claudemir pereira

A força feminina e o que ela pode representar no pleito de novembro

Colunista Claudemir Pereira fala sobre a representatividade na Casa do Povo

Claudemir Pereira
Foto: Foto: Allysson Marafiga (CVSM/Divulgação)

Foto: Allysson Marafiga (CVSM/Divulgação)

Das 21 cadeiras da Câmara de Vereadores de Santa Maria, cinco são ocupadas por mulheres. Pouco mais de 25% do total. Celita da Silva, Cida Brizola, Deili Silva, Luci Duartes e Marta Zanella foram ungidas pelo voto popular e lá estão. Delas, apenas Marta não concorre. Aliás, está fora de disputa de qualquer cargo, neste ano.

A propósito, a mesma edil, e também Deili, são as únicas oriundas da legislatura anterior (2013/2016), que teve quatro mulheres no plenário. As outras duas, Anita Costa Beber e Sandra Rebelato.

Voltando só um pouquinho mais no tempo, e ressalvando que o período 2009/2012 teve apenas 14 vereadores, eram três as mulheres a ocupar cadeira no Legislativo. Além de Sandra, também Helen Cabral e a falecida Maria de Lourdes Castro compunham a "bancada feminina" no parlamento.

Por sinal, e para ter um espectro mais amplo, é o mesmo número de vereadoras eleitas na legislatura imediatamente anterior, a de 2005/2009. Então, ocupavam cadeiras no Palacete da Vale Machado a mesma Anita Costa Beber, também Magali Marques da Rocha e Misiara Oliveira.

Essa digressão histórica, mais que para marcar (o que já seria importante) a presença de mulheres representativas no Legislativo, serve para dizer que, nos quatro períodos mais recentes, há acréscimo gradativo da representação feminina, em números absolutos. E que não é demasiado acreditar que, na pior das hipóteses, seja possível manter numericamente a representação atual.

O Diário tem publicado, tanto aqui quanto na versão online, a relação dos candidatos a vereador. Este escriba estima (até este sábado, com o fim do prazo para o registro oficial, se saberá o número exato) algo como 400 concorrentes, pouco mais, pouco menos, ao Legislativo. Deste total, por força legal, 30% são mulheres. Assim, nada menos que 120 representantes femininas estarão com suas fotos e números na urna eletrônica.

Como a página já registrou, tempos atrás, é facilmente perceptível que os partidos, não obstante as dificuldades por todos apontadas, capricharam bastante. E a participação feminina, além de maior, trouxe para a disputa muitas figuras importantes em Santa Maria. Por serem conhecidas, claro. Mas também pelo currículo onde o trabalho e a participação comunitária são evidentes.

Vai daí que não é nenhum exagero imaginar a possibilidade de, enfim, e sem prejuízo aos que fazem (e talvez sejam reconhecidos e de novo referendados) uma boa intermediação entre o cidadão e o parlamento, a representatividade feminina alcance patamares mais próximos do que ela é, numericamente, na sociedade.

Acima você leu nomes de mais de uma dezena de mulheres que ocupam e ocuparam o espaço legítimo para a defesa dos interesses da comunidade. Cabe ao eleitor definir quem e quantas irão estar nesse lugar em 2021. Não faltam opções, com certeza.

Eles já foram e querem retornar. E há dois ainda do século passado
Um punhado de ex-vereadores se coloca de novo à disposição do eleitorado santa-mariense. São militantes em essência. Alguns mais jovens, outros nem tanto. O escriba fez uma pesquisa nas listagens já conhecidas e encontrou pelo menos nove ex-parlamentares que vão às urnas outra vez.

Pelo menos dois deles, por sinal, são suplentes na atual legislatura, mas assumiram por um bom tempo e foram titulares em anteriores. São os casos de João Kaus, que deixou o MDB para concorrer pelo PSDB, e Cezar Gehm, que permanece no MDB. Ambos lutam, de novo, para assumir como "donos" do mandato, cada qual sem precisar de prefeito para virar vereador, pelo período que for.

Outros dois são veteraníssimos, edis nos 1900's e que buscam novo mandato, agora, já no limiar da década de 20 do novo século. Estão em categoria especial. Um, nunca mudou de partido, Jaime Homrich, do MDB, do qual foi inclusive presidente de honra. Outro, dirigente de um punhado de organizações populares, inclusive ligas e clubes sociais e esportivos, é Luiz Carlos Druzian, que sempre transitou por partidos do lado destro da política, e que agora concorre pelo PL. São, Homrich e Druzian, os decanos entre os (re)candidatos em novembro.

