colunistas do impresso

ESA e UFSM

Se não valorizarmos o que temos, não é razoável chorar pelo que poderíamos ter

Santa Maria não receberá a Escola de Sargentos das Armas. Não por falta de vontade de autoridades e população local. Não lembro de outra tão grande mobilização na busca de um objetivo. A cidade esteve, visceralmente, envolvida, tendo cumprido todas as exigências necessárias que dependiam do município; também buscou "agradar" aos comandantes militares para que se sensibilizassem com o interesse local.

O município ofereceu contrapartidas administrativas e legais, alterou o Plano Diretor e, frustrada a expectativa, as concessões feitas estão consumadas, sem que o resultado fosse obtido.

Sempre foi dito que "a escolha seria técnica". A comunidade agia como se conhecesse os requisitos técnicos e se iludiu de que seria a escolhida.

Ora, se escolha seria, e creio que foi, técnica, desconhecíamos algum requisito. É sabido, mas não levado em conta, que o Exército, gradativamente está deslocando suas forças do extremo sul do país. Nas últimas décadas, já foram transferidos para outros Estados, unidades militares que aqui estavam sediados. O que justificava a presença maciça de tropas por aqui era o temor de uma guerra com a Argentina, hoje absolutamente improvável. Recife, por seu turno, é mais centralizada geograficamente. Elementar que atende melhor o afluxo de alunos de todo o Brasil, além do fato de contar com aeroporto e vários voos diários ligados a malha aeroviária nacional.

Logo, se a escolha foi técnica, salvo algo que desconheça, estávamos iludidos de que o "carinho" expresso aos que teriam que decidir seria decisivo. Não foi, nem poderia ser.

Alguns dizem que a decisão teria sido política ou eleitoral (repito, não creio nisto). Seria grave e lamentável se decisão tão importante fosse decidida por compadrio, mesmo ao nosso favor. O certo é que a questão está definida. Inês é morta!

Tudo isto me trouxe à relação da cidade com a UFSM, que parece ser uma questão mal resolvida.

Tivemos três ciclos de desenvolvimento, ferroviário, militar e universitário. Os dois primeiros vieram devido as condições geográficas do município. A UFSM, foi graças a tenacidade e persistência do Prof. Mariano da Rocha. Ao longo dos anos parece haver um distanciamento entre a instituição universitária - que possui orçamento muito superior ao próprio município - que, sem qualquer dúvida pode e deve agregar mais para o desenvolvimento local.

Seria bom integrar de fato a Universidade e a cidade que lhe empresta o nome, promovendo uma reaproximação entre instituição e município em torno de pautas e projetos comuns, privilegiando o que já temos, mas não tiramos as vantagens possíveis. O fortalecimento da UFSM é pedra de toque para o desenvolvimento da cidade. Os cortes de orçamento e verbas, que ano após ano vêm sendo aplicados à universidade, somados, seguramente, são superiores ao investimento que não veio com a Escola de Sargentos.

Se não valorizarmos o que temos, não é razoável chorar pelo que poderíamos ter.


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