claudemir pereira

Churrascada, jantar e dissidências: a disputa pelo comando da Câmara

Colunista aborda as estratégias usadas garantir o controle da mesa diretora


Foto: Camila Porto/CVSM

Há cerca de um mês, a churrascada na casa de um vereador fechou o acordo para o(s) próximo(s) ano(s). E, assim, com a adesão de dois nomes hoje do grupo de comando da Câmara de Vereadores, muda a direção do Parlamento.

Na próxima semana, segundo apuração do colunista, outro regabofe já está agendado. Desta vez, um jantar. Não se sabe ainda o menu, mas a aposta num risoto não seria descabida, foi possível escutar. O cardápio, porém, terá outros ingredientes, mas um deles se destaca: a tentativa de fazer com o que o acordo fique mais fortalecido, e a situação, consolidada.

O histórico recente das disputas legislativas indicam ser possível acreditar que está certo. O próprio contrato político atual foi assinado logo depois do pleito passado e a dois meses da posse. E cumprido, o que é o mais importante. Mas o registro memorial mais antigo aponta para a necessária prudência.

Dito isto, aos nomes.

Adelar Vargas, do MDB, já alinhado ao governo em muitas questões, é um dos desfalques do atual comando. Luci Duartes, do PDT, também está na mesma condição. E são eles os determinantes para o novo status quo.

Fonte desta página aponta, no entanto, forte pressão sobre Vargas, interna e externamente ao Legislativo. Daí a necessidade de cevar cada vez mais o que foi definido, impedindo uma reviravolta hoje tida como improvável.

Ah, e a presidência da Casa, isso também se tornou consensual, nesse acordo político-administrativo, deverá ser exercida pelo petista Valdir Oliveira, com a pedetista Luci de vice. Os demais cargos serão ajustados até o dia da eleição, lá no 30 de dezembro - quando ocorrerá a derradeira sessão deliberativa do ano, na Câmara.

AÇÃO - Ninguém imagina que os atuais governantes do Legislativo vão aceitar sem luta uma derrota que meses atrás parecia improvável. A pressão sobre os 'saintes' Vargas e Luci é permanente, ao mesmo tempo em que se ausculta a possibilidade de deserção entre os atuais opositores.

REAÇÃO - De outra parte, como "o seguro morreu de velho", ainda que acreditando na vitória e na consistência da decisão dos dois dissidentes, há conversas com outros edis, potencialmente interessados em mudar de lado. Estaria começando um trabalho de "cercamento" político aos vereadores Danclar Rossato e Paulo Ricardo Pedroso, ambos do PSB. E que, segundo fontes da "oposição", seriam os maiores perdedores, no caso de mudança de comando da Câmara. A ver.

E, de repente, no MDB gaúcho há quem queira bisar Santa Maria

O noticiário vem da Capital. Um grupo tido como histórico no MDB, que inclui o prefeito de Porto Alegre, Sebastião Mello, seu secretário (e ex-prefeito santa-mariense) Cezar Schirmer e o deputado federal Osmar Terra, entre outros, não esconde o descontentamento com a situação interna do partido no Rio Grande do Sul.

Mais, coloca-se contra a decisão de definir o nome do candidato ao Piratini no início de dezembro. E propõe o adiamento, de maneira a tentar duas coisas. Uma, convencer José Ivo Sartori a concorrer outra vez ao governo. Outra, avançar negociações com o PP e se colocar como opção de vice ao bolsonarista senador Luis Carlos Heinze, candidato do Progressistas.

É o momento em que a situação se mostra bastante parecida com Santa Maria. Aqui, relembre-se, o MDB virou coadjuvante do PP, concedendo o nome do vice (Francisco Harrisson) ao candidato a prefeito pepista, Sergio Cechin.

O fato é que o emedebismo estadual está convulsionado. A ponto de ser impossível garantir hoje como a situação ficará. Aparentemente, a bola está com Sartori. Se ele decidir (até dezembro) concorrer, ninguém duvida: terá o apoio partidário. Se não... Bem, aí é Alceu Moreira o favorito, com outro possível pretendente, Gabriel Souza, atual presidente da Assembleia Legislativa, embarcando na candidatura a deputado federal.

