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colunista do impresso

Sarah Bernhardt outra vez

01 Junho 2019 14:30:00

Cá onde estamos, em Paris, tania e eu fomos ao Petit Palais e - pasmem! - ali estava ela. Sorrindo para nós

Uma vontade danada, de repente, de (re)lembrar Sarah Bernhardt, a respeito de quem andei a escrever mais de uma vez. Aqui mesmo - por conta de Joaquim Nabuco - e no meu Paris, Quartier Saint-Germain-des-près, mencionando então uma carta que enviou-lhe Olavo Bilac por conta da morte de Adrienne Lecouvreur. Inúmeras histórias a contar, mas uma delas é demais. De verdade.

Em fevereiro de 2010, Tania e eu fomos a Manaus. Entre os passeios que fizemos, uma visita ao Teatro Amazonas, cenário de uma das cenas daquele filme maravilhoso de Werner Herzog, Fitzcarraldo, de 1982, no qual trabalharam como atores Klaus Kinski, José Lewgoy, Grande Otelo, Milton Nascimento e Claudia Cardinale!

O guia que nos acompanhava - na verdade não a mim, ao membro daquele tribunal do qual eu participava então - inesperadamente afirmou que Sarah lá esteve como atriz. Maravilhei-me então, de verdade.

Caminhamos pelo museu como se ela nos acompanhasse, contando episódios da sua vida. Desde seu nascimento, em Paris, até o dia em que se foi, daqui mesmo, 26 de março de 1923, seu corpo lá estando, no Cemitério do Père-Lachaise.

Mil pedaços de sua vida a relembrar. Tantos, tantos que nem sei por onde começar, quais referir nesta minha coluna quinzenal. Em 1879, indo à Inglaterra, conheceu o jovem Oscar Wilde, que quatro anos mais tarde escreveria, pensando nela, a peça Salomé. Depois se foi aos Estados Unidos, ao Chile, à Argentina e ao Brasil. Rodou pelo mundo, quase todo. Fez teatro em Moscou, Bucareste, Berlim, Roma, Atenas, no Egito e na Turquia. Terá sido a atriz mais famosa do século 19.

Na década de 1880, em Nova Iorque, na casa de Thomas Edison, gravou Fedra, de Racine, em um histórico cilindro sonoro.

Em 1905, no Brasil, no então Teatro Lírico do Rio de Janeiro, ao encenar a peça La Tosca, de Victorien Sardou, machucou o joelho direito durante a cena final, ao pular de um muro. Sua perna jamais se recuperou do ferimento, até que em 1915 ela a teve amputada, o que não a impediu de continuar sua carreira e visitar trincheiras francesas na então Primeira Guerra, encenando papéis para animar as tropas.

Em 1923, fazia um filme, La Voyante, em sua casa, no Boulevard Péreire, por conta da sua saúde bem frágil. Ali, de repente, desmaiou e, poucos dias após, se foi.

Era como se em fevereiro de 2010 caminhássemos juntos pelo Teatro Amazonas. Acontece que há uns dias, descobri no site do teatro que a ida de Sarah à Amazônia jamais ocorreu! É uma lenda persistente, da qual nem mesmo aquele guia escapou. Hoje à tarde, no entanto, cá onde estamos, em Paris, Tania e eu fomos ao Petit Palais e - pasmem! - ali estava ela. Sorrindo para nós desde um quadro, de 1876, de Georges Clairin.


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