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opinião

Fake news

02 Março 2018 13:51:00

Aproximam-se as eleições e, ao que tudo indica, o anunciado combate às 'fake news' pode ser algo superficial



Donald Trump cunhou a expressão "fake news" para atribuir falsidade ou manipulação de notícias. A expressão ganhou repercussão mundial e está sendo largamente utilizada para caracterizar aquilo que o escritor tcheco Milan Kundera chamara, há mais tempo, de imagologia. 

A imagologia seria, como a "fake news", fruto de várias fontes: governos (vide o que faz o governo federal ao propagandear a Reforma da Previdência como poderoso elixir para todos os males nacionais, lembrando os velhos camelôs que em praça pública alardeavam efusões milagrosas que curavam desde unha encravada até sífilis). Também podem ser fontes de "fake news" as agências de publicidade, assessores de imprensa de políticos, artistas, empresas, marqueteiros eleitorais etc.; Enfim, todos aqueles que podem ter acesso aos meios de comunicação para difundir o que lhes interessa da forma que desejam. Os imagologos ou divulgadores de "fake news" inculcam na população, mediante a repetição de "notícias", imagens e opiniões daquilo que é do interesse de seus clientes.

A "fake news" não nasceu neste milênio, sempre foi instrumento concorrencial, seja em guerras bélicas, comerciais ou políticas. Hoje, entretanto, o que as fazem mais preocupantes é a facilidade com que são divulgadas e o universo de pessoas alcançadas. Não se sabe mais, diante de um fato divulgado, se aquilo é realidade verdadeira ou simplesmente um fato inventado ou manipulado, isto é, um produto de produção industrial de fatos virtuais.

Não sejamos ingênuos, mesmo empresas de mídia, que se ufanam de dizer-se neutras, através de suas editorias selecionam as notícias a serem divulgadas, excluindo aquelas contrárias à sua orientação empresarial e turbinando aquelas que lhes são favoráveis. Mas não é só, com frequência maquiam a notícia para dar-lhe um tom mais positivo ou negativo. Há casos, também, de notícias requentadas, já divulgadas mas que permanecem no noticiário como se fosse um mantra.

É neste emaranhado que estamos presos. Nossa condição de eleitores e consumidores está manietada, levando-nos a agir de acordo com o que nos é inculcado pela propaganda explícita ou implícita em aparente fato noticioso, ou subliminar como no merchandise. Pensamos o que outros nos dizem o que pensar.

A demagogia, entendida como a arte de manipular ou agradar à massa popular, hoje em dia, está industrializada, e, no campo político, já é quase regra que após a eleição concluamos que nossa escolha recaiu em alguém inexistente, virtual, fruto da imagologia, que, após o pleito, é substituido por um ser de carne e osso, que não possui a capacidade, a honorabilidade e os pensamentos que foram anunciados no pleito e que nos induziram a votar.

Aproximam-se as eleições de outubro e, ao que tudo indica, o anunciado combate às "fake news" pode ser (quem duvida?) algo muito superficial para evitar que programas de computador repliquem notícias falsas nas rede sociais. Falta explicar como será o controle das "fake news" patrocinadas pelos candidatos em programas de rádio e televisão. Também não se fala em controle das editorias das empresas de jornalismo. Podemos estar diante de mais uma imagologia, ou seja, o alardeado combate às "fake news".


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