colunistas do impresso

Meta a colher

Não podemos permitir que selvagerias se repitam todos os dias em muitos lares, onde dizem viver os homens que se consideram 'de bem'

As cenas chocantes dos ataques praticados pelo DJ Ives em sua ex-esposa Pamella Holanda escancaram, de forma cruel, a cultura machista que permeia a sociedade brasileira. Em uma das imagens revoltantes, outro rapaz presente nesse palco de horrores, não fez absolutamente nada para evitar que as investidas continuassem. A mãe de Pamella, que auxiliava a cuidar do bebê, mal consegue fazer um carinho em sua filha, logo após ela ter levado vários socos.

Sabemos que o machismo naturaliza violências contra as mulheres por parte dos homens, enquanto o medo imobiliza e cala muitas mulheres. Com raízes no patriarcado, a violência contra as mulheres é percebida tanto no espaço público quando dentro da sua própria casa, cometida por pessoas que deveriam amá-la e respeitá-la. São geralmente seus cônjuges, em quem ela confiou para formar uma família.

Não podemos permitir que selvagerias se repitam todos os dias em muitos lares, onde dizem viver os homens que se consideram "de bem". Não há nada de bom nessas situações que deixam marcas profundas no contexto de vida das mulheres. A ideia de que eles podem tudo e elas silenciam ou são tidas como loucas precisa ser rompida, definitivamente. Entretanto, ainda temos líderes que pronunciam discursos disfarçados de engraçadinhos, enquanto outros insistem em comentar que são ingênuos. Não há nada de inocente em quem considera que, depois de tantas lutas, as mulheres podem continuar sendo exploradas e, por exemplo, recebendo salários menores pelo motivo de que podem engravidar.

Precisamos trazer não só o debate sobre as violências de gênero, mas denunciar e punir os agressores. Avançamos com leis como a Maria da Penha, entretanto continuamos observando posturas inadequadas que tentam justificar, colocando a culpa na vítima.

E não estamos falando apenas das agressões físicas que torturam as brasileiras. Precisamos refletir sobre violência psicológica, sexual, moral, patrimonial. As pancadas que deixam marcas pelo corpo, em certa medida, favorecem com que se dirijam às delegacias para denunciar, pois sabem que serão mais acreditadas. Então, como estimular a denúncia de hostilidades que diminuem o valor das questões ligadas ao feminino nas quais as marcas não são aparentes? As relações desiguais de poder somada a impunidade dos agressores que fazem com que essas violências se perpetuem, aponta para a falta de discussão pública sobre esses fatos.

Pesquisa do Instituto Datafolha divulgou que durante a pandemia uma em cada quatro mulheres foi vítima de algum tipo de violência no Brasil. Dessas agressões, a maioria ocorreu dentro de casa e foi praticada pelo companheiro. São dados alarmantes, frutos do machismo impregnado em nossa sociedade. É incrível, mas ao invés dos agressores sentirem vergonha, são as mulheres que ficam encabuladas para delatar tais ocorrências. É preciso quebrar o silêncio.

O enfrentamento contra a violência na vida das mulheres deveria ser um dos principais compromissos dos setores públicos. No entanto, há um silêncio ensurdecedor sobre essas demandas, por parte de quem deveria estimular políticas públicas para coibir tais posturas, tais como o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos do governo federal.

Se você souber ou assistir uma situação de violência, meta a colher! Faça alguma coisa para salvar nossas mulheres.


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