plural

PLURAL: os textos de Marcio Felipe Medeiros e Rogério Koff

Coluna traz multiplicidade de opiniões e abre espaço ao diálogo



Café da manhã do presidente
Marcio Felipe Medeiros
Advogado e professor universitário

O presidente tem constituído uma nova rotina em suas práticas políticas, a de tomar café com integrantes do governo para discutir os andamentos do governo. No dia 5 apareceu com Rodrigo Maia e Márcio Bittar, passando nos últimos dias por Gilmar Mendes e Davi Alcolumbre. Essa prática, corriqueira nos governos anteriores, deve causar assombro com quem achava que o atual seria diferente.

As instituições democráticas estão funcionando, e a contenção dos ânimos intempestivos do governo tem ocorrido. A política, enquanto espaço da negociação, tem se mostrado forte, e os partidos do dito "Centrão" estão mostrando seu vigor, evocando diálogo, como estes cafés têm demonstrado. Nada de anormal para um governo.

NEGOCIAÇÃO EM PAUTA

O governo de Bolsonaro tem se tornado um governo igual aos outros? A resposta, aparentemente, é sim. Certamente existem peculiaridades. É um governo com um grupo significativo de ministros que colocam a ideologia acima do pragmatismo, o que não podemos perceber nos governos anteriores. Entretanto, de uma guinada autoritária em suas primeiras falas, se negando a dialogar e atacando constantemente figuras como Maia e demais políticos do Centrão, para agora estabelecer conversas a ponto de tomar café da manhã junto, demonstra uma clara alteração de postura.

A despeito da diferença de discurso, palavreado e forma de exposição pública que o atual presidente tem demonstrado, estamos vendo uma guinada institucional, que envolve orientar a política a partir de regras já estabelecidas no nosso sistema político, ou seja, a política do presidente está entrando na "normalidade institucional".

CENTRÃO COMO FIEL DA BALANÇA?

A ala dita como "fisiológica", vulgo "Centrão", o qual representa um vasto grupo de políticos sempre dispostos a negociar com o partido que está no governo em troca de privilégios políticos, têm cumprido, na atual conjuntura, o papel de mediador político, por serem indispensáveis à governabilidade. Embora o Centrão esteja atuante na preservação da ordem democrática, este exercício é secundário frente a interesses primários de angariar poder e demarcar sua força na política.

De forma inédita, o Centrão tem se mostrado de suma importância em um contexto que, há poucos meses, ataques contínuos de cunho autoritário às instituições democráticas foram feitos. Vamos aguardar qual será o resultado desta, aparentemente, nova fase. Em uma tentativa de manter políticas alinhadas à base que elegeu o atual governo, em conjunção com o alinhamento político possível a partir das negociações que estão ocorrendo junto ao Centrão, certamente veremos um novo arranjo político. Resta esperar os próximos encaminhamentos.




Os crimes do comunismo
Rogério Koff
Professor universitário

Os intelectuais de esquerda bem que se esforçam para desvincular nazismo, fascismo e comunismo, alegando que os dois primeiros são ideologias "de direita", enquanto o último representa uma alternativa para resolver os problemas do mundo. Conversa fiada. Irmãos ideológicos, nazismo, fascismo e comunismo são doutrinas totalitárias que espalharam sangue e desgraça ao longo do século XX.

A propósito, indico um livro empolgante: "O Processo de Kravchenko", escrito por Nina Berberova. Viktor Kravchenko foi um funcionário do governo da então União Soviética que fugiu de seu país e recebeu asilo político nos Estados Unidos. Em 1946, escreveu um livro chamado "Eu escolhi a Liberdade", no qual narrou as perseguições e assassinatos perpetuados pela ditadura comunista. O registro se tornou um grande sucesso e acabou traduzido para mais de vinte idiomas. A obra foi pioneira na denúncia dos gulags, que eram os campos de concentração criados pelos soviéticos para isolar os inimigos do regime comunista, onde estima-se que cinco milhões de pessoas foram assassinadas a mando de Stálin.

Mas intelectuais esquerdistas franceses vinculados ao jornal Les Lettres Françaises passaram a negar a existência dos gulags e iniciaram uma campanha difamatória contra Kravchenko. O autor foi chamado de nazista, traidor de sua pátria e acusado de ser um agente norte-americano. Indignado, Kravchenko processou os editores por difamação naquele que foi conhecido como o "Julgamento do Século", no qual o regime comunista acabou colocado no banco dos réus. Não entrarei em detalhes sobre os resultados, para que os leitores possam desfrutar da bela narrativa de Nina Beberova, outra dissidente soviética exilada na França, que acompanhou pessoalmente o julgamento realizado em 1949.

NA ILEGALIDADE

Depois da queda do Muro de Berlim e do colapso da própria URSS, partidos e símbolos comunistas foram colocados na ilegalidade em países como Hungria, Polônia, Letônia e Ucrânia. Aqueles que sofreram na própria carne as desgraças deste regime totalitário sabem que tolerar os intolerantes é uma armadilha perigosa.

Infelizmente, países democráticos como o Brasil ainda flertam com o totalitarismo. Na semana passada um desocupado que se declara stalinista e é seguido nas redes sociais por Caetano Veloso defendeu pena de morte para liberais e adversários políticos. No Rio de Janeiro, uma candidata à prefeitura pelo PSTU disse que pretende construir "um socialismo mais forte do que na Venezuela", além de prometer estatizar empresas e rever o conceito de propriedade privada.

O país do Carnaval ainda tem representantes comunistas disputando eleições. Intelectuais, professores e artistas defendem esta ideologia totalitária como alternativa viável no contexto político. Será ignorância ou má fé?


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