claudemir pereira

Se ele fosse candidato, seria o campeão no PT e vice no PP

Colunista aborda os resultados no Legislativo e o debate dos candidatos ao segundo turno

Claudemir Pereira

Foto: Câmara de Vereadores (divulgação)

De pronto, a resposta à pergunta do título: o voto só na legenda. E quem escreve, se ninguém notou, é apaixonado pela democracia representativa e simplesmente não a enxerga sem partidos. Que acredita no voto em lista, em que o eleitor votaria antes nas ideias (partido) do que em quem as defende (o candidato). Que crê que assim sendo estará votando nos dois: na sigla e na pessoa. 

Agora, os fatos. Que não mentem. E dão esperança. Sim, há mais gente gostando de partidos políticos do que se imagina. Afinal, dos 131.607 votos válidos (excluídos brancos - 9.151, nulos - 4.612 e abstenções - 58.876), nada menos que 6.861 (5,21%) foram entregues às agremiações. E contribuíram decisivamente para que, com certeza, ao menos PT, PP e PSDB tenham conquistado as bancadas que lhes foram entregues pelas urnas.

É difícil fazer as contas sem a superfórmula da Justiça Eleitoral, mas se pode afirmar que ao menos uma vaga adicional não teria sido obtida sem esses votos, no caso desse trio. Aliás, num, o dos tucanos, não há dúvida: sem a adesão do eleitor exclusivo do PSDB, seriam só duas vagas no Legislativo.

Aliás, se o "voto na legenda" fosse uma pessoa-candidata, seria campeão de votos no PT, pois os 1.816 votos "só na legenda" são dois a mais que os obtidos pelo atual primeiro, Valdir Oliveira. E no PP seria vice: os 1.431 votos no partido só perdem para os de Pablo Pacheco (2.375). Como curiosidade, esse voto que muitos não valorizam, chegaria em 4º lugar no PSDB e, nele, seria o primeiro suplente. 

Outro fator a ser lembrado (no final do texto você tem os votos na legenda obtidos por todas as siglas), e que é não raro desconsiderado na hora da formação das chapas, é a relação direta que há entre voto na legenda e a candidatura majoritária. Sim, quem apresenta candidato a prefeito tem ganho colateral, pois a fixação do número do partido na mente do eleitor aumenta automaticamente a quantidade dos importantíssimos (para o pleito proporcional) voto partidário.

A comprovação científica é evidente em Santa Maria. Com exceção (que confirma a regra) do Cidadania, os cinco partidos na dianteira dos votos só na legenda são os que apresentaram a cabeça de chapa nas alianças ou, caso do Republicanos, concorreu solito.

Confira, na sequência, quantos votos cada partido obteve exclusivamente no seu número. Ah, no caso dos seis primeiros, entre parênteses também constam os votos totais, incluídos os dados aos candidatos de cada um deles. Acompanhe:

  • 1° - PT: 1.816 (16.737), 2º - PP: 1.431 (18.797), 3º - PSDB: 1.112 (14.880), 4º - PDT: 651 (8.244), 5º - Republicanos: 485 (11.335), 6º - MDB: 274 (13.973), 7º - Cidadania: 188, 8º - PSB: 143
  • Seguem-se - PTB: 132, DEM: 109, PL: 102, PC do B: 99, PSL: 98, PSol: 97, PSD: 72, Solidariedade: 33 e Avante: 19

No total, foram 6.861 votos, o equivalente a 5,21% dos 131.607 válidos. 

Apoio de derrotados é importante politicamente. Mas não é decisivo

Até o momento em que esta página era fechada, já era conhecida a posição de um punhado de partidos (e candidatos) derrotados no primeiro turno, em relação a apoiar ou não os vitoriosos da etapa inicial.

Como curiosidades, embora os outros casos também sejam significativos, cite-se a decisão do petismo, que orientou sua militância (e eleitores) a não votar em ninguém. O que, na prática, significa a defesa do voto branco ou nulo. Da mesma chapa, posição diversa foi tomada pelo PSD de Marion Mortari - que aderiu de mala e cuia ao seu parceiro ideológico PP de Sergio Cechin.

Aliás, o candidato dos Progressistas também contou com o apoio da executiva do PSB. Mas aí houve defecção. Um dos dois edis eleitos, Paulo Ricardo Pedroso, optou pela neutralidade.

Outra sigla que tomou posição foi o PC do B, que elegeu Werner Rempel vereador. Junto com o PSB no pleito majoritário (com o pedetista Marcelo Bisogno e o socialista Fabiano Pereira), a opção é a de "apoio crítico" à recandidatura de Jorge Pozzobom.

Enfim, partidos e seus líderes, juntos ou separados, começam a se manifestar. Ou ainda aguardam respostas, como Evandro de Barros Behr e Carla Kowalski, do Cidadania, para se definir ou não. Mas a questão é: a posição dos líderes será seguida pelos eleitores ou apenas defendidas pelos militantes próximos deles?

Aparentemente, não. É informação colhida das manifestações públicas de uns e outros. Veja-se, como exemplo, o PT. Votar nulo ou branco é posição política, sim, aceitável.

