colunista do impresso

'O sofrimento é inerente à imperfeição'

Queira você ou não, acredite ou negue peremptoriamente, nada do que nos acontece de bom ou ruim é fruto do acaso

Já abordei esse assunto aqui neste espaço em outra oportunidade, mas como se trata de um tema sempre recorrente, volto a abordá-lo novamente porque nem sempre ele é bem digerido, bem entendido e bem aceito, principalmente entre o público não reencarnacionista. Estou falando das desigualdades impostas ao ser humano no que tange ao sofrimento. E sempre que esse assunto vem à mente surge, a tiracolo, a velha pergunta de sempre: por que uns sofrem mais do que os outros? Será castigo divino?

Já de antemão, vamos eliminar uma das explicações mais comumente usadas, que é para pagar dívidas do passado. O pagamento de dívidas pretéritas não encontra eco na justeza divina pela simples razão de que Deus não castiga absolutamente ninguém. Aliás, castigar é próprio de todos nós, espíritos ainda muito atrasados e frequentadores dos primeiros degraus da escalada evolutiva. Você acha que para se corrigir um erro é necessário castigar? Talvez você não pense assim, mas o mundo está cheio de pessoas que têm esse entendimento. Mas, Deus que é infinito em sabedoria, com certeza absoluta não necessita do ato de castigar para corrigir. Você não concorda? Mas, então por que existe o sofrimento? Por que uns sofrem mais do que os outros? Por uns nascem na miséria e outros na opulência? Por que para uns dá tudo certo e para outros dá tudo errado? Por quê? Por quê? Por quê?

Para quem acredita que vivemos apenas uma vida em que uns vivem muito, outros vivem pouco e outros, ainda, quase nem conseguem alcançar a primeira infância, bem, aí, realmente, fica muito difícil entender a razão pela qual uns sofrem mais e outros sofrem menos. Por que uns se fortalecem nas dificuldades e outros se deprimem e se deixam abater a ponto de, alguns, tirarem a própria vida? Já, quando se crê na imortalidade do espírito e na multiplicidade das existências, se torna bem mais fácil entender a questão "castigo/ sofrimento", porque conseguimos entender e aceitar que nem castigo e nem sofrimento se coadunam com o Deus criador de todas as coisas nesse Universo infinito. Coadunam-se sim com o Deus criado pelas religiões e que permanece presente no imaginário de uma parcela extremamente significativa da humanidade que, aos moldes da crença da idade média, até hoje temem a Deus.

O que chamamos de castigo, não se trata, como normalmente se entende, o pagamento de uma dívida anterior. Se em uma encarnação alguém roubou ou matou, não significa dizer que na próxima encarnação esse mesmo alguém terá que ser roubado ou assassinado. Claro que não. Isso é um pensamento de quem ainda não entendeu como funcionam os mecanismos das leis divinas. Existem muitas outras formas de ressarcir o mal praticado durante a vida do espírito imortal. As leis de Deus não são baseadas na Lei de Talião, olho por olho, dente por dente, na medida em que se roubei ou se matei posso ressarcir esses atos de outras formas mais sábias como, por exemplo, acolher em uma outra encarnação, aquele a quem prejudiquei como um filho ou como uma filha ressarcindo com amor e devotamento o mal praticado no passado, pois que, cada experiência na carne é uma continuação tal qual a vida escolar de qualquer pessoa.

Queira você ou não, acredite ou negue peremptoriamente, nada do que nos acontece de bom ou de ruim é fruto do acaso. Ninguém sofre por sofrer ou por uma questão de simpatia ou antipatia por parte da divindade. Claro que não! Os problemas e dificuldades, fazem parte do nosso processo educativo e de renovação interior, mas que pela nossa pequenez espiritual, não conseguimos entender com clareza. Somos inteiramente responsáveis tanto pela nossa infelicidade ou pela nossa desdita. Não esqueçamos nunca que a cada momento, com as nossas escolhas no presente, estamos escrevendo o nosso futuro que poderá ser dolorido ou não. Depende apenas de nós.

Infelizmente, para nós espíritos ainda recheados de imperfeições, a dor e o sofrimento são consequências, pois que, muitas vezes, agimos no piloto automático da vida sem a consciência do que verdadeiramente somos, e assim, por atos impensados, abrimos janelas que favorecem as perdas energéticas, as obsessões e, até mesmo, o surgimento de doenças psicossomáticas. Tal qual a dúvida de quem nasceu primeiro, se o ovo ou a galinha, deixo para sua reflexão um outro axioma: sofremos por que somos imperfeitos ou somos imperfeitos porque sofremos? Não sei qual será a sua opção escolhida, mas, independente de qual seja, permita-me encerrar com uma afirmação de Allan Kardec e que sobre a qual tenho quase certeza de você vai concordar. Diz ele: "O sofrimento é inerente à imperfeição."


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