colunista do impresso

Não somos apenas um corpo

A cada nova geração procuramos melhorar as nossas condições de vida

As mulheres vão sendo descritas ao longo do tempo pelas suas inocências, maturidades ou crises. Basicamente, em todos os contextos, há um forte apelo aos aspectos corporais. Na infância já somos frequentemente repreendidas: "senta direito, menina", "fala baixo, olha essa postura". Aos poucos chegamos na juventude e os recados alertam para os perigos iminentes. A precaução com o vestuário surge com vigor. O primeiro sutiã, tido como herói pelos fabricantes, já insinua que ele será inesquecível. Sem dúvida será, pois trata-se de um dos primeiros acessórios que irão nos pressionar para o resto de nossas vidas.  A adolescência também é o período que surge o medo de uma gravidez indesejada. As mudanças corporais tornam-se evidentes e as censuras continuam. Enquanto os meninos correm livres, leves e soltos, nós morremos de medo de "errar". Apesar de sabermos da necessidade de duas pessoas para que uma gravidez ocorra, ainda recai sobre as mulheres toda a culpa do não planejamento.

Aos 30 anos atingimos a tão sonhada maturidade e acreditamos que estaremos estabilizadas profissionalmente e seremos donas do nosso nariz. Entretanto, descobrimos rapidamente que o mercado de trabalho paga salários menores para as mulheres, favorecendo as que não possuem filhos ou mesmo as que não pretendem engravidar. É no mínimo estranho, pois a sociedade geralmente nos exige a maternidade para sermos "completas".

Chega a dita "crise dos 40". Novo período de transformações hormonais e necessitamos lidar com os questionamentos do final da fertilidade e dos padrões de beleza impostos culturalmente. Sentimos uma certa coação para não deixar a peteca cair. Isso inclui injetar todo botox possível para a flacidez não tomar conta do corpo por inteiro. Cabelos brancos, nem pensar!  Basta olhar ao nosso redor e perceber que as clínicas de estética e salões de beleza vivem lotadas. Aliás, não tenho nada contra esses locais. Adoro os estabelecimentos que cuidam da nossa pele, cabelo e unhas. Mas que não vire doença e muito menos que frequentemos esses lugares para agradar 'o outro'. Que esses ambientes sejam para nos trazer alegria e prazer. Trabalhamos muito para frequentá-los, portanto, merecemos! Mas afinal, quem disse que devemos ter crise com esses sinais? Muitas vezes são exatamente esses fios de cabelos brancos os motivos de altos elogios aos homens. Depois dos 50, vamos tentando festejar o que alcançamos nessa trajetória. Muitas conseguem comemorar, por exemplo, a liberdade que as filhas alcançaram, tão diferentes da sua.

Considero que somos inteligentes em todas as fases e, apesar das imposições sociais, vamos tomando consciência de que os corpos são apenas um detalhe em nossas vidas. Estamos cada vez mais posicionadas nos cenários políticos, econômicos e sociais. A cada nova geração procuramos melhorar nossas condições de vida.

Esses homens que acham que sabem tudo estão ultrapassados, há muito tempo. Porém, deve ser complicado para um perfil masculino retrógrado, que usa mulher como um troféu para afirmar sua masculinidade, compreender que cada vez mais alcançamos a liberdade e queremos distância desse tipo completamente fora de moda.

#DesculpaBrigitte


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