Mas é inteligível e aceitável só a uma parcela (pequena?) dos eleitores. Estes, imagina-se, tomarão posição. Aliás, um ilustre (e que diz estar até de saída do partido), o ainda vereador Daniel Diniz já disse até que votará em Jorge Pozzobom. Admite-se que não é exceção. Talvez não no mesmo candidato, mas não em branco. Nem nulo.

Em resumo: a tomada de posição (qualquer que seja) é importante, politicamente. Mas não é, creia, definitiva para quem interessa, o eleitor.

Debate do Diário confirmou: sim, eles conhecem Santa Maria. E bem

O que poderá fazer a diferença em favor de Jorge Pozzobom ou Sergio Cechin, nas urnas? Enfim, o que diferencia um do outro, a ponto de o eleitorado pender para Pozzobom ou Cechin, no último domingo deste mês?

A resposta a essas questões deve estar tirando o sono dos formuladores das duas campanhas. E que conta até mesmo mais do que o apoio (mais midiático que qualquer outra coisa, como você confere em outro texto desta página) recebido de candidatos e siglas derrotados no turno inicial.

Mas, e por que se chega a essa situação? Simples: tanto Pozzobom quanto Cechin conhecem profundamente a cidade que querem administrar. Totalmente integrados a ela, a veem por todos os cantos, inclusive as suas bibocas mais recônditas, com sua gente bastante interessada na vida dos cidadãos.

Isso foi plenamente confirmado no ótimo debate promovido pelo Diário e que ambos protagonizaram na noite de quinta-feira. Sim, eles sabem das dificuldades da saúde, os feitos da Educação, as experiências nas áreas de habitação e segurança e meio ambiente.

Sabem. E bastante. Quanto mais não seja porque, até março deste ano, quando Cechin foi ungido candidato por seu partido, ele e Pozzobom geriram juntos os problemas e saborearam as virtudes. Sim: gostem ou não um ou outro, são ambos de um mesmo governo. Que pensam diferente, claro, mas estavam juntos até meia hora passada.

O confronto de ideias, entremeado por rusgas aqui e ali, mostrou isso. A ideologia talvez seja decisiva para muitos votos. As propostas por outro tanto. Mas ninguém pode se queixar de algo que, outra vez, ficou claro. O eleito não é um neófito, ah, não é.

LUNETA

XÔ, MALDIÇÃO!
É verdade que isso não acontecia já desde 2008, quando o então ocupante do cargo, Vilmar Galvão, foi derrotado. Mas é legítima a festa de Adelar Vargas, que em contato com a coluna lembrou ter se ido a maldição de presidente no último ano de Legislatura perder. Verdade. A urucubaca se foi. Em 2016, o presidente era Luiz Carlos Fort, que não concorreu. E, em 2012, fora Manoel Badke, que se elegeu.

FUTURO 
É incrível, mas já tem petista pensando em candidato a prefeito para 2024. O nome falado (e não foi só por um ou dois) é o do recém-eleito edil Ricardo Blattes. Outro lance futurológico: Luciano Guerra seria candidato "natural" a deputado estadual. Isso, porém, depende de Valdeci Oliveira não concorrer. E talvez nem fosse o único, nessa circunstância. Mas o pessoal fala, oh se fala.

O RETORNO 
Ex-prefeito de Santa Maria por (quase) oito anos e que teve o segundo mandato marcado pela tragédia da Kiss, Cezar Schirmer retoma a vida eleitoral como edil na capital. O futuro político, ninguém duvida, dependerá da vitória, se houver, de Sebastião Melo sobre Manuela D'Avila. Há quem diga, até, que Schirmer poderá concorrer ao Piratini. Então...

PP OU NOVO? 
Dúvida a ser sanada só quando a próxima Legislatura começar é que orientação seguirá o futuro vereador Pablo Pacheco: se a do Progressistas, pelo qual foi eleito, ou as do Novo, agremiação da qual é originário e cujo deputado, Giuseppe Riesgo, foi seu principal cabo eleitoral. O fato é que Pacheco é o mais votado na sigla que o acolheu, com 2.375 votos, quase o dobro de uma pepista da gema, Anita Costa Beber.

PARA FECHAR!  
É algo muito improvável. Em todo caso, no MDB há quem avente a possibilidade de seu filiado, Roberto Fantinel, virar deputado. Para isso, para começar, o já deputado Sebastião Mello tem de vencer Manuela D'Ávila, na Capital. O que desencadearia um processo envolvendo os suplentes Carlos Burigo, Patrícia Alba e Comandante Nadia, além do atual parlamentar Juvir Costella (secretário de Transporte), até chegar a Fantinel. Então.


fale conosco

redação
[email protected]
(55) 3213-7100
(55) 99136-2472
(WhatsApp)
Endereço
Faixa Nova de Camobi, 4.975, Bairro Camobi, CEP 97105-030, Santa Maria - RS

redes sociais
facebook
instagram
twitter
youtube

 


para assinar
(55) 3213-7272
diariosm.com.br/assinaturas

central do assinante
(55) 3213-7272
(55) 99139-5223
(WhatsApp, apenas falhas de entrega)
[email protected]
[email protected]
chat

para anunciar
(55) 3213-7187
(55) 3213-7190