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OPINIÃO: Nada do que foi será

10 Abril 2018 17:41:00

Pergunto a mim mesmo como será o futuro, aqui. Haverá mesmo futuro?



É isso aí! Como diz o Nelsinho Motta em uma canção que não me canso de murmurar e um dia desses mencionei nestas minhas charlas, a vida vem em ondas, como o mar. Vem, vem crescendo - a onda do mar - em seguida despenca e volta outra vez.

A vida de algumas cidades é assim. Tenho nas mãos, agora, a primeira edição de um livro de Carlos de Laet, de 1894, Em Minas. O livro se compõe de duas partes, São João del Rei e São José d'El-Rey, hoje Tiradentes, onde agora estou.

O município era imenso, abraçava inúmeros municípios que hoje por aqui existem, perto e a muitos quilômetros, lá bem longe. Oliveira, por exemplo, cujos habitantes pretendiam fosse transformada em vila, mas o capitão Joaquim Antônio de Campos, que mandava cá em São José d'El-Rey, impedia. Apenas em 1839 foi desmembrada do seu território. Em 1836, quando ele se foi - Joaquim, português de Braga - os moradores de Oliveira comemoram a sua morte com foguetes.

O livro de Carlos de Laet descreve a Tiradentes do final do século XIX, deserta, sem ninguém nas ruas. Uma cidade na qual crescia capim nas ruas e havia inúmeras casas abandonadas.

Ainda que fosse assim, no entanto, ele conta que no dia em que cá esteve almoçou com o juiz de direito da cidade, Edmundo Pereira Lins, em sua casa. Uma casa com paredes grossas como de fortaleza, diz ele, e vidraças enormes, repartidas em numerosos caixilhos com vidros pequeninos. Grande figura humana, em agosto de 1917 foi nomeado ministro do Supremo Tribunal Federal, por conta do que - vencendo o tempo - quando falo nele sinto uma vontade enorme de dizer "meu colega de tribunal".

O livro desperta em mim uma vontade imensa de vir aqui, embora eu esteja aqui! Andar por aí, mesmo que agora seja tarde da noite. Ir até as casas nas quais nasceram Basílio da Gama e o frei José Mariano da Conceição Velloso, autor do Flora Fluminensis - livro que você que me lê faria muito bem a si mesmo se lesse.

Andar por aí - não para ver se encontro a paz que perdi, pois ela está em mim - ir ao chafariz que lá está desde 1749 com três rostos que sorriem despejando água no pequeno tanque logo abaixo. Tomamos pequenos goles dessa água cristalina na concha de uma nossas mãos, como se fossem e viessem, abençoadas, lá de cima.

O livro de Carlos de Laet, qual eu já disse linhas acima, descreve a Tiradentes no final do século XIX. Hoje é bem diferente. Turistas invadem nosso espaço nos finais de semana e feriados. Não saio de casa. De todo modo, já que a vida vem em ondas, como o mar, pergunto a mim mesmo como será o futuro, aqui. Haverá mesmo futuro?

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