claudemir pereira

O nem tão obsequioso silêncio dos tucanos

Leia a coluna do Claudemir Pereira deste final de semana


Nada mais falso afirmar que o PSDB esteja manietado nas articulações em torno do pleito de outubro (ou novembro ou dezembro). Claro que a prioridade do prefeito Jorge Pozzobom são as ações de combate ao coronavírus. E, como este espaço já realçou, tem se comportado bem mais que adequadamente nessa missão.

Isso não significa que o partido dele, que concorre, sim, à reeleição, esteja parado. Pelo contrário. Se sabe que os pontas de lança das atividades partidárias-eleitorais são João Chaves (presidente do PSDB) e Guilherme Cortez (da Executiva e Chefe da Casa Civil). Mas não são os únicos. O próprio Pozzobom, quando é possível, participa de discussões e, sobretudo, toma ou avaliza decisões.

Veja-se que o prefeito papeou, nos últimos tempos, com um punhado de lideranças de siglas potencialmente aliadas. Casos, para ficar em dois exemplos, do PSL e DEM. Este, se a conjuntura não se modificar mais profundamente, cederá o nome do vice, em substituição a Sérgio Cechin, do PP.

Até mesmo hoje (quem sabe o futuro?), adversários charlaram com Pozzobom. Entre eles, embora talvez neguem, Fabiano Pereira, líder único e inconteste do PSB, no momento protagonista da Frente Trabalhista. Se alguém crê que só falaram sobre a Covid-19 (ou, vá lá, a estiagem) tem passagem mais que garantida para o céu.

Há sinais outros (e mesmo digitais muito claras) que apontam para ativa movimentação política governista. Algumas ações são simbólicas, como a crítica feita à outrora aliada Luci Duartes na Câmara, esta semana, por João Chaves. O embate também se dá no parlamento.

Mas há outras atitudes bem mais objetivas. Inclusive a manutenção de pontes estreitas com possíveis aliados num eventual segundo turno. Não é exatamente de graça, a parte o trabalho diligente por eles realizado, a manutenção de Cargos de Confiança notoriamente ligados ao Progressistas (de Cechin) e ao MDB (de Francisco Harrisson).

Resumindo, é possível afirmar, com toda a certeza, que o silêncio obsequioso é apenas da porta para fora. A busca por aliados se dá intramuros - onde se fala, e até se grita, muito. São reuniões e conversas em busca da melhor posição para o momento de a onça beber água. Assim é considerado o instante em que acontecerem as convenções (final de julho ou mais adiante) e, de fato, a campanha começar.

PS. No tucanato, aliás, há convicção: o quadro que se coloca hoje pode (e até, segundo alguns, tende a) se modificar bastante. Afinal, como dizia o veteraníssimo político mineiro Magalhães Pinto (embora haja quem credite a frase a Ulysses Guimarães ou Tancredo Neves), a política "é como nuvem; uma hora está aqui, noutra acolá".

Perdas e ganhos da Frente Democrática Trabalhista na cidade
A Frente Democrática Trabalhista começou com o PDT de Marcelo Bisogno. Sim, ele é o cara que abriu o caminho e saiu atrás de aliados para o projeto que seu partido montou. O primeiro a aderir, de fato, foi o PTB - e até se chegou a imaginar sair dali o nome do vice. O do prefeito, claro, sempre foi o de Bisogno.

Depois vieram os menores Avante e PROS, e agora o Rede. No meio do caminho, vieram dois médios-grandes - o PC do B e o PSB. Médios pelo número de filiados e grandes por seus nomes significativos. O primeiro trouxe junto Werner Rempel e o segundo Fabiano Pereira, ambos de grande trajetória político-eleitoral.

Desses sete partidos, um já se foi, o PROS. Outro estaria indo, o Avante. Não se sabe se haverá novos desfalques. Nem se virão mais parceiros. O certo, porém, é que essa agitação, que ninguém se assuste, além de normal, pode até mesmo ser definidora dos próximos e decisivos passos.

