claudemir pereira

'Carnificina' que não poupa nem mesmo companheiros de partido

Colunista fala sobre as eleições municipais

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Foto: assessoria CVSM

Olha só o que uma candidata à Câmara de Vereadores publicou, em seu perfil nas redes sociais, no início desta semana:

" - Queremos avisar algumas práticas imorais e criminosas que alguns vereadores que já estão no poder há vários anos e ou mandatos com medo de perderem suas regalias, mandam seus cabos eleitorais para fazerem campanhas nas ruas e casas, mostrando fake news em seus celulares e/ou tablet, denegrindo a imagem e/ou conduta de novos candidatos..."

Agora, o lembrete de um já parlamentar (sem relação com a concorrente acima): 

" - Candidato ou candidata que não tem ética e respeito durante a campanha, também não terá durante o mandato: fiquem atentos".

E também tem esse texto, no perfil no Facebook de um novato na disputa eleitoral: 

" - Não são apenas candidatos homens e da direita que jogam sujo. Tem candidata chutando canelas, dando cotoveladas e "fazendo amigos e amigas" a mil por Santa Maria. Talvez seja imatura. Talvez. (Em tempo: sucesso a qualquer preço eu não quero)".

Por fim, uma última declaração. Esta, aliás, em comentário feito por correligionário do concorrente acima e na própria postagem do dito cujo:

" - O pior de tudo é a conivência ou indiferença do establishment, que naturaliza a selvageria como regra do jogo e como forma de manter seus espaços, mais interessado na eleição do que na política."

Agora, considerações claudemirianas, com base justamente nos quatro esclarecedores depoimentos que o leitor viu aqui reproduzidos. 

1) Talvez fosse o caso, e há quem assim pense, de dizer que o tipo de procedimento denunciado (e o último deles, por dois candidatos de um mesmo partido) ocorra porque há um excesso de concorrentes. Algo muito perto de 350, quase o dobro dos 214 de quatro anos atrás. Convenhamos, quem faz isso (e o nível da indignação aponta que sim) não teria pejo e procederia da mesma forma, independente da quantidade de rivais. 

2) Se for considerado que os dois relatos finais apontam para companheiros de mesma agremiação (e não é a única em que isso acontece) há que se pensar, urgentemente, em buscar alternativas capazes de fomentar a disputa interna, sim, porque salutar, mas antes da campanha, e não em seu (dela) decorrer.

Aí, só tem uma saída: o voto em lista pré-determinada, que faria com que a disputa interna se desse antes. Mas, claro, essa é ideia com poucos adeptos em Santa Maria. Na verdade, o colunista só conhece dois, ele próprio e o médico e veterano político Eduardo Rolim.

3) Para finalizar, não é preciso ser muito esperto, ou inteligente, ou mero observador, para perceber que essa verdadeira carnificina, que não poupa sequer companheiros de uma mesma agremiação (que dirá rivais de outra sigla) tende a piorar, quanto mais perto chegar da hora fatal da eleição.

De moças embandeiradas a caminhadas com pouca presença, os riscos sanitários são reais 

Manhã de 15 de outubro, quinta-feira, 9h. Ali, onde a Rua José Bonifácio encosta na General Neto. Duas moças papeiam calmamente, enquanto caminham na direção da antiga Estação Rodoviária. Ambas com bandeiras de um candidato a vereador. E usando máscara. 

No mesmo dia, coisa de 10 minutos antes, postada numa das laterais da Praça Roque Gonzales, uma senhora, também devidamente protegida facialmente, sustenta indolentemente uma bandeira de candidato a prefeito.

Das duas situações acima, o escriba foi testemunha. Outras tantas já são possíveis ver na propaganda na televisão (e imaginadas no rádio). O trololó eletrônico começa a tentar impor a ideia campanha eleitoral normal à população.

Essa percepção, no entanto, se existe, é falsa. É possível argumentar que o bate-pernas das moças e da senhora, todas embandeiradas, seguem as regras sanitárias. Mas, e as pessoas com as quais elas acabam por interagir, nas ruas santa-marienses, estão na mesma condição?

De outra parte, nas cenas (em que as máscaras não são esquecidas, para evitar, como ocorreu dia destes com um dirigente negacionista "entusiasmado", ser "massacrado" nas redes sociais) mostradas, salvo carreatas (ou mesmo nessas), é muito pouca gente a participar.

