claudemir pereira

A revoada de forasteiros e os sinais para 2022

Colunista relembra os apoios aos candidatos locais e as tendências para 2022


Em meio à campanha eleitoral recém-encerrada, o colunista chamava (e pedia) a atenção dos (e)leitores para a movimentação de deputados estaduais e federais presentes em Santa Maria, para apoiar candidatos majoritários.

Vários deles vieram. Do PDT, por exemplo, os federais Afonso Motta e Pompeo de Mattos apareceram para apoiar Marcelo Bisogno. Do PSDB, o estadual Mateus Wesp (relator do projeto de orçamento estadual para 2021) esteve na cidade pelo menos duas vezes para prestigiar Jorge Pozzobom. Do MDB, entre outros, compareceu, antes de ser acometido pela Covid, Osmar Terra.

O PSL também deu sua cota. O partido outrora de Jair Bolsonaro (há quem aposte no retorno, inclusive) se dividiu completamente em Santa Maria. De maneira que o mais notório entre os pesselistas visitantes esteve o Tenente Coronel Zucco, para apoiar justamente o adversário local de seu partido, a dobradinha Sergio Cechin/Francisco Harrisson.

Também deu as caras na Boca do Monte, ainda que com menos vigor, e também para chancelar não Rodrigo Decimo (igualmente do PSL, e que concorreu a vice de Jorge Pozzobom), mas a aliança PP/MDB, o deputado federal Sanderson.

Já no PP, mais que qualquer outra sigla, verdadeira coleção de parlamentares deu as caras com assiduidade na boca do monte. Mais de uma (alguns até três ou quatro) vez aqui estiveram, entre outros, os estaduais Frederico Antunes e Ernani Polo e os federais Covatti Filho (secretário estadual de Saúde), Afonso Hamm e Jerônimo Goergen.

Claro que é possível, e até provável, que todos os forasteiros que por aqui passaram tenham apenas exercido a saudável prática de apoiar companheiros de partido onde quer que ele estejam. No entanto, a história conta também algo diferente. Aí está o embrião de uma postura que é forte há, no mínimo, duas eleições gerais: os partidos esquecem de apontar nomes locais expressivos para concorrer aos parlamentos estadual e federal, optando justamente por forasteiros como todos os citados acima e mais alguns, que por cá passam nas campanhas eleitorais municipais.

É legítimo. Ninguém desconhece. No entanto, como efeito direto dessa atitude que se repete a cada eleição. Não demora nem um ano para a comunidade perceber com maior clareza esse comportamento. Os maiores partidos de Santa Maria, com a exceção do PT, dentre os grandes, simplesmente se dividirão em apoios entregues com denodo para forasteiros - inclusive alguns que sequer vieram para a campanha deste ano, mas têm seus representantes na comuna.

Feita a constatação, a pergunta: como pedir voto para santa-marienses, se os partidos se entregam, se reduzem e não se apresentam à disputa?

PS. Saudosistas (como a maioria dos que assim pensam) ainda lembram do fim dos anos 1970/meados dos 1980, quando a cidade chegou a ter três deputados federais e meia dúzia de estaduais. Hoje? Irrepetível, simplesmente.

No PP santa-mariense, baixa a caminho

Não há dúvida: o PP e o MDB são os maiores perdedores, tomando a eleição em segundo turno como parâmetro. Seus militantes calaram-se nas redes sociais, contrastando com o entusiasmo dos dias que antecederam o pleito. Os dirigentes se encontram, mas ainda em pequenos grupos, duplas ou trios, para, por, enquanto apenas trocar parcas ideias.

O mesmo acontece, claro, nas agremiações que aderiram no segundo turno. E algum efeito haverá, mais adiante. Mas é nos maiores que a coisa pega. Em ambos, a hora é de lamber as feridas.

Para além do estado de ânimo, porém, já há consequências. E elas chegam a galope. Uma chegou ao conhecimento do escriba no meio desta semana. Um grupo do PP, especialmente ligado ao vereador Vanderlei Araújo (foto), já pensa concretamente em deixar a agremiação.

O time do edil, derrotado nas urnas, estava descontente com as ações dos históricos do partido no primeiro turno e, como disse uma fonte confiável (que prefere, por ora, manter-se anônima), também com os rumos adotados no turno final - "fomos escanteados", lamentou um ainda pepista.

A situação é tão séria que já estudam "propostas recebidas para trocar de sigla". O escriba apurou que um dos que abriu as portas é o DEM. Que tem boas chances, afinal, como realçou um dos integrantes do grupo em vias de se mandar, a opção será "pelo espectro de centro-direita".

