colunistas do impresso

O sono do gigante

O país tem uma atração atávica pelo mandonismo, improvisação, messianismo e fé obscurantista

Deitado eternamente em berço esplêndido, o Brasil está sempre imaginando o dia em que irá despertar. Agora, talvez mais do que nunca, está tão aturdido com acontecimentos inusitados, a pandemia, a volta da carestia, o desemprego crescente, o dólar em alta, a bolsa em baixa, o negacionismo, a falta de tino diplomático, o isolamento mundial, um governo distópico, que parece persuadido a permanecer no leito, na esperança de que tudo isto passará e, então, quem sabe, poderá acordar, levantar-se e encontrar o futuro que sempre lhe prometeram.

Os caminhos seguidos, que nos levaram a atalhos perigosos, veredas mal traçadas, nunca previstos ou entrevistos por ninguém, embala o berço como se fora um navio, à deriva, sem comando e sem destino.

Soa irônico ouvir as frases que já foram ditas sobre nosso futuro promissor. O país tem uma atração atávica pelo mandonismo, improvisação, messianismo e fé obscurantista.

O que estamos vivendo não difere muito do que já aconteceu em épocas passadas. Acontece que se romperam as amarras, navegamos sem piloto, sem luz e em alta velocidade proporcionada pela tecnologia da comunicação em tempo real, emitida por qualquer pessoa que tenha acesso a internet. Todos opinam sobre tudo.

A tecnologia tornou a vida muito mais complexa, com múltiplas dimensões, que permitem pequenas causas alcançarem muitas pessoas e causarem grandes efeitos, embaralhando informações que são concomitantes, diversas e contraditórias.

Isto nos atinge em cheio como nação.

Manter-se atualizado com os acontecimentos é praticamente impossível, diante da pluralidade de narrativas do mesmo fato. Não se pode precisar qual a narrativa que deve ser acolhida, como acontece com as formas de enfrentar a pandemia (cada um tem uma receita própria, que exclui todas as demais, todos falam e ninguém se entende).

Qualquer acontecimento, relevante ou não, pode criar narrativas variadas e opostas entre si, fazendo com que o fato em si seja obscurecido pela disputa de versões.

Somos levados a um sentimento de fracasso e desespero coletivo, que adoecem a nação, diante da falta de consensos e respeito às divergências.

Apesar de tudo, este fracasso ou qualquer outra dificuldade não deve nos impedir de buscar e acreditar em dias melhores, mesmo com a sensação de que estamos engolidos por esta onda gigante de informações e versões.

Há sensação de que somos vítimas da falta de preparo, arrogância, falta de empatia e respeito pelos outros, que resulta na mais pérfida crueldade, aquela que mata a esperança, que manipula o caos para dividir e dominar.

Não deixemos morrer a esperança. Não no sentido de somente esperar passivamente, mas de almejar, sonhar, buscar, agir, lutar. É preciso força e resiliência.

O pesadelo vai passar. É questão de tempo. O gigante, um dia, haverá de acordar deste pesadelo, saltar do berço e ir ao encontro do futuro prometido.

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