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Só há uma certeza definitiva: a morte

Na prática, uma pessoa pode afirmar que tem uma certeza, mas a informação que recebeu para formar essa ideia pode ser falsa ou errada

Quando podemos afirmar que alguma coisa ou determinado fato é certo? Com certeza, vai acontecer ou se realizar. A certeza é o conhecimento claro e seguro de algo. Quem tem uma certeza está convencido de que sabe algo sem possibilidade de se enganar. No entanto, a certeza não implica veracidade ou exatidão.

Na prática, uma pessoa pode afirmar que tem uma certeza, mas a informação que recebeu para formar essa ideia pode ser falsa ou errada. Essa pessoa pode concluir pela certeza, partindo de premissas erradas ou informações equivocadas ou, ainda, ter a convicção de certeza de alguma coisa ou fato, mas fica só na convicção. Porém, é preciso distinguir com clareza aquilo que é certo, definitivo, daquilo que é apenas uma convicção. Como definir que tal ou qual assertiva é uma certeza, ou apenas a convicção de quem expressa uma ideia ou transmite uma notícia.

As pessoas, em geral, são levadas a acreditarem no que ouvem ou leem, sem levar em consideração sequer a fonte de onde surgiu essa informação. Daí que no cotidiano somos invadidos com informações que estão longe de se transformarem em certeza. Em tempos que antecedem as próximas eleições, por exemplo, somos bombardeados com informações transmitidas como se fossem próximas de certeza. Convicções de que tal ou qual candidato será eleito, com base em pesquisas que retratam o momento em que foram captadas as opiniões, chegam a considerar como fatos certos. As premissas em que se basearam para essas afirmações podem ter nascido de informações equivocadas extemporâneas ou até trapaceadas.

Não raras vezes são lançadas informações apenas com o propósito de satisfazer uma vontade política, ou dirigir para determinada direção a vontade de quem emite a informação. Longe está da certeza aquilo que ouvimos ou lemos e isso leva a uma angústia por não se saber em quem acreditar, ou que fato atribuir como verdadeiro. Como então as pessoas decidem o que é certo e o que é errado? Aliás, o que é certo e errado mesmo?

Apesar de durante grande parte da história ocidental a filosofia ter sido a responsável por responder a essas questões, ninguém precisa ser filósofo para tomar decisões e emitir julgamentos morais no cotidiano. Quer dizer, ninguém precisa se perguntar sobre a natureza do certo e do errado para saber que trapacear é errado. Não precisamos pensar muito para concluir que veicular notícias falsas é trapaça.

O problema é que essas definições não são fáceis de distinguir para quem houve, especialmente, quando carregadas de paixões ideológicas, religiosas, etc., nos cegam e aquilo que deveria surgir como certeza, aparece como convicção, às vezes, viciada por várias razões e explicações nem sempre verdadeiras. Portanto, nesses tempos de definições sobre vários aspectos da vida nacional, tomemos cuidado para discernir o que ouvimos e lemos para não cairmos em trapaças eleitoreiras e favores clientelistas, porque, afinal, mesmo sobre o nosso futuro político e econômico, nada sabemos, ou por outra, "só sei que nada sei", como disse Sócrates para não alimentar ilusões sobre o próprio ser. A única certeza, e essa nós sabemos, é que a morte é certa, inapelavelmente.


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