colunistas do impresso

Olimpíadas da esperança

Foram inscritos mais de 11 mil atletas de 205 países e, pela primeira vez, as mulheres representarão quase metade dos competidores

A Olimpíada é considerada o maior evento esportivo do planeta, tendo como principal objetivo promover a competição cordial entre os cinco continentes. Com atraso de um ano, por motivo da pandemia da Covid-19, ela ocorre repleta de cuidados para evitar qualquer risco de transmissão do vírus. No período de 23 de julho a 8 de agosto estaremos conectados, torcendo pelos nossos representantes.

Tóquio está nos fazendo passar madrugadas regadas a café, vibrando com cada atleta que estiver disputando medalha. Do surfista romântico à fadinha, o panorama já indicava um ar de poesia nesse evento. Pulsar por aqueles que se dedicaram em tempo integral por anos, para em instantes mágicos, chegarem ou não ao pódio, é emocionante. Assistir à Flávia Andrade, no último segundo da sua apresentação solo na ginástica artística, lesionar o pé e perder pontos e a nossa Maria Portela do judô ser eliminada, é de chorar. Entretanto, estremecer com Rebeca Andrade, ao som de baile da favela, foi lindo!

São momentos que ficamos nos perguntando quais motivos levaram as mulheres só terem sido autorizadas a competir a partir de 1900, sendo que os jogos olímpicos ocorrem desde o século VIII A.C.? Ainda há quem duvide da importância da luta das mulheres por igualdade. Já imaginou essa olimpíada sem a Marta e a Formiga no futebol, a Fe Garay e a Gabi no vôlei, a Bruna, Alexandra e Babi no handebol? Foram inscritos mais de 11 mil atletas de 205 países e, pela primeira vez, as mulheres representarão quase metade dos competidores. sendo a estimativa de 48,8% do total. E pensar que, até hoje, precisamos continuar envidando esforços para ocuparmos e sermos respeitadas em diferentes espaços. Aliás, um fato atípico esse ano, foi a equipe da ginástica feminina da Alemanha que optou por usar macacões de corpo inteiro em um movimento criado para encorajar as mulheres a vestir o que as deixar confortáveis. Seria um empurrãozinho para ponderar sobre a sexualização dos corpos femininos?

Jogos Olímpicos também servem para as surpresas de quebrar os favoritismos e previsões de vencedores. O próprio Hitler, nos jogos olímpicos de Berlim em 1936, teve que engolir a vitória de um pequeno grupo de atletas negros no atletismo. Jesse Owens, ao receber quatro medalhas de ouro, derrubava, por meio do esporte, a ridícula teoria da superioridade raça ariana apregoada pelo Führer. Inclusive, uma das curiosidades dessa mesma olimpíada foram dois polos-vaulters japoneses que empataram em segundo lugar. Ao invés de discutirem quem ficaria com o prêmio, resolveram cortar as medalhas de prata e bronze no meio e fundiram as duas metades diferentes para que cada um deles ficasse com meia-prata e meio-bronze. São os bons exemplos do esporte que ficam eternizados nas olimpíadas.

Ver o Douglas, assumidamente gay, como destaque da seleção brasileira de vôlei, seria um sinal de esperança de que sairemos da triste marca de sermos um dos países mais LGBTfóbicos do mundo? Assistir a uma menina de 13 anos recebendo medalha em uma modalidade que contém toques de preconceito como o skate pode representar a ilusão de que teremos investimentos além do futebol?

Tomara! Que o Brasil, através do esporte, consiga demonstrar a sua força, inclusão e equidade dizendo não ao preconceito e ao desamor. Que tenhamos alegria novamente ao ver a bandeira verde e amarela tremulando por aí.


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