claudemir pereira

Um saudável e bem-vindo ataque de bom senso

Claudemir fala sobre arquivamento de denúncia contra o prefeito, data das eleições municipais e ainda tem a Luneta

Claudemir Pereira


O fato objetivo, sem retoques: com os votos contrários de dois emedebistas, Adelar Vargas e Francisco Harrisson, os demais 19 vereadores santa-marienses, incluindo uma suplente, Lorena Santos (que substituiu o impedido Admar Pozzobom, um tucano como ela), decidiram não dar prosseguimento à denúncia contra o prefeito Jorge Pozzobom. Ele era acusado de nomear e manter, indevidamente, dois nomes estranhos ao quadro da Guarda Municipal no comando da corporação. 

Agora, o subjetivo. O que emerge da decisão anunciada na terça-feira, precedida, no dia anterior, da rejeição (por 2 votos a 1), na Comissão Processante, do relatório de Harrisson, pela continuação do procedimento? Pelo menos duas conclusões podem ser listadas, para o que aconteceu no plenário do Legislativo.

A mais simples, talvez, é a constatação de que os vereadores tiveram o que alguns chamariam de "ataque de bom senso". Sim, como explicar ao cidadão que, com o prefeito cumprindo a lei municipal (controversa, mas, enfim, aprovada pelos próprios edis), teria de ser afastado de seu cargo? Sem falar que, afora murmúrios corporativos quase imperceptíveis a ouvido nu, e discordância aqui ou ali, o comportamento dos CCs nomeados era (e é) inatacável.

A, quem sabe, mais complicada, e que requer um tantinho mais de esforço do bestunto, é a que aponta para o futuro. Afinal, se porque qualquer me-dá-cá um chefe de Executivo tiver que mobilizar-se para defender o mandato popular (sim, popular), deixará de fazer exatamente aquilo para o qual foi eleito: governar. Sim, fiscalizar é dever do legislador, mas há um limite político-legal a ser respeitado.

Como todos podem chegar ao poder em algum momento, alguém teve um clique, finalmente, lá no palacete da Vale Machado. E interfonou para um colega, que fez o mesmo com outro, e assim por diante. Sim, isso é uma alegoria. Mas não deve ter sido muito diferente disso.

A síntese pode ser a manifestação do presidente da Comissão Processante, Daniel Diniz, ao ser entrevistado: "meu voto foi dentro da legalidade e defensor da democracia. Não podemos aceitar injustiças. Se essa moda pega, nenhum prefeito vai terminar nenhum governo".

Com o desfecho desse episódio, imagina-se que a disputa política passe a se dar no seu devido lugar. Isto é, na própria política e no campo das ideias e não na busca de criação de fatos que somente desmerecem seus autores.

Em tempo: imagina-se que a outra denúncia apresentada no parlamento, sobre indevidas aglomerações promovidas pelo Executivo, e que, como esta página informou semana passada, tem como "prova" fotografias que já a desqualificam, sequer seja levada adiante. Inclusive porque, só para constar aos que não sabem, instalar comissões têm custo. Que é pago pelo seu, pelo meu, pelo nosso bolso.

Com a palavra, o vereador Mortari e sua queixa


E então, por e-mail, a coluna recebeu e reproduz, sem tirar nem por (vírgula ou ponto ou parágrafo ou o que for) a palavra do vereador Marion Mortari:

"Vimos através deste, manifestar nossa inconformidade, com a coluna do Jornal Diário de Santa Maria, do colunista Claudemir Pereira, da edição do jornal de 27 de Junho de 2020, onde a mesma traz como título a "Diferença", (conforme foto anexo), onde suscita que Vereador Marion Mortari (PSD), não vê problema em aglomerações com as sessões presenciais do Legislativo Municipal, mas que enxergaria em atos da Prefeitura. Qual motivo desta manifestação da coluna? Manifestamos nossa discordância com a mesma, pois somos totalmente contra as aglomerações nesse momento, inclusive, somos proponentes de um Projeto de Lei, onde dispõe que devido a Pandemia ficam proibidos atos cerimoniais de inauguração de obras públicas municipais, escrituras de imóveis e demais atos congêneres, objetivando assim, uma não aglomeração ou incentivo que os mesmos possam ocasionar. Assim, entendemos que pela divulgação que Jornal Diário de Santa Maria possui, não há como divulgar informações que são de discrepância com pensamento, realidade e conduta do respectivo vereador. No mais, sabedores da importância da mais fidedigna informação, e pela ampla exposição que a coluna possui, entendemos e gostaríamos que a mesma fizesse uma retratação da referida matéria.

