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opinião

Os ipês-amarelos da emoção

13 Março 2018 12:54:00

Pássaros cortavam o céu do campus. O dia estava mormacento. Duas mornas lágrimas correram pelo meu rosto



Vou relatar este episódio para que Santa Maria não o perca. Principalmente as pessoas ligadas à UFSM. Professores, funcionários e alunos mais jovens da instituição. Ocorreu em 1966. Há 52 anos.

Em frente ao planetário da UFSM, no campus, existe um conjunto de ipês-amarelos. Que enfeitam o ambiente. Principalmente quando chega a época da floração. Por que aqueles ipês estão ali ? Quem os plantou? Por que estão plantados naquela disposição ?

O primeiro nome da universidade era USM - Universidade de Santa Maria. Anos depois é que passou a ser chamada de UFSM - Universidade Federal de Santa Maria. O reitor-fundador Mariano da Rocha teve a ideia de plantar ipês-amarelos naquele local. Pois, pelo plano diretor da então UFM, ali deveria ser erguido o planetário da universidade, fato que se concretizou anos depois.

Detalhe: o professor-reitor Mariano da Rocha queria que as mudas fossem plantadas numa disposição tal que formassem a sigla UFM. E assim foi feito.

Com a mudança de nome, anos depois, para UFSM, novo arranjo foi feito para que fossem introduzidas mudas grandes formando a letra "F".

Numa fotografia aérea, ou numa visão feita a bordo de um helicóptero da Base Aérea poderá ser vista a sigla UFSM quando os ipês-amarelos estão floridos.

O plantio dos ipês-amarelos foi feito por alunos, professores e funcionários do Curso de Agronomia, naquele tempo chamado de Faculdade de Agronomia, dirigida pelo saudoso professor Ary Bento Costa.

Minha turma se formava em 10 de dezembro de 1966 e, na condição de formandos, fizemos o plantio junto com alguns professores. Recordo dos professores presentes à cerimônia, além do professor-reitor: Erb Veleda (prof. de zootecnia), Armando Adão Ribas (prof. de zoologia agrícola, disciplina da qual fui monitor e, anos depois, professor), Mário Bastos Lagos (prof. de fitotecnia e que foi paraninfo de nossa turma), Mário Ferreira (prof. de climatologia e meteorologia), Dilon Lima do Amaral (prof. de matemática e cálculo) e Santo Masiero (prof. de botânica sistemática).

Com a prodigiosa memória que o poderoso Deus me deu de presente (e pela qual agradeço comovidamente todos os dias em minhas orações) sou capaz de repetir, na íntegra, a bela peça oratória - feita de improviso - pelo Dr. Mariano na ocasião. Fez uma alocução belíssima - entre poética e ecológica - sobre a importância das árvores na vida dos homens.

De todos os professores citados, permanece vivo apenas o prof. Santo Masiero, meu grande amigo e residente à Rua Silva Jardim, entre Avenida Rio Branco e a Rua Floriano Peixoto, em frente ao Banco da Esperança. Ah... eu também estou vivo...

Fui ao campus semana passada buscar documentos para minha declaração de Imposto de Renda. Pela janela do carro que me levou vi os ipês que ajudei a plantar. A poucos metros a construção onde repousarão os restos mortais do dr. Mariano. Pássaros cortavam o céu do campus. O dia estava mormacento. Duas mornas lágrimas correram pelo meu rosto. O motorista perguntou se eu estava me sentindo bem.

Sorri. E não respondi nada.

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