colunista do impresso

O medo do castigo de Deus

Com todos esses elementos juntos foram surgindo 'verdades' sem um mínimo concurso da razão e do raciocínio lógico

A ideia da existência de um ser supremo que criou o mundo é comum em todas as civilizações em todas as épocas. E desde essas civilizações primitivas até os nossos dias, essas crenças eram, e continuam sendo, acompanhadas de cultos e práticas ritualísticas.

Desde priscas eras, as religiões já possuíam os seus "mediadores" que faziam a intermediação entre os homens e os "deuses". A partir dessas crenças surgiram diversas religiões com rituais e cultos que tinham como líderes esses homens com supostos poderes divinos. Originalmente, as religiões foram criadas com o fim de transportar as criaturas para a sintonia com a divindade através da espiritualização, mas, atualmente, algumas religiões distorcidas pelo astigmatismo espiritual, acabaram se transformando em verdadeiros negócios altamente lucrativos utilizando-se da crença punitiva como forma de atemorização e, dessa forma mantendo seus seguidores subjugados pelo medo.

Os teólogos e iniciados do longínquo passado da história da humanidade nem sempre pessoas dotadas de muitos conhecimentos, supersticiosos e, de certa forma, ingênuos, acabaram passando suas crenças, muitas pagãs, para a formação do cristianismo praticado hoje por diversas correntes religiosas. Some-se a isso o raciocínio quase rudimentar e primitivo do povo daquela época, característico de homens pouco evoluídos intelectualmente, pois, sequer, as pessoas na sua maciça maioria nem mesmo sabiam escrever, pois era um período de pouca intelectualidade e por isso, pela sua ingenuidade, acreditavam em tudo, pois não possuíam o menor senso crítico.

E com todos esses elementos juntos foram surgindo "verdades" sem um mínimo concurso da razão e do raciocínio lógico, pois que, também, essa necessidade de análise crítica não passava pelas cabeças nem dos teólogos e, muito menos, ainda, da grande maioria do povo. E com isso foram surgindo verdades imutáveis que, até hoje, fazem parte do conteúdo doutrinário de algumas religiões.

Não é por outra razão que muitas correntes religiosas de hoje estão perdendo fieis, pois permanecem estagnadas nos seus princípios doutrinários como se a humanidade estivesse ainda com a mentalidade vigente naqueles primórdios civilizatórios. Crenças que em séculos passados eram aceitas como verdades pela falta do raciocínio lógico, hoje deixaram de ser porque o homem antigo e simplório que aceitava tudo deixou de sê-lo para se tornar um homem curioso e questionador que não aceita com a mesma facilidade dos seus antecessores as verdades impostas por decretos de cima para baixo. Esses líderes incorreram em outro erro fundamental, o de subestimaram a lei divina do progresso ao não se preocuparem com a maturidade da humanidade.

Essa pequinesíssima história das religiões ao longo dos tempos é para enfatizar algumas diferenças básicas, mas importantes, que existem entre as religiões milenares e o espiritismo que completará neste abril que estamos vivendo, 163 anos de existência desde o nem tão longínquo 18 de abril de 1857 com o lançamento de O Livro dos Espíritos. E as principais diferenças, entre tantas, para as outras religiões, é que o Espiritismo não possui dogmas, hierarquias e nem faz proselitismos, pois fundamenta suas teses e argumentos nos alicerces da lógica e da racionalidade, nos incentivando a passar tudo pelo crivo da nossa própria razão. Outra substancial diferença é a de que ele não tem a intenção de nos dizer o que devemos pensar, mas, simplesmente, nos estimular a pensar e a raciocinar.

O espiritismo fascina porque aborda e explica os pequenos e os grandes questionamentos da vida sempre baseado nos alicerces do raciocínio lógico. Algumas pessoas, porém, na espera de milagres, se frustram na medida em que, ao contrário do que pensam, o espiritismo não resolve os embaraços e as agruras da vida. Claro que não, mas ele faz algo mais importante na medida em que, além de nos explicar a razão da existência dos problemas inerentes à nossa condição de espíritos dando os primeiros passos na longa caminhada até a angelitude, nos oferece, a partir desse entendimento, uma metodologia para que nós mesmos possamos resolvê-los.

Mas uma, entre todas as outras, talvez seja a mais importante diferença. É a que transforma o deus de barbas brancas, com cara de mal humorado que beneficia os bons e castiga os maus em um Deus bom, mas acima de tudo, justo, que, indistintamente, a todos ama, protege, ampara e auxilia nos fazendo perder algo que nos aprisiona: o medo do castigo de Deus.


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