colunistas do impresso

O caminho das Índias em tempos atuais

O comércio entre Ocidente e Oriente é ainda mais estratégico em pleno século 21

A tomada de Constantinopla (antiga Bizâncio, hoje Istambul) pelos otomanos em 1453 de tão importante foi escolhida por historiadores como data referência do final da Idade Média e início da Idade Moderna. O domínio otomano impedia o comércio de produtos do Extremo Oriente (ah! as especiarias, sedas etc., tão desejadas pelas elites ocidentais) que chegavam à Europa por longos e difíceis caminhos terrestres. E com essa e outras motivações lançaram-se lusitanos e espanhóis aos desafios do Oceano Atlântico em busca do que seria um "caminho para as Índias". A saga portuguesa levou-os a contornar a África e chegar ao Oriente e, desviando-se da rota, descobrirem o Brasil; a saga hispânica baseou-se na tese da terra arredondada e navegando rumo ao ocidente para alcançar o oriente, descobriram a América no meio do caminho e fizeram a primeira circunavegação no globo.

A ligação entre Ocidente e Oriente pelos mares continua tão crucial para a circulação de mercadorias que em 1869 foi inaugurado um canal ligando os mares Mediterrâneo e Vermelho: o Canal de Suez. Hoje com uma extensão de aproximados duzentos quilômetros e largura, na parte mais estreita, de duzentos metros, por ali passam em torno de 12% do comércio mundial e cinquenta navios diariamente, especialmente petroleiros e cargas em contêineres.

A rota estreada pelos espanhóis também foi facilitada: em 1914 os norte-americanos inauguraram o Canal do Panamá ligando os Oceanos Atlântico e Pacífico e que ostenta hoje um movimento de navios próximo ao de Suez. Ao contrário deste, o Canal do Panamá é mais elevado que os oceanos e precisa de eclusas para a passagem das embarcações. Em 1999 o Panamá assumiu gestão e soberania sobre o canal. Enfim, o "caminho das Índias" dos séculos 15 e 16 é hoje de intenso tráfego naval entre Ocidente e Oriente e com rotas facilitadas pelo engenho humano na construção de atalhos. O comércio entre Ocidente e Oriente é ainda mais estratégico em pleno século 21. No Oriente está uma parcela maior da humanidade. China, segunda economia e maior população do planeta (também principal parceiro comercial do Brasil), Índia com a segunda maior população, outras nações populosas como a Indonésia e ainda países tecnologicamente avançados como Japão e Coréia do Sul.

Na semana passada o Canal de Suez, tão importante atalho comercial entre Ocidente e Oriente, foi interrompido por bizarro acidente: um dos maiores navios do mundo (400 metros de extensão e 220 mil toneladas de peso) carregado de contêineres, encalhou. Por uns dias acumularam-se centenas de embarcações à espera da passagem e prejuízos bilionários. Até o Rio Grande do Sul ressentiu-se do acidente, felizmente resolvido no início desta semana: cargas gaúchas passam por Suez e ainda houve reflexo na falta de contêineres já escassos para o comércio mundial. No mundo globalizado um acidente local reflete-se sobre a economia em geral.

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