plural

PLURAL: duas opiniões diferentes no mesmo espaço

Leia os textos de Neila Baldi e Noemy Bastos Aramburú

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    • À espera do hit do verão
      Neila Baldi 
      Professora universitária

      Imagina que no dia D, na hora H, nenhum(a) dos(as) 206.116 eleitores(as) de Santa Maria vá votar. Este é o tamanho da tragédia brasileira, com a quantidade de mortes por Covid-19: é como se todos(as) eleitores(as) de Santa Maria tivessem desaparecido. Pior, sem o voto deles(as), a cidade fica acéfala. E esta também é a tragédia nacional: não temos ninguém coordenando o combate à pandemia.

      O Brasil começou a semana com 1 mil mortes diárias e índice de transmissão de 1,21. O vírus corre solto e traz outra problemática: a mutação. Segundo os(as) cientistas, teoricamente as vacinas conseguem atingir as novas cepas, mas podemos chegar a um grau de mutação que não mais.

      CADÊ A VACINA

      Enquanto isso, esperamos a vacina. O Brasil é campo de pesquisa de quatro vacinas, dos laboratórios AstraZeneca/Oxford, Sinovac, Janssen e Pfizer/Biotech/Fosun Pharma, mas tem acordo de produção com dois. Não temos acordo com a Pfizer nem com a Moderna, usadas em vários países. Esta semana o general da Saúde disse que as condições impostas pela Pfizer e Moderna não são vantajosas. "O que fica claro: ou nós produzimos as nossas vacinas ou nós não vamos vacinar o povo brasileiro", disse, segundo o site Poder 360. Parece que todos os demais países estão errados e só o Brasil está certo ao não fazer os acordos, né?

      Nossos acordos são com a Sinovac e a Oxford. Mas, no meio do caminho, tem uma disputa política: a eleição de 2022. Em junho de 2020, o Butantan, do governo de São Paulo, fez acordo com a Sinovac. O estado governado por João Dória - que quer ser candidato à presidência - saiu na frente e tem 6 milhões de doses prontas, aguardando liberação pela Anvisa. A Fiocruz, vinculada ao Ministério da Saúde, assinou seu acordo em julho, mas espera a chegada do ingrediente farmacêutico ativo (IFA) para o início da produção, e 2 milhões de doses importadas.

      HITS

      Domingo quero te encontrar diz o pagode dos anos 1990. É no domingo que a Anvisa espera anunciar a análise das vacinas. Neste campeonato que virou a pesquisa e a produção das vacinas - acompanhado diariamente pela população, com índices de eficácia e de análises dos dados - corremos o risco de a disputa de 2022 atrapalhar. Nos últimos dias, a Anvisa anunciou que faltam dados da Sinovac. Se, no domingo, apenas a da Oxford for liberada, não teremos vacina: a matéria-prima nem as doses emergenciais chegaram.

      Mas, como diz outra música: Pra que tanta pressa, pra que andar de pressa? A incompetência e arrogância deste governo causarão ainda quantas mortes?

      Eu, que não gosto de funk, espero poder cantar em breve: Bum tam tam. 

      Melatonina
      Noemy Bastos Aramburú
      Advogada, administradora judicial, palestrante e doutora

      Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) informaram a descoberta de que a melatonina produzida pelo pulmão impede que algumas pessoas sejam infectadas pelo sars-cov-2, e não desenvolvam sintomas, ou possuam sintomas leves. Ela atua como uma barreira contra o sars-cov-2, impedindo a expressão de genes codificadores de proteínas de células como os macrófagos residentes, presentes no nariz e nos alvéolos pulmonares, e as epiteliais, que revestem os alvéolos pulmonares e são portas de entrada do vírus.

      Desse modo, o hormônio impossibilita a infecção dessas células pelo vírus e ainda ativa o sistema imunológico, permitindo que o novo coronavírus permaneça por alguns dias no trato respiratório e fique livre para encontrar outros hospedeiros. Foi ventilado o uso da melatonina, administrada por via nasal, em gotas ou aerossol, para impedir a evolução da doença em pacientes pré-sintomáticos.

      Conhecido como hormônio do sono, a melatonina é fabricada à noite pela glândula pineal, que se localiza em nosso cérebro. Estudada há centenas de anos, a polêmica da função da glândula pineal é entendida, para uns, como órgão vital na contribuição do equilíbrio dos ciclos considerados vitais, especialmente o sono, esforços sexuais e reprodutivos. Para outros, é a porta de entrada do nosso espírito. Alguns especialistas veem na glândula pineal uma espécie de antena poderosa, que está em conexão direta com outras regiões do cérebro, como o córtex cerebral, que tem a capacidade de traduzir as mensagens transmitidas por ela.

      O Dr. Sérgio Felipe de Oliveira, psiquiatra e mestre em ciências pela USP, explica: "A pineal é um sensor capaz de 'ver' o mundo espiritual e de coligá-lo com a estrutura biológica. É uma glândula que 'vive' o dualismo espírito-matéria".

      CONSCIÊNCIA COLETIVA

      Particularmente, entendo que essa descoberta da ciência ratifica que a covid não aconteceu por acaso, mas surgiu com o propósito de oportunizar a humanidade um re-pensar, re-refletir, re-avaliar atitudes e condutas, desde o comportamento profissional ao ecológico. Tenho falado com psicólogos e psiquiatras, os quais perceberam mudanças no comportamento, de um modo geral. Acredito que o uso da máscara seja uma dessas mudanças comportamentais, pois acredito que ela não cairá no desuso.

      Quando a pandemia passar, uma pessoa gripada não conseguirá mais sair sem máscara, pois esse sentimento de coletividade veio para ficar. Aliás, usamos a máscara não como um mecanismo de prevenir nossa contaminação, mas a de não contaminar o outro. Mais uma vez, a ciência vem ao encontro do dito popular, que diz: "é importante uma boa noite de sono", pois, enquanto dormimos a glândula pineal fabrica a melatonina.


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