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OPINIÃO: Falta-nos confiança, faltam-nos lideranças

16 Abril 2018 13:31:00

A carência de lideranças públicas responsáveis, legitimadas social e politicamente, torna o jogo democrático ainda mais complicado

A dramática situação política atual, com repercussão em diferentes esferas da vida, tem reduzido o debate, das ruas às redes sociais, a perspectivas demasiadamente polarizadas e radicalizadas. Está cada vez mais difícil, mesmo nas universidades, espaços tradicionalmente afetos ao diálogo de ideias e pontos de vista diversos, o estabelecimento de discussões minimamente civilizadas, independentemente de quais sejam os assuntos ou as matérias em questão. Entre os muitos fatores que explicam esse estado de coisas, não há dúvida de que a falta de confiança das pessoas no Estado e nas suas instituições e a carência de lideranças públicas estão entre eles.

A frustração e a desesperança, que acometeram os(as) brasileiros(as) com a rápida e veloz degradação das suas condições socioeconômicas de vida, com a supressão de conquistas e de direitos sociais historicamente garantidos e, ainda, com a brutal instabilidade institucional do país, contribuem, sobremaneira, para explicar a pouca ou nenhuma confiança da população nas instituições públicas. Esse sentimento social, que é diariamente amplificado por coberturas midiáticas, muitas vezes catastrofistas e inconsequentes, vem levando as pessoas a aumentar a sua ojeriza à política e à própria democracia.

Recente pesquisa do Latinobarômetro demonstrou que apenas 43% da cidadania brasileira, no ano de 2017, apoiava a democracia, enquanto a média latino-americana, também bastante baixa, era de 53%, no mesmo período. Essa propensão do(a) brasileiro(a) a respaldar posições autoritárias, também mensurada por pesquisa de opinião do Data Folha e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, ano passado, favorece a defesa de bandeiras de autotutela ("justiça" com as próprias mãos) e legítima defesa, assim como o acirramento da divisão da sociedade entre aqueles grupos que devem ter seus direitos fundamentais assegurados e aqueles outros, tidos como perigosos e criminalizáveis, a quem, segundo parte substantiva dos(as) entrevistados(as), ao arrepio da Constituição e das leis, deveria ser imposta, inclusive, a neutralização física. Apenas para citar dois exemplos, a ameaça por Twitter do general Villas Boas na véspera do julgamento de Lula no Supremo Tribunal Federal (STF) e o vazamento de áudios ao piloto do avião da Polícia Federal que conduzia o ex-presidente à prisão em Curitiba ("Manda esse lixo janela abaixo") vão ao encontro desse pernicioso sentido.

De igual modo, a carência de lideranças públicas responsáveis, legitimadas social e politicamente, torna o jogo democrático ainda mais complicado, criando um caldo de cultura fecundo para a emergência de pseudo-salvadores da pátria, os quais, em profusão, deverão colonizar as eleições nacionais e estaduais que se avizinham. A democracia exige a convivência com a pluralidade de opiniões e com a diversidade de perspectivas, no exato respeito que se deve garantir à plena manutenção e aprofundamento do Estado Democrático de Direito. Nesse sentido, a criminalização da política, que se opera no imaginário cultural brasileiro, é nefasta para a construção de mediações institucionais voltadas a superar os dilemas éticos e os desafios político-jurídicos da nação.

Esperam-se das lideranças dos mais diversos setores e instituições, públicas e/ou privadas, serenidade, bom-senso, paciência e determinação para comunicar e traduzir a população, nesse delicado momento da nossa tenra República, tão aviltada, que não há saídas fora da democracia e que o antídoto para a prática da corrupção, da violência e do crime, por exemplo, não pode prescindir do Direito e da indeclinável observância às garantias individuais, sem o que a insegurança e o medo tornar-se-ão os piores conselheiros de tomadas de decisão sempre irracionais e sem compromisso com o interesse da coletividade.

É por isso que precisamos estar atentos(as) aos riscos de promessas vazias, irrealizáveis e supostamente milagrosas que mascaram a verdadeira disputa que temos a travar: o enfrentamento das desigualdades, a defesas das liberdades e a promoção da igualdade e da justiça!

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