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OPINIÃO: Brumadinho e suas consequências

Precisamos, de fato, alavancar o nosso crescimento econômico, que, nos últimos anos, foi pífio

É notória que a tragédia de Brumadinho foi uma catástrofe ambiental das mais graves em nosso país. Se juntarmos com a de Mariana, na última década tivemos em um mesmo Estado uma degradação ambiental de proporções bem significativas. E, além disso, a gravidade maior foi a morte de mais de 150 pessoas, bem como todo o problema social que lá se estabeleceu.

Atualmente a sociedade europeia está pressionando os seus governos a programar políticas ambientais mais duras para que o futuro da população de lá e do resto do planeta seja mais sustentável. A discussão, e o que eles querem, de uma forma bem objetiva, é que só seja importado produtos/bens de países que tiverem uma política de produção sustentável.

Pois bem, este é o cenário. No entanto, ao olhar os dados sobre exportação dos últimos anos, verifica-se uma força enorme do setor de minérios e seus concentrados na balança comercial, especificamente no item do que é exportado. Isso quer dizer que boa parte da composição da renda interna nacional advém disso que é exportado para fora, e em troca recebemos o pagamento em moeda estrangeira. Dos 239 bilhões de dólares, que é o total exportado em 2018, 8,43% são minérios e seus concentrados. O que corresponde a 20 bilhões de dólares.

No ranking dos produtos mais exportados pelo Brasil para o resto do mundo, os minérios de ferro estão em 3º lugar. Só perdem para a soja e óleos brutos de petróleo. Essa configuração é tanto para 2018 como para 2017. Não houve mudança nesse quadro. Só a título de comparação, os itens que mais importamos em 2017 e 2018 foram: "Demais produtos manufaturados". Observe a discrepância.Parece-me uma boa explicação para entender, no plano econômico, a força que este setor tem em nossa economia. De fato, o mesmo é gerador de riquezas no sentido de trazer renda externa para nós. Contudo, qual é o preço disso? As tragédias dizem muito sobre isso. Está na hora de termos, de fato, uma política de desenvolvimento sustentável em nosso país.

Os dados econômicos relevam muito o porquê ocorreu a tragédia. Mas, de qualquer forma, temos que buscar adequar à produção, ou melhor, a extração dos recursos naturais e seus derivados a uma forma sustentável de indústria. Ou seja, continuar o processo de extração, mas com mais processos sustentáveis e muita tecnologia. As gerações futuras não aceitarão mais viver com a degradação ambiental e consumir produtos que não sejam sustentáveis. O movimento na Europa sobre isso está muito forte. E com toda a certeza será espraiado para o resto do mundo.

Temos que pensar, sim, em aumentar a nossa produção de riqueza. Precisamos, de fato, alavancar o nosso crescimento econômico, que, nos últimos anos, foi pífio. E, para isso, precisamos de uma política de aumento da produtividade interna, um pacto e um programa de longo prazo de uma política de desenvolvimento sustentável. E, além disso, ações conjunturais e estruturais que melhorem a nossa economia.As pessoas querem um mundo melhor, "mais verde". E lembro que desenvolvimento econômico sempre acontecerá com a sustentabilidade dos recursos naturais.


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