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OPINIÃO: A lei do primeiro preço

07 Janeiro 2019 08:50:00

Temos um longo caminho de afirmação da nossa soberania e domínio de nossas riquezas


Alvin Toffler em seu livro A Terceira Onda descreve como os primeiros preços de matérias primas e comodities são formados: "Muitas matérias-primas necessitadas por nações industrializadas eram virtualmente destituídas de valor para as populações de países subdesenvolvidos que as tinham. Os camponeses africanos não tinham necessidade de cromo. Os xeques árabes não tinham utilidade para o petróleo que existia sob as areias de seus desertos." Não existindo história prévia de comércio para um determinado artigo, o preço estabelecido na primeira transação era crucial. O valor oferecido era, sempre, ínfimo e determinado, nem sempre, pelo seu valor econômico e, frequentemente, pelas pressões políticas ou por ameaças militares. "Este primeiro preço, uma vez estabelecido a um nível baixo, deprimia todos os preços subsequentes." Uma vez incorporada a matéria-prima a um produto acabado, qualquer competidor teria de levar em conta o "primeiro preço" e oferecer o mesmo ou até menor para qualquer outro fornecedor. Assim foi com o petróleo, que durante muitos anos foi vendido a 10 dólares o barril até que, com o advento da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP,) a Venezuela e os Países Árabes impuseram um preço mais real, que chegou até a 100 dólares o barril, atualmente mais equilibrado pela "lei da oferta e da procura".

Da mesma forma, o açúcar cubano foi pressionado pelas armas americanas. Nossas areias monazíticas foram carregadas para a Alemanha como lastro de navios mercantes! Nossas madeiras nobres estão sendo retiradas da floresta amazônica a preço vil, quando não contrabandeadas. Não temos a soberania necessária para impormos um controle respeitado sobre essas riquezas. O mesmo acontece com a nossa biodiversidade, que nem suspeitamos de quem a explora e patenteia a nível internacional. O Brasil possui, em seu território, as maiores reservas do mundo (98%) de nióbio, mas quem estabelece o preço? E a bauxita, o níquel e o urânio? Para onde estão indo nossas esmeraldas e diamantes? A "Amazônia Azul" foi estabelecida há pouco tempo, quando decretamos o domínio sobre a faixa de 200 milhas da costa sobre o mar territorial, agora ampliada para 340 milhas, com isso, garantindo a posse do pré-sal. O minério de ferro é exportado na forma peletizada, quando poderíamos exportar o ferro e o aço produzido em nossas usinas. Também a soja, da qual somos um dos maiores produtores mundiais, poderia ser exportada com valores agregados na forma de óleo e de farelo ou rações.

Somos os maiores produtores mundiais de proteína animal e vegetal, será que temos participação no estabelecimento do preço justo? Temos um longo caminho de afirmação da nossa soberania e domínio de nossas riquezas. Precisamos contar com o patriotismo de nossos governantes e com o conhecimento científico e tecnológico necessários a tomadas de decisões criteriosas e corretas. Essa é a esperança que a maioria do povo brasileiro acalenta em seu peito e a expectativa que temos no novo governo que se instala. Chegamos ao ponto de inflexão, quando todas as nossas forças estarão voltadas para as mudanças radicais que devem vir. Discordâncias políticas a parte, todos deverão estar voltados para objetivos patrióticos comuns de unir forças em prol de nosso desenvolvimento. O progresso da Nação é vital para todos e nada deve obstaculiza-lo. É o imperativo do momento.

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