (na maioria das vezes) resolver seus problemas com diálogo, discutindo de assuntos importantes e dando espaço de protagonismo para todas. 

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Nesse tempo no ar, a novela começou apresentando Keyla (Gabriela Medvedovski), uma jovem de 16 anos, grávida e que não tinha mais contato com o pai biológico do filho que ainda iria nascer. O que ela não esperava é que iria conhecer as futuras madrinhas e novas amigas na hora do nascimento de Tonico em um vagão de metrô, parado em São Paulo. 

Após isso, Lica (Manoela Aliperti), Ellen (Heslaine Vieira), Tina (Ana Hikari) e Benê (Daphne Bozaski) viraram mais que amigas, elas eram da família. Era uma relação de irmãs, que brigavam, discutiam e com o tempo resolviam seus problemas da melhor forma que existe: diálogo. 

Foto: Rede Globo (divulgação)

A temporada também deixou claro seu posicionamento sobre o amor livre, tanto nas relações de Lica, MB (Vinicius Wester) e posteriormente Samantha (Giovanna Grigio), no casal LiMantha, e também na relação à la 'Romeu e Julieta' de Anderson (Juan Paiva) e Tina. 

Falando na Tina, acompanhamos uma garota de origem japonesa, em uma família tradicional, com costumes muito fortes e uma mãe que não aceitava que sua filha seria médica como ela. Sua narrativa mostrou que é importante os pais perceberem que os filhos precisam realizar seus sonhos sozinhos. 

O racismo não foi deixado de lado na temporada, principalmente na relação de Anderson com Mitsuko (Lina Agifu), mãe de sua namorada, ou quando Ellen foi transferida para uma escola particular após passar por testes para uma bolsa de estudos. Sem contar o preconceito que foi quebrado entre os personagens mostrando apoio dos alunos de escolas particulares com os de escolas públicas e vice-versa. 

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Lica foi uma das protagonistas que apresentou mais rebeldia em cena, mas todas com propósitos e argumentos que se tornaram relevantes na história. Ela não só organizava os protestos dentro da sua escola (que era o "negócio da família"), como também se preocupava em criar projetos culturais e que pudesse misturar os alunos das escolas. 

Benê foi, sem dúvidas, uma das favoritas do público por seu jeito sincero e muitas vezes confuso. Ela, apesar das dificuldades de convivência devido a Síndrome de Asperger, buscou mostrar seu melhor e conhecer a si mesma, o que levou a garota a fazer novas amizades, namorar e alcançar seus objetivos. 

Claro, vários outros assuntos foram inclusivos durante toda a narrativa, mas um que reuniu todos esses, e ganhou destaque no fim da temporada, foram as notícias falsas, arquitetas por Malu (Daniela Galli). A trama mostrou até que ponto as pessoas podem chegar para conseguir derrubar outras pessoas com mentiras, mas esquecem que as verdades podem ser muito mais fortes que elas. E graças a isso uma campanha a favor das escolas públicas foi lançada e saiu da dramaturgia para a programação diária da emissora. 


A principal lição que essa temporada deixa pode ser resumida no refrão da música que Benê canta com Guto (Bruno Gadiol) na última Feira Cultural: "Igual, diferente, igual, diferente, igual, diferente, igual". Podemos ser diferentes por fora, mas por dentro somos todos iguais, com sentimentos e sonhos. E você como vive suas diferenças?


Quem perdeu essa temporada pode assistir todos os episódios na Globo Play.

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