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opinião

Por que a pressa?

09 Março 2018 14:17:00

O tempo altera conceitos e modifica valores. Como disse o poeta: 'ando devagar porque já tive pressa'



Com o passar do tempo, a pressa vai dando lugar à intensidade e à significância. Mais importante que a quantidade estão o significado e o gosto deixado. O valor do beijo passa a ser o toque na alma, em vez do número de bocas beijadas. Dizem que o tempo é o senhor da sabedoria. Concordo cada dia mais com esta afirmação. A água não é apenas vital, é vida. Sujá-la, desperdiçá-la, maltratá-la, representam atentados à vida. A raiva, o rancor e a intolerância, gradualmente, ganham contornos de perdão e de compreensão. Os grãos de romã e as pequenas avelãs caramelizadas que ao olhar de alguns podem ser supérfluos, saciam tanto quanto, ou mais, que o bife de um palmo.

Os alimentos também precisam encher os olhos e estimular os sentidos. Até o sexo prazeroso pode passar a ser o simples toque de corpos, de pele. O tempo altera conceitos e modifica valores. Como disse o poeta: "ando devagar porque já tive pressa". Não porque eu esteja cansada, mas por ter aprendido a saborear, a buscar o néctar, a desejar a essência. Aprendi a apreciar o sabor verdadeiro, a me emocionar com o que me toca a alma. Não tenho pressa porque já provei de tudo um pouco. Aprendi que lágrimas também são demonstrações de alegria. Lágrima é a emoção que escorre pelos olhos quando a alma é tocada. Aprendi que a amizade vale tanto quanto um amor sincero. Representa um verdadeiro tesouro. Joias, roupas de grife, carrões não simbolizam riqueza. O verdadeiro valor está na doação pessoal, no compartilhamento, no comprometimento com a felicidade do outro e do Planeta. Felicidade está, muitas vezes, nas cores de uma flor, na chuva que umedece a terra tornando-a apta ao plantio, no vento e no mar que acariciam o rosto e os cabelos, na simplicidade do voo das borboletas, no cântico dos pássaros, na luz do sol, no brilho da lua, no sorriso e na ingenuidade das crianças, em mãos que se entrelaçam, em olhares que se cruzam e no abraço afetuoso.

Felicidade é proporcionada por atitudes e gestos simples. Felicidade é fazer ao outro aquilo que me proporciona felicidade. Felicidade é troca. É reciprocidade. Felicidade é abolir o egoísmo e desalojar o individualismo. Felicidade é se emocionar com a conquista alheia. Felicidade é solidariedade. Felicidade é sentir-se parte da natureza. É se comprometer com a sua integridade. É cultivar a sua exuberância. É plantar flores. É preservar a vida. Pra que pressa quando se tem mais passado do que futuro? Degustem, sem pressa, o trecho do belo poema de Mário de Andrade, cujo talento é infinitas vezes maior do que o meu para falar sobre o tempo.

"Sem muitas cerejas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se considera eleita antes da hora, não foge de sua mortalidade. Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade. O essencial faz a vida valer a pena. E, para mim, basta o essencial!"

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