Santa Maria - RS, 02 de julho de 2020.

Att. Vereador Marion Mortari

Quem ganha e quem perde com o adiamento
Noves fora uma ou outra controvérsia, a ser sanada com o andar da carruagem, já é possível afirmar que o adiamento do pleito, de 4 de outubro para 15 de novembro (com o segundo turno no dia 29 do mesmo mês), 42 dias depois da data aprazada para o primeiro turno, tem dois vitoriosos.

Um é o combate à pandemia, obviamente, que não pode ser desviado pelos interesses político-eleitorais de governistas e oposicionistas.

O outro vencedor nesse processo é a obtenção de mais tempo, por conta da transferência das convenções partidárias, para os conchavos dos que se articulam em busca de formar uma aliança bojuda (não numérica, necessariamente) para enfrentar o eleitorado.

Na contrapartida, há perdedores também bastante perceptíveis: os que já contam com uma coligação praticamente formada e que precisarão, veja só, mantê-la intacta por mais tempo, e sem desgastes que podem reduzi-la.

Assim, objetivamente, em Santa Maria, e sem grandes perorações, ganham (para ficar apenas nos nomes dos candidatos) os articuladores das candidaturas de Evandro de Barros Behr, Jader Maretoli e Jorge Pozzobom, que conquistam mais tempo para conchavar. E perdem, aparentemente, Sérgio Cechin, Luciano Guerra e Marcelo Bisogno/Fabiano Pereira, os que mais adiantados estão nas articulações.

EM TEMPO: o escriba nada tem a acrescentar. Nem a repor. O leitor julga. E ponto.

LUNETA

AO DEUS DARÁ!
Desautorizada pelo comando estadual do partido, que aqui queria se aliar à coligação PP/MDB (Sérgio Cechin/Francisco Harrisson), depois de abandonar a Frente Democrática Trabalhista, a direção local do Partido Republicano da Ordem Social (PROS) entregou os cargos. E como ficou a sigla? Ao Deus dará! Sumiu. Desapareceu. Se escafedeu. Não se sabe se provisoriamente ou não.

PASSE DO PSL
Antonio Elemar de Oliveira, de nome artístico (e político) Tony Oliveira, que atua na Radio Medianeira, constava como filiado em duas siglas e seu passe era disputado pelo PSL (mais recente) e o MDB (anterior). A Justiça resolveu o enrosco, e os pesselistas levaram a melhor. A filiação última é a que valia, convalidada pela própria vontade expressa pelo radialista, que é pré-candidato a vereador.

LOUROS, NÃO
O vice-prefeito Sérgio Cechin, até por sua profissão (engenheiro civil), trata da questão habitacional há ao menos três décadas, quando era vice de José Farret, nos anos 90. Na hora de colher os louros, porém, acaba fora, pois se afastou (politicamente) do prefeito Jorge Pozzobom ao lançar-se candidato em outubro. Cechin sequer aparece na foto da entrega dos títulos de concessão de uso de mais de 4 mil imóveis na Nova Santa Marta.

ODIADORES!
Foi lindo de ver o desespero dos odiadores de internet. Eles perdem, também. Numa "prévia", alguns, ligados notoriamente a candidatos, desceram a lenha, segunda-feira, no petista Daniel Diniz, que, na Comissão Processante, votou contra o seguimento da ação. Afiavam língua e pena para, no dia seguinte, "cair a pau" em quem agisse da mesma forma. Pois é. Se viram agarrados no pincel, pois até seus ídolos votaram com Diniz.

PARA FECHAR!
Parece óbvio que os vereadores Adelar Vargas e seu companheiro de MDB, Jorge Harrisson, votaram com suas convicções, ao pretenderem dar sequência à ação para investigar a conduta do Prefeito Jorge Pozzobom. Mas, com certeza, a sensação nos bastidores é que ambos foram largados na beira da estrada política por sua parceria, inclusive a eleitoral.


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