colunista do impresso

Retrocessos

O que pensaria Oswaldo Cruz, cientista, observando o movimento antivacina?

Terra plana, movimento antivacina e a falta de investimentos na ciência brasileira são alguns dos assuntos que estão em pauta nos últimos dias. Se você não se inquieta com isso, é realmente preocupante! Ouvir que a "mamata acabou" porque as universidades perderam bolsas de estudo e muitas pesquisas ficarão inacabadas é perturbador.

E não estou aqui falando de direita ou esquerda. Estou comentando sobre um Brasil que já foi destaque em muitas áreas, tendo ajudado no progresso da ciência que beneficiou milhões de pessoas. Muito desse progresso foi alcançado graças a estudos científicos. Verdade que durante o período de 1964-1985 fomos prejudicados na produção de conhecimento pelo fato de termos estudiosos perseguidos, presos ou exilados. Segundo o portal "Ciência na Ditadura", 483 cientistas sofreram algum tipo de censura em seus trabalhos. Com o final desse período, nossa ciência voltou a progredir.

Calculem o susto que levariam pesquisadores brasileiros que deixaram seu legado assistindo o desmonte da nossa ciência nos dias atuais. Nise da Silveira, por exemplo, que utilizou a arte como forma de terapia ocupacional, reconhecida internacionalmente pela luta antimanicomial, ficaria chocada com o debate acerca do retorno de choques elétricos e internações compulsórias. Imaginem Carlos Chagas, biólogo, médico sanitarista, cientista e bacteriologista brasileiro que descobriu, através de pesquisas, uma doença infecciosa, o vetor, os hospedeiros, as manifestações clínicas e a epidemiologia, assistir o que acontece hoje no Brasil? O que pensaria Oswaldo Cruz, cientista, médico, bacteriologista, epidemiologista e sanitarista brasileiro observando o movimento antivacina?

A Organização Mundial de Saúde, inclusive, já aponta o movimento antivacinação como um dos dez maiores riscos à saúde global. O movimento é tão ou mais perigoso quanto os vírus que podem causar inúmeras doenças. Fico perplexa pensando o que pode levar uma pessoa a negar o sucesso de vacinas como do sarampo e poliomielite. A vacina é considerada a melhor forma de prevenção. Vacinas contra febre amarela, poliomielite, gripe, sarampo, rubéola, rotavírus, coqueluche, meningite, tuberculose e hepatites são ofertadas gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde nas Unidades Básicas de Saúde de todo o país.

O Programa Nacional de Imunizações, criado em 1971, é referência mundial e já colaborou inúmeras vezes com outros países para a erradicação de doenças imunopreveníveis. Já eliminamos a varíola em 1973, a poliomielite em 1989 e estávamos controlando bem o sarampo, tuberculose, difteria, tétano e a coqueluche. Hoje, assistimos atônitos relatos de casos de sarampo pipocando pelo país. Segundo dados do Ministério da Saúde, no ano de 2019, o Brasil já registrou 4.476 casos confirmados de sarampo até o dia 18 de setembro. Foram notificadas quatro mortes por sarampo, sendo três no Estado de São Paulo e uma em Pernambuco. Dessas mortes, três foram em crianças menores de um ano. Somente uma foi em um indivíduo com mais de 42 anos de idade. Nenhum deles era vacinado contra o sarampo.

É preciso dizer o óbvio: a falta de investimento na área da ciência e educação pode gerar retrocessos incalculáveis. Dedicar esforços nessas áreas, certamente, contribui para o crescimento econômico, social e cultural de um povo.


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