colunista do impresso

Memórias de viagem

Como seria louvável se em todas as nossas cidades a palavra valesse mais do que a nota ou o recibo

Convidado para ministrar um curso de formação na cidade de Delmiro Gouveia, no Estado de Alagoas, fui uns dias antes, a convite do Dr. Aliomar, para conhecer o lugar. Foi um excelente convite!

No dia combinado, lá estava ele me aguardando no aeroporto de Maceió. De lá partimos rumo ao sul do Estado pelas suas praias. Pernoitamos na maravilhosa praia de Isabela, de onde se avista, especialmente à noite, a encantadora cidade. Na manhã seguinte, fui brindado com um passeio até a barragem do Rio São Francisco. Embarcamos num moderno catamarã e adentramos pelas águas do velho Chico.

Aí pude admirar as belezas da região dos cânions que despertaram emoções mil; encantei-me com as maravilhas da natureza, a imensidão das águas, as encantadoras falésias nos mais variados e artísticos formatos. Com certeza, foi uma das maravilhas que tive o privilégio de conhecer e banhar-me em suas águas como se fosse o sagrado Jordão. Ah! Quanta beleza neste querido Brasil, infelizmente, tão maltratado.

Depois daquele belíssimo passeio, tomamos o caminho de retorno cujo destino seria Delmiro Gouveia onde, no dia seguinte, teria a jornada de formação. A viagem transcorria encantadora pelas paisagens do cerrado, mas, especialmente, pelos interessantes conhecimentos sobre a vida e as aventuras de Lampião e Maria Bonita. Na verdade, conheci outra versão sobre Lampião que foi surpreendente.

Na entrada de uma pequena cidade, uma enorme escultura de um jacaré me chamou a atenção. Junto dela havia uma placa cujos dizeres assim estavam cunhados: "Jacaré dos Homens"!

Pedi ao condutor a gentileza de parar para fazer o registro e logo quis saber o significado. Com a peculiar calma e sabedoria, Dr. Aliomar foi logo explicando sobre o lugar e disse que logo adiante veríamos um pequeno riacho onde vivia um jacaré que se tornou o símbolo da cidade.

Nesse pequeno povoado conheci um grupo de comerciantes, por sinal muito bem sucedidos, que não costumavam e não aceitavam assinar notas ou recibo do que compravam e vendiam, pois diziam que a palavra era a nota. Para eles a palavra era a marca do lugar e, em lugar do recebido, cunhavam a imagem do jacaré. Um dos comerciantes falou que o povoado virou vila e a vila tornou-se município, mas guarda até hoje essa tradição, "aqui cumpre-se a palavra, ela vale mais que um papel". Assim conheci Jacaré dos Homens!

Como seria louvável se em todas as nossas cidades a palavra valesse mais do que a nota ou o recibo. Como seria diferente se Jacaré dos Homens não fosse só uma pequena cidade quase perdida no interior do Alagoas, mas houvesse muitos "jacarés dos homens" em nosso país.

Desejo que esta pandemia, o sofrimento vivido pelo isolamento social e pelas dificuldades sem a convivência presencial e social, sirvam para que tenhamos uma mudança de postura e nos ajudem a valorizar a palavra assim como acontece no longínquo Alagoas.

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padre xiko


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