Fantinel será mesmo deputado estadual e Schirmer está apto a tentar voos mais altos, de novo

  





O MDB santa-mariense ainda trata das feridas abertas com a derrota eleitoral do último domingo. Pela segunda eleição seguida, a sigla abdica de protagonismo para coadjuvar nome de outra agremiação.

Há quatro anos, Magali Marques da Rocha foi vice de Fabiano Pereira, do PSB. Agora, com Francisco Harrisson, secundou Sergio Cechin, do PP. Duas refregas bastante significativas para o partido que, afinal de contas, antes de Jorge Pozzobom, governou a cidade por oito anos, com Cezar Schirmer.

Em meio a isso tudo, situações surgidas após o pleito arrancam sorrisos de significativo (mas não total, dadas as divergências internas) contingente emedebista, faceiro com dois efeitos colaterais às eleições.

O primeiro, e mais objetivo, é a chegada ao Palácio Farroupilha, depois de obter a quarta suplência nas urnas de 2018, não obstante os significativos quase 30 mil votos, do ex-presidente estadual da Juventude do MDB, Roberto Fantinel.

Há um outro, porém, menos evidente, pois o personagem saiu daqui para seguir na política em Porto Alegre. Mas é também bastante significativo, de vez que, se Cezar Schirmer deixou o MDB santa-mariense, este não deixou Schirmer.

Pois, após ter obtido a maior votação entre os vereadores eleitos pelo MDB da capital, o ex-prefeito da Boca do Monte coordenará a transição porto-alegrense, do tucano Marchezan Júnior, para o emedebista Sebastião Melo. É a porta de entrada ao secretariado na Capital, obviamente em função política, e plataforma de lançamento de candidatura ali adiante. A deputado? A senador? A governador? Pooois é.

LUNETA

DERROTADOS

Parte dos derrotados em 15 de novembro e, especialmente, no turno final do dia 29, já envia sinais de conciliação pós-eleitoral. O endereço é o Centro Administrativo Municipal. Que, por enquanto, pelo que foi possível apurar, apenas observa. Aparentemente, embora em política a prudência recomenda nada descartar, só não há acordo possível, neste momento, com PP e MDB. Atenção: neeeste momento.

MENOS 18,5% 

Há justa preocupação na UFSM por conta da redução orçamentária dos recursos destinados à instituição. Hoje, são R$ 135 milhões/ano. Para 2021, a previsão é um corte de 18,5%, ou R$ 25 milhões. Mas, atenção, esse valor, aliás significativo, é relativo ao custeio. O orçamento total da universidade passa bem do R$ 1 bilhão e inclui, entre outras despesas, o pagamento de pessoal.

ESQUERDA 

Pelo menos uma reunião já aconteceu entre os vereadores eleitos pelo lado canhoto, na Câmara de Vereadores. Foi no meio desta semana, e contou com a presença do comunista do B Werner Rempel e dos petistas Marina Calegaro, Ricardo Blattes e Valdir Oliveira. Como apurou o escriba, a ideia é, sem amarras, estabelecer uma oposição "construtiva, responsável, mas firme" ao governo reeleito de Jorge Pozzobom.

RITA PY 

Está definido. Talvez em "abril ou maio, mas certamente já no primeiro semestre", o edil eleito Werner Rempel, do PCdoB, se licenciará por 30 dias. Com o que assumirá, a primeira suplente, Maria Rita Py Dutra. Ela foi a sétima candidata mais votada no pleito de 15 de novembro, mas não logrou eleger-se. A decisão é de Rempel e do partido, e deverá ser corriqueira ao longo do mandato do parlamentar.

PARA FECHAR! 

Até o momento não houve contato maior entre os 21 vereadores eleitos (e reeleitos e retornados) que assumem em 1º de janeiro. O que significa, obviamente, inexistir ainda conversa ampla acerca da próxima Mesa Diretora do Legislativo. Mas, que ninguém duvide, grupos tratam do tema nos bastidores e, por ora, não há sinal algum de um possível acordo a unir todos os futuros edis.


fale conosco

redação
[email protected]
(55) 3213-7100
(55) 99136-2472
(WhatsApp)
Endereço
Faixa Nova de Camobi, 4.975, Bairro Camobi, CEP 97105-030, Santa Maria - RS

redes sociais
facebook
instagram
twitter
youtube

 


para assinar
(55) 3213-7272
diariosm.com.br/assinaturas

central do assinante
(55) 3213-7272
(55) 99139-5223
(WhatsApp, apenas falhas de entrega)
[email protected]
[email protected]
chat

para anunciar
(55) 3213-7187
(55) 3213-7190