Sem juízo de mérito, não deixa de ser curiosa a trajetória do outrora partido de resistência à ditadura. No caso gaúcho (e santa-mariense), se apequenando e em busca de algo bem longe do protagonismo - a valer a ideia desse grupo tradicional e significativo na conjuntura interna do MDB.

Ah, não custa rememorar o resultado do pleito santa-mariense, que está completando um ano. A aliança PP/MDB ganhou, com folga, lugar na finalíssima. Mas, lá, levou goleada da dobradinha liderada por Jorge Pozzobom. E a diferença, lembre-se, foi o voto da esquerda. Exatamente como acontecia, pró-MDB, em tempos não tão distantes assim. Escolhas cobram o preço. Sempre.

Sem atrito no campus. E a candidatura a caminho

SEM ATRITO - A cada dia que passa se consolida a ideia, no prédio da Reitoria da UFSM, no campus de Camobi, de que supostas desinteligências entre o atual reitor, Paulo Burmann, e seu vice (e primeiro colocado na lista tríplice em poder do Ministério da Educação), Luciano Schuch, seja uma tentativa de "plantação midiática".

Ao contrário, ainda que mantenham eventuais divergências conceituais, ambos se entendem e não há ruptura do processo que levou à elaboração de um programa para gerir a universidade. E ainda: compromissos assumidos por ambos com a comunidade universitária serão cumpridos.

Mais: há quem identifique a origem da boataria justamente em setores até aqui alijados da gestão universitária e que assim continuarão. Mmmm... Será? A conferir.

INSPIRAÇÃO - De outra parte, ninguém duvida mais da inevitável ida às urnas, em 2022, do atual reitor. Paulo Burmann, mais que filiado ao PDT, é histórico militante das causas brizolistas, tendo sua atuação política inspirada nas ideias do engenheiro Leonel para as demandas educacionais.

E é exatamente isso que pretenderia (a saber-se, tão logo o professor deixe a reitoria da Universidade) apresentar ao eleitorado gaúcho, como concorrente a uma vaga na Câmara dos Deputados. Para quem duvida da possibilidade, e não são poucos, não custa lembrar que 2022 está ali na esquina.

LUNETA

NINGUÉM

Chega a ser constrangedor. Um grande espaço, no caso um salão do Itaimbé Palace Hotel, e apenas poucos secretários e outros servidores municipais. Assim foi, na tarde de quinta-feira, mais uma audiência pública que, não obstante o tema importante para a comunidade, o Orçamento Municipal para 2022, teve participação escassíssima, para não dizer nula. Como resolver isso? O escriba não tem resposta.

E QUE TAL?

O que parecia quimera, de repente, pode estar se modificando. A mídia nacional aponta crescimento de Eduardo Leite entre os tucanos paulistas, território aparentemente dominado por João Dória, visando às prévias do PSDB, que escolherão o candidato da sigla à presidência. Já há quem imagine ser possível uma vitória do governador gaúcho. O que, em acontecendo, poderia refletir na conjuntura estadual.

OS NOMES

Não apenas uma, mas duas indicações para deputado. É o que se anuncia em 2022 a seção santa-mariense do Republicanos. Os nomes estão inclusive definidos: são o ex-concorrente à vereança Luciano Sampaio e a ex-candidata a vice-prefeita, a professora Maria Helena Rodrigues. Só o que não está definido é quem, dentre eles, disputa vaga na Assembleia Legislativa ou à Câmara dos Deputados.

SEPARADOS

Se você perguntar às principais figuras públicas do PSL e do DEM na boca do monte não saberá do futuro local do União Brasil, o partido recém-formado e que funde as duas agremiações direitistas. A única certeza possível: alistados ou não na nova agremiação, os vereadores Manoel Badke e Tony Oliveira terão posição diferente em relação à prefeitura. O primeiro governista, o segundo oposição.

PARA FECHAR!

Por esta poucos esperavam: deputados federais aprovaram, nesta semana, o retorno do trololó eletrônico dos partidos. Mesmo que apenas em inserções, a chamada propaganda partidária (uma vez por semestre, por partido com representação na Câmara) faz o caminho de volta, após quatro anos banida do rádio e da televisão. Que se diga, ainda falta o Senado se manifestar. Mas...


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