O jogo está longe de ser jogado. E não apenas nesse grupo de aliados com grandes caciques e só uma vaga de líder geral.

Ah, e sem descartar a boa intenção, a nota do PDT desta semana, dizendo que "as ideias são mais importantes que as pessoas", é muito bonita. Mas a política está repleta de exemplos no sentido contrário. 

MDB, a reunião virtual e um pré-candidato a "prefeito"


Duas questões interessantes, quem sabe importantes, emergem da reunião virtual ampliada do Diretório Municipal do MDB, na noite da última terça-feira.  

A primeira é o grande quórum verificado para um encontro que é símbolo dos tempos pandêmicos. Em isolamento social, o pessoal se mexe e abre computadores ou smartphones. E funciona direitinho. Claro que é até mais fácil parar briga - basta deletar os detratores. Mas, sobretudo, conta quem participa, a argumentação consegue ser ouvida.

Do ponto de vista da divulgação, porém, fica mais difícil. Fontes de repórteres são mais facilmente conhecidas. E, portanto, acabam por se aquietando. E, sobretudo, o partido corre o risco de ficar ensimesmado - a menos que convidem a mídia a participar.

A segunda situação interessante surgida a partir da reunião internética dos emedebistas é a nota distribuída após o encontro - em que anuncia a decisão de ampliar a discussão com o PP, para aliança eleitoral. A linhas tantas, lê-se (o grifo é do escriba):

"- O MDB com o aval de nosso pré-candidato a prefeito Dr. Francisco Harrison trabalha em unificar uma proposta que possibilite a retomada do crescimento econômico para nossa cidade e a ampliação de oportunidades neste momento de tremenda dificuldade mundial."

Como assim? Pré-candidato a prefeito? Mas não seria a vice (de Sérgio Cechin, do PP)? Desculpa a bobice por perguntar.

LUNETA
AGILIDADE
Sem espaços oficiais, o que facilitaria bastante a tarefa, que não se diga faltar agilidade a Sérgio Cechin. Com seu fiel escudeiro e assessor Rafael Dulor, não raro acompanhado do presidente do Progressistas (PP), Mauro Bakof, ele tem se reproduzido pela cidade em eventos e ocasiões as mais diversas. Tudo no legítimo direito de cavar espaço midiático que seu grupo considera algo relevante neste momento. 

 ALIADOS
O grande trunfo do atual vice e pré-candidato a prefeito do PP é a aliança com o MDB e, de inhapa, a indicação para vice do vereador e ex-secretário de Saúde, Francisco Harrisson. Sem isso, a pretensão de Sérgio Cechin ficaria sensivelmente desidratada. Com todo respeito, como disse um líder ao escriba, aos demais aliados. No caso, os pequenos Podemos, PL e, talvez, o PROS - que deixou a Frente Trabalhista. 

ARTISTAS
Presidente do Cidadania, Arthur Heinz, reclama da falta de atenção para ações de seu partido. Uma é o protocolo, junto ao Piratini, pedindo a concessão de auxílio aos artistas e também linha de crédito a empresários do setor de entretenimento. E elogia a prefeitura que, "mesmo tardiamente", se mexeu em auxiliar o setor, com o edital que beneficiará 70 projetos artísticos em âmbito virtual. 

O RETORNO
Depois de todo o bafafá, que implicou até mesmo na sua retirada do Diretório, aos poucos, Tubias Calil (foto), ex-vereador e ex-secretário de Infraestrutura no governo de Cezar Schirmer, volta a participar das atividades do MDB - inclusive esteve na reunião online aberta da última terça. É um forte indício de que estaria preparando a campanha para retornar à Câmara. A conferir.

PARA FECHAR!
Diante das circunstâncias, é preciso louvar a criatividade da Prefeitura para festejar os 162 anos de emancipação do município, neste domingo, 17, com uma semana de "lives". Este espaço, de resto, recomenda os espetáculos infantis do sábado (Clownfusão), a partir das 19h, e domingo (Trem Maravilha Especial Anos 80), às 15h. Sempre no site da prefeitura. E parabéns, Santa Maria!


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