opinião

Únicos: os petistas Valdeci Oliveira e Paulo Pimenta e o novista Giuseppe Riesgo, eleitos. E os outros partidos?

Colunista também fala sobre o PDT ter se tornado oposição no Legislativo municipal


O vereador Admar Pozzobom, no último final de semana, declarou ao colega Deni Zolin: "o povo vota nos forasteiros, mas daí, na hora de brigar pela cidade, perdemos forças. Temos de conscientizar os eleitores da importância de termos mais representantes da nossa cidade". 

As palavras são bonitas. Este escriba as têm, historicamente, repetido e até buscado auxiliar (nessa história de conscientização). Agora, de nada adianta o discurso se, na prática, os partidos se entregam aos candidatos visitantes ocasionais, deixando de lado a possibilidade de, mesmo eventualmente perdendo, criar novas lideranças.

Aliás, talvez o edil tucano devesse olhar para o próprio umbigo político, em vez de chorar o leite derramado. Afinal, em 2018, o PSDB esteve entre os que não lançaram candidato a deputado federal. E jogou às feras, sem apoio significativo, seu edil João Chaves, para disputar vaga na Assembleia Legislativa.

Que se diga: o descuido, para ser brando, com os locais não é privilégio tucano. Também o PP e o PDT se renderam aos devezenquandários e ajudaram a eleger os Covatti, Westphalen, Pompeo e Motta. O próprio MDB, que fez de Francisco Harrisson candidato à Câmara dos Deputados, teve sua militância graúda, salvo raras exceções, envolvida nas pretensões dos Terra, Perondi, Biolchi e Feltes.

Enfim, solidarizar-se com o dito por Admar Pozzobom é normal, aceitável e deveria receber apoio unânime dos interessados no desenvolvimento de Santa Maria. Mas, diante dos fatos aqui expostos e da convicção de que pouco poderá mudar dentro de três anos, dizer o quê?

Em tempo. Apenas para refrescar a memória, segue a relação, em ordem alfabética, dos candidatos santa-marienses em 2018, dos quais três foram eleitos:

Câmara dos Deputados: Dieisson Calvano (PSD), Francisco Harrisson (MDB), Leonardo Klein (Novo), Manoel Badke - Maneco (DEM), Nathalia Ávila (Novo), Oséas Costa (PRB), Paulo Pimenta (PT), Tatiane Marques (PSL), Tiago Aires (PC do B) e Werner Rempel (PPL).

Assembleia Legislativa: Adão Lemos (Podemos), Alice Carvalho (PSol), Eloi Garay (PSL), Fabiano Pereira (PSB), Giuseppe Riesgo (Novo), Jacques Eskenazi (Novo), Jader Maretoli (PRB), João Chaves (PSDB), João Kaus (MDB), Jorge Trindade - Jorjão (Rede), Luciano Villa (PV), Luci Duartes - Tia da Moto (PDT), Luiz Carlos Fort (PR), Marion Mortari (PSD), Moacir Alves (PROS), Valdeci Oliveira (PT) e Vinicius Brasil (PSOL).

O estrago do MDB no Progressistas 
Candidato? A disposição de Francisco Harrisson precipitou a crise no principal parceiro tucano no governo. 

Muitos, nos bastidores, nada dão pelas pretensões do PP de bancar candidatura própria. Mesmo com a decisão estadual nesse sentido, tudo esbarra na falta de vontade de Sérgio Cechin de concorrer e de outro nome (Cida Brizola?) se apresentar. Imaginava-se que, na hora decisiva, o partido acabaria por manter a aliança com Jorge Pozzobom.

A novidade, então, inclusive com direito à retirada estratégica (30 dias, para ver como as coisas correm) do presidente Mauro Bakof, é a precipitação do problema. E o que está a causar o reboliço? A antecipação da saída do MDB do governo.

A sigla, enfim, parece se encaminhar mesmo para a candidatura própria, com Francisco Harrisson, o atual secretário de Saúde, como o nome a ser apresentado à sucessão de Jorge Pozzobom.

Diante disso, o PP foi chamado às falas. E atendeu ao chamado. Uma exceção foi seu presidente, que, incomodado, provisoriamente se mandou.

Resumo da ópera: de forma involuntária ou não, o MDB, com seu "fator Harrisson", por muitos inesperado, está a causar terremoto no principal parceiro do PSDB no consórcio governista.

Agora, sim, o PDT mandou e Luci é oposição 
A vereadora Luci Duartes, do PDT, ao longo dos seus três primeiros anos de mandato, sempre procurou deixar claro o que seria seu mantra: "não sou governo, nem oposição". Na prática, porém, foram raríssimos os momentos em que não se alinhou com o Centro Administrativo Municipal. Para ficar num exemplo graúdo, sempre esteve do lado governista na hora da escolha da Mesa Diretora. 

Agora, porém, a situação mudou. Ainda que possa manter o dito, o fato é que o partido resolveu assumir oficialmente a condição de oposição à administração Pozzobom/Cechin. E ela acolheu a determinação, com direito a foto na capital, junto a lideranças estaduais e nacionais.

O que isso significará objetivamente para o governo? Talvez não muito. Mas o outro lado comemora. Bem entendido que a oposição parlamentar. Resta ver como será o comportamento de todos a partir de meados de 2020, quando a campanha eleitoral iniciar e cada um, no Legislativo inclusive, terá seu próprio lado que cuidar.

LUNETA 
E OS OUTROS? 
Presidente do PDT e pré-candidato a prefeito, Marcelo Bisogno garante que a Frente Trabalhista, que inclui e até já tem grupo de trabalho, o PTB, não exclui outras siglas com as quais estão papeando. Nesse caso estão, entre outros, PC do B, PSB e Cidadania. Todos, diz Bisogno, "querem uma proposta simples, mas objetiva, que façam as pessoas serem o propulsor da transformação e das mudanças". Então, tá. 

COMUNISTAS 
Comunistas do B de Santa Maria realizam neste sábado, a partir das 13h30min, na Câmara, o primeiro encontro do seu Curso de Formação - visando aos próximos jogos político-eleitorais. Quem ministra é Diorge Konrad, professor de História na UFSM, militante e dirigente da agremiação. Ele também é integrante da Escola Nacional batizada João Amazonas - nome de um histórico militante comunista. 

COLATERAL 
A saída do secretariado de Jorge Pozzobom dos emedebistas Marta Zanela e Francisco Harrisson, com o retorno de ambos à Câmara, provoca vários efeitos colaterais. Afora a, se supõe, inevitável saída de CCs hoje na prefeitura, também mandam para casa, quatro meses antes do imaginado, dois suplentes de vereador da agremiação, João Kaus e Cezar Gehm. Este último, por sinal, líder do governo no Legislativo. 

MAIS CARGOS 
Em compensação, com a saída dos emedebistas, a ser confirmada, e o fortalecimento do PP (noves fora a posição contrária de alguns dirigentes) no governo, parece claro que serão militantes pepistas que ocuparão as vagas. E há várias de bom quilate, além das próprias secretarias, claro. E também facilita a colocação dos que poderão perder seus cargos na Câmara, com a eventual eleição de uma Mesa oposicionista. 

PARA FECHAR! 
Com a movimentação dos graúdos partidos da política local, verificada nos últimos dias do ano, os pequenos, que não terão condições de bancar candidatura própria, se concentrarão no pleito para a Câmara e apoiarão os demais na majoritária, estão na fase da "encolha". Querem ver como ficam PSDB, PT, MDB, PP e PDT - hoje os grandes protagonistas. Hoooje!


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