deni zolin

Infelizmente, agora sabemos o que é um clima de guerra!

Colunista fala sobre clima de insegurança que vivemos em tempos de prevenção ao coronavírus

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Foto:  Pedro Piegas (Diário)

Pouquíssimos de nós tivemos a experiência de viver na pele a dor, o horror e a tensão de uma guerra. Porém, a ameaça global do coronavírus está nos mergulhando no clima de conflitos como a 2ª Guerra Mundial, que só víamos em filmes e documentários ou líamos nos livros de história. Guardadas as devidas proporções, já que a guerra matou milhões, esse inimigo invisível da atualidade provocou reações muito semelhantes ao dos grandes conflitos mundiais.

Se na 2ª Guerra, as pessoas se escondiam em casa com medo das bombas que caíam do céu, agora, o toque de recolher é para tentar se proteger de um inimigo invisível, que ninguém sabe onde está e pode invadir nossas casas a qualquer momento - se é que já não invadiu. Na Europa da 2ª Guerra, quem saísse para a rua poderia também ser atingido por tiros do inimigo. Agora, é por um vírus. A polícia está nas ruas, mandando todo mundo se recolher e ameaçando até de prisão. O simples gesto de sair de casa virou crime para quem não tem necessidade de ir para a rua.

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A sensação de insegurança é brutal e provoca uma luta interna entre a razão e a emoção. Primeiro, porque ninguém sabe até onde isso vai e até que ponto cairemos no abismo. É preciso brigar com as próprias angústias internas para encontrar forças para seguir lutando e mantendo a sanidade. Se de um lado chegam notícias de mais de mil mortos por dia no mundo, sendo mais de 500 mortes diárias só na Itália, do outro lado, a razão tenta nos tranquilizar de que cerca de 97% dos contaminados vão sobreviver.

Como na guerra, na Itália atual, os médicos estão tendo de escolher quem tem mais chance de sobreviver para decidir quem tentarão salvar - algo inimaginável nos dias de hoje.

Cenas como prateleiras de supermercados vazias em outros países ou até briga por comida agora nos remetem à fome e ao pânico da guerra - também guardadas as devidas proporções, já que milhões morreram à míngua no conflito mundial de 80 anos atrás.

Até a cena de pessoas de máscaras remete ao cenário da Grande Guerra. Não temos câmeras de gás, como fez o sádico Hitler, mas vimos, na segunda-feira, equipes cobertas com capas brancas e máscaras em pleno Centro e Calçadão, para desinfectar as ruas vazias.

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Outra relação semelhante deve se dar na economia, já que a atual crise também arrasou com o consumo e a produção e pode dizimar empregos e empresas, provocando recessão e aumento da fome.

O clima de guerra também provoca uma cadeia fantástica de mobilização e solidariedade. Assim como na 2ª Guerra, agora, milhares de pessoas estão estendendo a mão ao próximo e se unindo em mutirões fantásticos para ajudar a atender pacientes pela internet, a produzir máscaras, álcool gel e respiradores de graça. Fábricas pararam suas produções normais para passar a fabricar insumos e abastecer o país com produtos de extrema necessidade. Muita gente parou tudo para se dedicar só ao trabalho voluntário.

Na linha de frente da 2ª Guerra, havia soldados e profissionais da saúde. Hoje, policiais, médicos, enfermeiros, técnicos e até pessoal de limpeza e apoio estão colocando as próprias vidas em risco por todos nós.

Infelizmente, não sabemos até quando tudo isso vai ir. Mas, por nós, nossos parentes e amigos, precisamos seguir lutando pela sobrevivência. Esses momentos difíceis servem também para que a gente deixe de lado tudo que é supérfluo e dê mais valor à vida e àquilo que realmente é ESSENCIAL!


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