Aliás, as fotos divulgadas nos meios impressos ou digitais confirmam isso. Até mesmo as caminhadas, outrora repletas de militantes (profissionais ou não), se restringiram.

No entanto, é bom ficar atento para algo que não se modifica: com o correr da campanha, e a preocupação nervosa da disputa, a tendência é o afrouxamento dos modos. O que significa a possibilidade real de candidatos ou assessores próximos serem atingidos pela Covid. Não, não é uma torcida. Apenas constatação. E ponto.

O esforço de um lado e a traição (já!) do outro 

SE EXPLICANDO - Semana passada foi com o Sindicato Médico. Os candidatos a prefeito de Santa Maria foram questionados e puderam se manifestar. Depois, a vez é da Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL), que sabatina os concorrentes à prefeitura. A cada quarta-feira, iniciando por Jorge Pozzobom (PSDB), nesta semana, apresentam suas ideias e são inquiridos pela diretoria da entidade empresarial. 

O esforço dos concorrentes em mostrar suas propostas terá palco, também, no Espaço Contábil, que reúne as entidades representativas do setor. O primeiro a papear com os contadores é Evandro Behr (Cidadania), na terça-feira, dia 20. Os encontros encerram em 5 de novembro, com Marcelo Bisogno (PDT).

ENQUANTO ISSO... - Não que seja algo inédito; longe disso. Candidatos a vereador mais interessados na própria sobrevivência política (quando não meramente laboral) abandonam os candidatos a prefeito para tratar de si mesmos. Isso quando não pegam carona em concorrentes adversários. 

A versão branda, que incrivelmente já começa a vigorar, é a de deixar no bolso o "santinho" com o nome do candidato a prefeito. A tática: "não precisa votar no fulano, do meu partido, se não for tua vontade. O importante é a Câmara".

Mais perto do pleito, com pesquisas que indicam derrota, o bandeamento implícito para os adversários já é mais aberto: "olha, você tem razão, o sicrano é o melhor e votar nele é bom. Mas para a Câmara, não esqueça..."

Agora, cuidado: o eleitor não é bobo, ao contrário do imaginado. Sim, o traído pode ser você.

LUNETA 

SEDUFSM 

Grupo de oposição se articula para participar do pleito que renovará a diretoria da Seção Sindical dos Docentes da UFSM (Sedufsm). Seus integrantes, ao que foi possível confirmar, têm viés de esquerda mas não fecham, claro, com os atuais dirigentes da entidade. O pleito não tem data e forma definidos, mas tende a ser ainda em novembro e "telepresencial". Esse método, porém, pelas reações, longe está de ser pacífico.

"AMIGOS" 

Pelo menos dois casos de claro desvio aconteceram há poucos dias em perfis de organizações públicas nas redes sociais. Para beneficiar amigos, os responsáveis agiram tangenciando a (i)legalidade. Além da multa a ser paga por quem descumpriu a lei eleitoral, no limite, meeesmo, podem até colocar em risco as candidaturas que estão a chancelar nesses espaços que não tem nada de privados.

NA SERRA 

Itaara, cada vez mais, tem ex-santa-marienses entre os habitantes fixos. Mais que nunca, por sinal, eles começam a se envolver com a política local. Não se fala, aqui, de candidatos, mas de militantes, mesmo. Em 2020, por exemplo, dois oriundi começam a se destacar - basta conferir as redes sociais. São os publicitários Mara Kunzler e Rogério Lobato. Ambos, diga-se, engajadíssimos.

E O PARTIDO? 

Foto: divulgação

O deputado Luciano Zucco, claramente, está se lixando para a posição local, quiça estadual, do PSL, o partido abandonado (mas nem tanto) por Jair Bolsonaro. Afinal, a sigla, aqui, não só apoia, como tem o candidato a vice, Rodrigo Decimo, na chapa liderada por Jorge Pozzobom, do PSDB. No entanto, Zucco não dá a mínima e faz campanha aberta para Sérgio Cechin, do PP. Partido? Pfff... 

PARA FECHAR 

Alguém poderá dizer, não sem razão, que o trololó eletrônico, passada uma semana, está muito sem graça. Isso do ponto de vista técnico. Vale, também, para as inserções, única chance de campanha para os mais de 300 candidatos a vereador. Tudo, porém, pode e vai melhorar. Já não há a mesma convicção sobre o conteúdo. Aí, o que se vê, sem exceção, são vendedores de ilusões. E ponto.


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