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O indignado presidente do PP, que não quer ver seu partido 'sócio' do PSDB

Leia a coluna de Claudemir Pereira desta sexta-feira

Em meio a uma reunião, há exatos 10 dias, e de forma abrupta, o presidente do Progressistas (PP), Mauro Bakof, deixou o encontro licenciado por um mês. Após, nada mais falou. Até agora. Confira o que ele diz à coluna, deixando muito claro que... Bem, leia você mesmo o que ele diz.

Claudemir Pereira - A que se deveu, exatamente, o pedido de licença?
Mauro Bakof -
Não concordo com essa forma atropelada de fazer política. Acho que as questões precisam ser construídas. Chegar do nada para nada não funciona e nunca funcionará. Percebo muitas questões cruciais em nosso município. Vim para ter candidatura própria; não tendo, perdi a função. Daí, o partido não precisará mais de um idealista. Que assim me considero. 

CP - Diante disso, como o vê a possibilidade de candidatura própria em 2020? 
Bakof -
Com real chance, pois estamos muito bem organizados. O Progressistas cresceu muito, o que nos falta é perder alguns medos e amarras. Primeiramente, essa questão de ser sócio. Acho que devemos pensar grande. Como já disse muitas vezes, não temos que temer derrota. Mas, sim, morrer por não ir para o embate. Com medo, caímos de nove para dois vereadores. Hoje, temos a chance de voltar a fazer bancada. Mas isso passa por candidatura própria. Nossos pré-candidatos filiados este ano vieram com esse objetivo. 

CP - Até quando vai essa discussão que, há três anos, também aconteceu - inclusive com a mesma ideia de candidatura própria? 
Bakof -
Se conseguimos nos desvincular há três anos, não vejo motivos para temer. Eu fui um dos que articulou e costurou a virada há três anos. Mas, confesso que não queria ser sócio. Queria, sim, candidatura própria, como sigo querendo desde sempre. Como já respondi, perde o efeito minha pessoa na gestão se não for para competir; brincar de jogar não é comigo. Vamos para o embate de verdade ou eu vou andar de moto, que estou há tempo sem andar em função do partido. Penso que temos que resolver a questão. Não demorando tanto como há quatro anos, quando decidimos nos 45 minutos finais. Mas sem atropelo. O diretório deve ser soberano. 

CP - Em 2016, por conta da discussão, o partido perdeu uma de suas principais (senão a maior) figuras, o ex-prefeito José Haidar Farret. Qual o risco desse tipo de cisma se repetir? 
Bakof -
Acredito que nossas vidas são mutáveis. Eu, por exemplo, não sairei se perder, apenas me afastarei e assistirei de fora. Pois acredito ser o estatuto do Progressistas o melhor. Sempre disse e repito que sou estatutário. Provei quando não aceitei o que fizeram com o Heinze. Me licenciei e fiz campanha para o Bolsonaro, não compactuando com as decisões partidárias. Tenho posição e convicção. Jamais, por favores, mudarei. Deve lembrar que sempre fui idealista e combati o fisiologismo. Há muitos anos, não é de hoje. 

Bisogno e a parceria "de primeira" com o PTB. Mas... 
 Antes de ser empossado para novo mandato presidencial no PDT, o radialista Marcelo Bisogno respondeu a uma questão da coluna, acerca da aparente prioridade dada ao PTB como aliado para compor a Frente Trabalhista em 2020. 

O pré-candidato pedetista à prefeitura reafirma que o PTB é o "nosso parceiro de primeira", inclusive com as bancadas na Câmara já atuando juntas. Mas o principal é a necessidade de união "em torno de um plano para tirar nossa cidade e nossa gente do atoleiro político que estamos vivendo".

Bisogno acredita que partidos como "PC do B, PSB, Cidadania e outros estão nessa mesma proposta". Exatamente por isso, entende possível, ou ao menos deixa essa impressão a quem com ele papeia, uma unidade eleitoral entre todos.

A questão é: será, mesmo? Nunca se deve esquecer que a eleição do próximo ano não terá alianças no pleito proporcional. Não é impossível, assim, que convicções sejam trocadas por pragmatismo. A conferir.

MDB só sairia do governo em abril. Se fosse o caso 
 Sim, é real que o MDB ensaia a saída do governo para buscar a viabilização de uma candidatura própria. Sim, é verdade que o nome principal a ser apresentado (e não parece desgostar) é Francisco Harrisson, secretário de Saúde. E o segundo é Marta Zanella (titular da Cultura). 

O que não parece correto supor é que a ruptura aconteça rapidamente, ainda em 2019. Harrisson declarou nos últimos dias que gostaria de ficar, pelo menos, até fevereiro. O calendário eleitoral permite até abril, mas o político é mais rápido, como se sabe.

De resto, não obstante reuniões que ocorrem, o interesse do prefeito Jorge Pozzobom é, sim, prolongar ao máximo uma decisão. Inclusive porque, no seu entorno, não se perdeu a esperança de manter o MDB no time. O que é improvável, cá entre nós. No entanto, a palavra impossível só existe fora da política.

LUNETA

INDEFINIÇÃO 
Siglas médias, ou com número significativo de filiados, ainda se mostram bastante indefinidas em relação ao futuro eleitoral. Contam com nomes bons para concorrer à Câmara (mas faltam parcerias internas para alcançar o quociente eleitoral estimado em 6,5 mil votos) e à prefeitura, mas jogam para o futuro a decisão do que fazer. PSB, PL e PSD, por exemplo, estariam nessa condição. 

MULHERES 
Salvo os maiores (e mesmo eles, embora neguem), todos os partidos têm sérias dificuldades para cumprir a quota legal de 30% da nominata de concorrentes mulheres ao Legislativo. São 11, para quem tiver chapa completa. A caça aos "laranjas", pela Justiça, deixa líderes partidários ressabiados de incluir quem não for fazer, meeesmo, campanha. E essa, creia, é dificuldade adicional, lamentam uns e outros. 

PACIFICADO 
Ainda há murmúrios de desagrado de parte do PT com a unção de Luciano Guerra (foto - ID 59621) como o pré-candidato do partido à prefeitura. Mas são cada vez mais inaudíveis, conforme passa o tempo, não surge alternativa viável (eleitoral e politicamente) e se consolida o nome do vereador. Aliás, se ainda há algum resmungo, não é posto publicamente por ninguém, no petismo liderado, sem oposição visível, pelos deputados Paulo Pimenta e Valdeci Oliveira. 

SUSSURROS 
Como Guerra torna-se o nome inconteste, sussurra-se agora contra a indicação de nomes "à direita" do PT, como seria o caso de Marion Mortari, do PSD, para ser o vice. Se é para coligar, diz-se, que seja então com sigla "mais à esquerda". Estas, porém, aparentemente, já tem destino certo e não é aliar-se ao petismo. Mesmo Deili Silva, preferida por setores do PT, não parece nome viável. O PTB se inclina a compor mesmo é com o PDT. 

PARA FECHAR 
A saída do vereador João Ricardo Vargas, do PSDB, na janela da infidelidade, em março, quando não haverá o risco de perder o mandato, parece certa. O que não se sabe, talvez nem ele, é qual o destino do coronel, que não esconde a frustração com o governo de Eduardo Leite. Se não "se cuidar", pode deixar o tucanato e cair direto noutra sigla que também apoia o governador.


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