colunista do impresso

Viramos apenas números?

Apesar da boa vontade e da qualificação, alguns gestores jovens pecam pela arrogância e pela prepotência

A cada dia, aumenta a sensação que o "correto" é agir sozinho para alcançar a "glória pessoal e profissional". Não interessa quem esteja ao nosso lado. "Eu me dando bem, o outro que se dane". Tudo isso é muito triste e preocupante. Dá a impressão que viramos apenas números nas tabelas de indicadores de instituições e empresas, independente do ramo de atuação. Em alguns momentos, as pessoas até revelam o que têm de pior para alcançar o poder. E isso, lamentavelmente, já pode ser visto no começo da caminhada.

Apesar da boa vontade e da qualificação, alguns gestores jovens pecam pela arrogância e prepotência. Pregam o trabalho coletivo, mas tomam decisões individuais, algumas até autoritárias. Falta-lhes, na maioria das vezes, o bom senso e o equilíbrio. Apesar de terem dois ouvidos, adotam a surdez como atitude. Poucos são seletivos, ouvem e aceitam, efetivamente, propostas apresentadas por seus colaboradores. Na realidade, muitos ainda tratam seus colegas como meros subordinados. Em alguns casos, a máxima vigora: "Manda quem pode, obedece quem tem juízo".

Adoram derrubar paredes, trocar a pintura, modificar ambientes, enfim, maquiar uma realidade posta e com história nas instituições onde atuam e nos setores que passam a dirigir. A falha mais grave dos gestores jovens, porém, é tentar romper com o passado, ignorar o que foi feito por aqueles que chegaram antes, muito antes, colocar defeito em tudo, na estrutura e, principalmente, no trabalho das e nas pessoas. Determinadas lideranças novas menosprezam até a inteligência das pessoas. Agem como pescadores de ideias e fazem pose de bons moços e boas moças. Consideram que as suas criações são perfeitas. Eles fazem tudo certo, os outros, tudo errado.

Absurdamente, acreditam que o mundo naquele setor começou no momento em que tomaram posse de seus cargos. Trata-se de um grande equívoco. Numa época em que o estudo das relações humanas avança e ganha protagonismo para o êxito das instituições, as ações precisam superar as palavras.

A professora-doutora Janine Kieling Monteiro, da Unisinos, destaca que as relações humanas ocorrem em decorrência do processo de interação. Ela destaca que, em situações de trabalho, compartilhadas por duas ou mais pessoas, há atividades a serem executadas, bem como interações e sentimentos recomendados: comunicação, cooperação, respeito e amizade.

Competência interpessoal é a habilidade de lidar eficazmente com outras pessoas, de forma adequada às necessidades de cada uma e à exigência da situação (Moscovici, 1997). Para Janine, isso envolve desenvolver autopercepção e autoconhecimento, flexibilidade perceptiva e comportamental, e feedback.

Para superar as dificuldades de feedback entre as partes envolvidas, a professora Janine recomenda: estabelecer uma relação de confiança, reconhecer que o feedback é um processo de exame conjunto, e aprender a ouvir e a dar feedback sem reações ou conotações emocionais intensas. Acrescento a isso a expressão bom senso, que é a capacidade de fazer escolhas sensatas e inteligentes com cautela e equilíbrio. Afinal, ter juízo é ter bom senso.

Acredito que uma liderança, principalmente jovem, conquista seus colaboradores pela honestidade, trabalho, humildade, determinação e respeito, nunca pela mera imposição do cargo. O tempo ensina e traz experiência. Ou não.


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