colunistas do impresso

Estupefação

Em época alguma de nossa vida como Estado independente, tivemos uma política externa tão contraproducente

Estupefação é uma palavrinha para lá de enjoada, mas estupefato é como eu me sinto diante do que vejo, leio e ouço neste nosso amado Brasil bolsonariano, no qual princípios elementares de civilidade e de boa educação ficam à margem do discurso oficial e das narrativas construídas pelos acólitos e seguidores que o propagam.

Como nunca, usam-se falácias e meias verdades para justificar incapacidade gerencial e ignorância política. Como nunca, abusa-se do obscurantismo, dele fazendo-se caminho para o caos institucional. Como nunca, nem nos tempos escuros da ditadura militar, criam-se tantos factoides e fomenta-se de forma tão virulenta o ódio às divergências, às diferenças, ao racionalismo mínimo e aos valores que a ciência ao longo dos séculos de experimentação sedimentou como verdades técnicas irrefutáveis. Como nunca, criam-se mitos de araque.

Como nunca, usurpam-se a bandeira e as cores nacionais, como se propriedades fossem de uma parcela exclusiva da nacionalidade em detrimento de todas as demais; como nunca, negam-se as obviedades nascidas da experiência acumulada em longas caminhadas pelos séculos e as lições da História.

Mais do que em qualquer época, fomenta-se o doentio culto à personalidade e abraça-se o populismo mais tacanho e mais refratário ao progresso e a quaisquer possibilidades de desenvolvimento socioeconômico. Como se não bastasse tudo isso, difunde-se o gosto pela ausência de decoro nos ambientes públicos em que a chamada liturgia do(s) cargo(s) impõe regras universalmente aceitas de mínima civilidade.

Nos aproximamos celeremente de impressionantes 500 mil mortos em razão da pandemia da Covid-19 e sequer se vê um gesto, pequeno que seja, de respeito pelas vítimas e seus familiares por parte de quem, por ação ou por omissão, contribuiu sim para essa enorme tragédia humana.

Em época alguma de nossa vida como Estado independente tivemos uma política externa tão contraproducente, tão nefasta, tão danosa aos interesses nacionais. Em época alguma de nossa História fomos tão ignorados, tão desconsiderados pela comunidade internacional. Como nunca antes, somos motivo de piadas e galhofas pelo mundo afora. Somos hoje, aos olhos do mundo, um país caricato, que às evidências científicas aceitas por todos, faz da cloroquina cavalo de batalha nas discussões e debates sobre a pandemia.

Em dois anos e meio, regredimos décadas e avanços sociais e econômicos duramente conquistados foram e estão sendo postos de lado, jogados no lixo, e sairemos desse período trevoso muito pior do que entramos como nação que se propunha à luta por valores humanistas, por desenvolvimento sustentável e pela minoração dos terríveis efeitos da má distribuição da renda e da riqueza nacionais. O desemprego e a miséria resultantes da ausência de políticas públicas compatíveis com as necessidades nacionais atrasarão nossa chegada ao futuro que sonhamos. Mas ainda há tempo de evitarmos a derrocada total. Ano que vem, tem eleições.


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