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OPINIÃO: Visibilidade já

11 Maio 2018 11:29:00

Considero muito importante darmos visibilidade às questões referentes à população LGBT

O Brasil é o país que mais mata LGBTs (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transexuais) no mundo - e o número de vítimas continua aumentando. Segundo dados da Rede TransBrasil e do Grupo Gay da Bahia (GGB), em 2016 foram um total de 144 mortes. Entre outubro de 2015 e setembro de 2016, o número foi de 123, o que colocou o Brasil em primeiro lugar na escala, seguido apenas pelo México.

No ano passado, foi visibilizada a crueldade do assassinato da travesti Dandara. A impunidade é tanta que os próprios assassinos filmaram a situação de espancamento e postaram nas redes sociais. O que eles não contavam era com a repercussão, inclusive internacional. Essa visibilidade gerou uma pressão e hoje os agressores encontram-se presos. Essa semana tivemos a notícia de que uma aluna da UERJ, que se identificava como não binária, conhecida como Theusa, 21 anos de idade, foi executada e queimada. Ela era a primeira de sua família a entrar na universidade. Ao que tudo indica, o que pode ter interferido nessa selvageria foi o fato de não estar encaixada na heteronormatividade. Mas "é comum" que crimes caiam no esquecimento. Aqui em nosso município, muitas "Ts" sequer registram situações de violência que vivenciam, pois costumam dizer que "ninguém acredita em travesti".

Pesquisa desenvolvida por Carrara e Vianna, em 2004, já alertava sobre os assassinatos de homossexuais no Brasil e o descaso da justiça nessas situações. Esse estudo apontou que nos crimes de homicídio contra homossexuais, as vítimas foram assassinadas com requintes de crueldade e expostas a situações humilhantes.

Desde o início da década de 1980, há uma tentativa de fortalecimento da luta pelos direitos da população LGBT. No entanto, essa população ainda encontra dificuldades para atuação profissional, enfrentando historicamente uma situação de discriminação e marginalização na sociedade brasileira.

Não há dúvida que houve avanços. A homossexualidade, por exemplo, foi retirada da relação de doenças pelo Conselho Federal de Medicina em 1985 e o Conselho Federal de Psicologia, por sua vez, determinou, em 1999, que nenhum profissional pode exercer "ação que favoreça a patologização de comportamentos ou práticas homoeróticas ".

Considero muito importante darmos visibilidade às questões referentes à população LGBT. Algumas políticas já existem com essa intenção. É o caso do Programa "Brasil sem Homofobia", lançado em 2004. Trata-se de uma articulação entre o governo federal e a Sociedade Civil Organizada, que a partir de um trabalho intenso, produziu documento no qual um dos objetivos é o incentivo à denúncia de violações dos direitos humanos desse segmento.

O fato de desenvolver atividades de pesquisa e extensão com essa temática, faz com que receba pessoas com pedidos de socorro: "meus pais não me aceitam", "precisei sair de casa", "não consigo emprego", "meu pai me bate muito por eu ser assim", "vivencio constantemente situações de violência em diferentes espaços", "como posso fazer com que minha família entenda que não sou doente". É preciso que os pais e mães entendam que seus filhos(as) não escolheram nascer com determinada diversidade. É importante que leiam, debatam, busquem ajuda e percebam que o amor que permeia as relações pode ser o fator mais importante para essa compreensão. Tenham orgulho de seus filhos(as). Defendam eles(as) nas situações de deboche na escola, conversem com os professores, amigos, familiares. Desconstruam os preconceitos.

As pessoas nascem hetero, homo, bi, transexuais. Não é doença e, portanto, não tem cura. A cura existe sim: para o preconceito. Há alguns relatos nos quais a fala retrata que "é para a proteção dos filhos, pois sabem que eles vão sofrer lá fora". Pois saibam, eles já estão sofrendo dentro, caso não haja compreensão e acolhimento.

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