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OPINIÃO: 'A verdade é filha do tempo, não da autoridade'

16 Maio 2018 10:01:00

Como Deus, perfeito em todos os aspectos, podia assistir ao sofrimento eterno de um filho seu?

Não sei se é o seu caso, mas já na minha pré-adolescência, muitas dúvidas acumulavam-se a respeito das coisas transcendentais, aquelas em que somos instigados, desde criança, a acreditar. E todas as respostas disponíveis não conseguiam satisfazer as minhas inquietações na busca de explicações convincentes aos meus anseios. Talvez essa tenha sido, senão a principal, mas, com certeza, uma das mais fortes causas que me levaram a buscar novas respostas fora da religião que eu professava. Lembro, muito claramente, lá pelo início da década de 60, de duas figuras impressas no meu livro de religião. Trazia em uma das páginas, lado a lado, as imagens de dois meninos. Um, com o coração em cor branca, sem pecado, destinado ao céu (naquele tempo eu ainda acreditava em céu como lugar de "descanso"). Já o outro tinha o coração vermelho, pecador, condenado ao inferno (também acreditava em inferno como lugar de sofrimento). Imagino ter sido aquele o marco inicial de tantos questionamentos que se seguiram na minha mente de menino cheio de dúvidas, pois que as explicações do professor da matéria, apesar de todos os seus esforços, não me satisfaziam minimamente, pois eu não conseguia entender como Deus, perfeito em todos os aspectos possíveis e imagináveis, podia permitir não só a condenação, como assistir, sem remorsos (e isso era o que mais me impressionava), ao sofrimento por toda a eternidade no fogo do inferno, de um filho seu.

Outra coisa que mexia muito comigo era o aterrorizante Juízo Final. Lembro, também, muito nitidamente, que em certa ocasião, perguntei, muito respeitosamente ao professor, pois o respeito ao professor, ao contrário de hoje, era cláusula pétrea, qual a razão que Deus, que conhecendo o passado, o presente e, principalmente, o futuro, permitia nascer uma pessoa que Ele (Deus), sabia que ela (a pessoa), em vida, seria muito má e que faria sofrer dezenas, centenas e até milhares de pessoas, e que, por consequência das suas atitudes, iria ser condenada, irremediavelmente, ao inferno? (novamente o inferno). Por que, e essa era a minha grande dúvida, deixar nascer essa pessoa, já condenada previamente às labaredas eternas? Por que, por que, por que? Mil vezes por que.

Pois esses questionamentos que incendiavam a minha mente pré-adolescente vazia de respostas razoáveis, sem que eu percebesse, fez com que mais uma ovelha se desgarrasse do rebanho. Já não bastava o "tem que acreditar" ou as respostas vazias de racionalidade. O tempo passou e hoje, no outro extremo da vida, além de outras respostas, estas cheias de lógica e razoabilidade encontradas na filosofia espírita, percebo, de forma clara e insofismável, que a fé para ser duradoura e, principalmente, inabalável, precisa ter bases fortes apoiadas na razão. A essa fé, dá-se o nome de Fé Raciocinada, pois não é constituída nem de sofismas e nem de verdades decretadas, pois oferece subsídios concretos e respostas razoáveis para o cada vez mais questionador homem moderno que, desde muito cedo, já começa a questionar os porquês das coisas e também o verdadeiro sentido existencial da vida.

Graças, felizmente, a alguns homens e mulheres destituídos dos medos que impregnaram as mentes dos nossos antepassados, assistimos hoje à derrubada de verdades impostas e que não mais se coadunam com os tempos em que vivemos, comprovando, de forma insofismável, as sábias palavras do grande filósofo inglês, Francis Bacon, um dos pais da ciência moderna, quando disse em certa ocasião: "A verdade é filha do tempo, não da autoridade

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