A seguir, você confere os nove nomes de concorrentes encontrados e a última (há os que foram em mais de uma) legislatura das quais foram titulares e o partido pelo qual concorrem.

  • Legislatura 2013/2016 - Anita Costa Beber (PP), Cezar Gehm (MDB), João Kaus (PSDB) e Werner Rempel (PCdoB),
  • Legislatura 2009/2012 - Helen Cabral (PT) e Tubias Calil (MDB)
  • Legislatura 2001/2004 - Paulo Sidinei Schimidt (PSDB)
  • Legislatura 1997/2000 - Luiz Carlos Druzian (PL)
  • Legislatura 1993/1996 - Jaime Homrich (MDB)

Só não são peças de ficção porque...
Ao mesmo tempo em que registram suas candidaturas, os concorrentes (e os vices) à prefeitura têm a obrigação de incluir, também, um documento chamado "plano de governo". 

Lendo três das propostas apresentadas à Justiça Eleitoral, não obstante a seriedade dos candidatos, a verdade é que, mesmo com discussões internas (sim, há partidos que fazem isso), o que se percebe são somente cartas de intenção. Quase um cumprimento de carnê, na linguagem esportiva.

Mas há, também, a par dessa circunstância, muito de fantasia nas redações entregues, não importa o tamanho do documento. Sim, há desde as 97 laudas de uma proposta, dividida num punhadão de capítulos, até uma com apenas nove páginas que incluem preceitos de outros documentos como norte para o tal programa.

Já um outro pretendente ao principal cargo do Executivo municipal alinha mais de uma centena de itens (chamados propostas), a maior parte tendo como receptores os "mais pobres da cidade".

Seria, quem sabe, um exagero claudemiriano chamar de peças de ficção o que os candidatos estão registrando junto com seu nome, endereço, qualificação e outros itens obrigatórios na papelada protocolada na Justiça Eleitoral.

Inclusive por que, e isso sim é bastante grave, justamente não se trata de ficção, senão de que é a manifestação do desejo de gerir uma cidade e sua gente. Enfim, trata-se de documento que precisaria ser levado mais a sério. E ponto.

LUNETA

VEEMENTE! 
Giuseppe Riesgo não é o único deputado estadual gaúcho a se manifestar contrário à Reforma Tributária. Aliás, eles são a maioria bem consolidada, a ponto de o governador Eduardo Leite ter resolvido retirar sua proposta para remetê-la às calendas. Que, no entanto, se faça justiça: por aqui, pelo centro gaúcho, não houve contrariedade tão veemente quanto a do parlamentar do Novo. 

NA REGIÃO 
Itaara, a comuna do alto da serra, terá mesmo quatro candidatos a prefeito e 53 pretendentes às nove vagas disponíveis na Câmara. Os desafiantes à prefeitura são Rony Carnieletto (PP), Silvano Santini (PSL) e Sílvio Weber (PSB). Curiosa é a ecumênica aliança que apoia o atual prefeito, Cléo Vieira do Carmo, do MDB. Ele terá ao seu lado, veja só, DEM, PSDB e PT. Algo a dizer? 

MÁSCARAS!!! 
Marqueteiros e aprendizes de, todos queimam o bestunto buscando alternativas para tornar conhecidos os candidatos e suas propostas. O drama, claro, é maior sobre os pretendentes ao Legislativo municipal. E deles também surgem ideias que, simplesmente, são vetadas pela legislação. Exemplo recente: a confecção de máscaras anticovid, para oferecer ao eleitorado. Sim, é considerado brinde. E, portanto, vetadas. 

DE VOLTA 
Ausente até aqui, o que mereceu registro da coluna, o cineasta Luiz Alberto Cassol (foto) foi, de novo, procurado pelo comando dos petistas santa-marienses e vai, como faz desde o início do século, participar da campanha eletrônica (televisão sobretudo) do partido. Atuará remotamente, de Porto Alegre, por conta da pandemia. Sua colaboração será na direção e roteiros dos programas de TV. 

PARA FECHAR 
Até o momento em que esta página era fechada, foram positivados para a covid, na Câmara, o edil Admar Pozzobom (PSDB) e o procurador jurídico Lucas Saccol. Houve, ainda, a contaminação de pelo menos quatro servidores do legislativo. Diante disso, é chover no molhado, mas ainda vale a pergunta: por que, raios, os parlamentares, além de sequer cogitar sessões online, ainda pretendem reabrir a Casa aos cidadãos comuns. 


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