colunistas do impresso

Inflação e superávit

A renda das pessoas, salvo algumas exceções, não teve qualquer aumento

As notícias apontam que a arrecadação federal atingiu R$142,1 bilhões no mês de maio e R$ 137,9 bilhões em junho. Comparando a arrecadação de junho deste ano com a do ano passado e, observem bem, descontando a inflação, houve um ganho arrecadatório de 46,77%, ou seja, ganho real. Estes dados são públicos, foram divulgados pela imprensa e são de simples comprovação.

Enquanto isto, a inflação se mostra novamente agressiva e a renda das pessoas, salvo exceções, não teve qualquer aumento, ou cresceram menos do que a inflação.

Por outro lado, está em gestação uma reforma tributária, que sob o argumento de reduzir a carga de impostos, em especial o Imposto de Renda das pessoas físicas, traz embutida uma formula perversa que desonera por um lado, mas, por outro, traz um novo tipo de cálculo que, ao fim e ao cabo, penaliza mais fortemente em especial a classe média.

Noves fora a aprovação ou não da reforma tributária, a inflação crescente é benéfica para os governos, todos eles, federal, estaduais e municipais. O aumento dos preços sobre os quais incidem impostos, como ICMS, ISSQN, etc. fazem crescer os percentuais recolhidos como impostos. A arrecadação cresce, em proporção direta à redução do poder aquisitivo das pessoas. O assalariado ganha a cada mês um valor de compra menor, pois seu salário é o mesmo, mas por conta da inflação o que ele pode adquirir, dependendo do índice de cada mês, é cada vez menos produtos e serviços com a quantidade de dinheiro que recebe. O poder público não.

O aumento dos preços aumenta proporcionalmente a arrecadação.

O Ministro da Economia, Paulo Guedes, costuma saudar a estimativa do crescimento do PIB como grande conquista. Mas não responde à pergunta: se o PIB cresce: aumenta a capacidade de consumo das pessoas? Não responde, talvez, porque os jornalistas econômicos não lhe perguntam. A resposta, todavia, deve ser não.

O Produto Interno Bruto (PIB) representa a riqueza do país como um todo, mas isto não significa que esta riqueza, ou abundância beneficie o povo. No caso brasileiro, esta riqueza está de tal forma concentrada num ínfimo percentual da população, que buscar como meta única o aumento do PIB é uma desfaçatez.

A população está cada vez mais pobre. O país que se jacta de ser a pátria do "agro", joga sua população na carestia em favor de exportar para fortalecer o PIB e garantir maiores ganhos aos que dificilmente perdem.

Os preços do gás de cozinha, da carne, do óleo de soja, para ficar em apenas três exemplos, vêm tendo aumentos pornográficos, devolvendo grande parcela de pessoas à volta do fogão à lenha, à falta de proteínas e à fome. Mas parece que isto não interessa. Não importa, como se dizia antigamente, se iremos morrer de fome na porta do açougue.

Importa o superávit e a luta pelo poder de alguns em dominar os muitos sem dó nem piedade, extrair-lhes tudo que puderem. É o Brasil!


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