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opinião

Todo dia!

01 Fevereiro 2018 13:54:00

Sobrevivemos, mas não superamos. Precisamos lembrar para que não se repita, nunca, em lugar nenhum



Eu gosto de ler. Sempre gostei. Quando pego um livro, dependendo do assunto levo uma ou duas semanas até terminar, lendo algumas páginas por noite. Costume quebrado com Todo Dia a Mesma Noite, que devorei as 240 páginas num único dia. Não foi uma leitura fácil. Incontáveis vezes tive que parar, respirar, secar as lágrimas para poder continuar. Um livro impactante, emocionante e que nos mobiliza do início ao fim. 

O magnífico trabalho é da jornalista Daniela Arbex, mineira de Juiz de Fora, escritora de talento e competência reconhecidos internacionalmente, que por indicação e insistência de um amigo, vem parar aqui no meio do Rio Grande do Sul para contar esta história. E conta, com maestria, delicadeza, sentimento e respeito pela dor do outro.

Eu tinha uma missão, que recebi em dezembro, a convite da Daniela e da editora. Organizar o evento do dia 25 de janeiro, o lançamento do livro em Santa Maria. Não era um evento que eu gostaria de fazer. Também não era o livro que ela gostaria de escrever. Também não era vontade dos pais, dos profissionais de saúde e tantas outras pessoas estarem neste evento. Ninguém queria.

Foi uma noite diferente. Um livro onde os personagens estavam ali, na plateia. Eu passava por eles na escada do Theatro, na fila para conversar rapidamente com a escritora, a quem todos, sem exceção, estabeleceram um laço de amizade, um laço de afeto.

O livro fala de uma tragédia. A tragédia de todos nós. Não é deles, não é do outro. É nossa. Fala de dor, de amor, de sentimento, de perda, de solidariedade. E denuncia a nossa falência. A falência do caráter pela ganância. Escancara a impunidade, o descaso, o jeitinho, a falta de empatia, a desumanidade. Uma narrativa que se transforma num memorial contra o esquecimento. Uma leitura dolorosa, porém necessária para uma tomada de consciência coletiva.

A perda de um filho é uma tragédia para vida inteira, não se impõe o esquecimento para algo que não tem como esquecer. Lembro da minha avó, que perdeu um filho aos 20 anos e sempre dizia, todo dia era igual, todo dia era o mesmo dia. E assim já tinham passado 40 anos.

Vivi dias intensos, de muita emoção, de muitas lágrimas, de muitos abraços, de uma grande família que se conheceu, se uniu e se solidariza pela dor. Eram jornalistas, médicos, enfermeiros, pais, mães, irmãos, avós, tios, amigos e mesmo desconhecidos. Uma união para lembrar e celebrar a vida daqueles que partiram e dar força aos que ficaram.

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