colunistas do impresso

Educação Básica, atividade essencial?

Com todo respeito, dá até para desconfiar de tanta preocupação, de tanto zelo pela educação, pelas crianças

Sim. Concordo plenamente com aqueles(as) que defendem que a Educação Básica é uma atividade essencial. Mas então vamos conversar sinceramente sobre isso. Para começar, parece que de uma hora para outra alguns iluminados(as) fizeram essa grande descoberta. Como diz um velho amigo e professor do Alegrete: "Tomaram muito Toddy esses guris". Foi preciso acontecer a maior pandemia do século e mais de 450 mil mortes, só no Brasil, além de tantos sofrimentos para que essas mentes brilhantes chegassem a essa conclusão. Com todo respeito, dá até para desconfiar de tanta preocupação, de tanto zelo pela educação, pelas crianças e alguns ainda carregam no discurso e se dizem muito preocupados com as crianças mais pobres. Ora me poupem! Contem outra senhores(as) gestores(as). Faz-se necessário dizer também que tem muitos pais, que não são professores(as), que aderem a esse discurso.

Vamos fazer um rápido exercício para que cada um daqueles(as) que dizem que a Educação Básica é uma atividade muito importante, a ponto de ser considerada atividade essencial, possa refletir sobre essa afirmação. Refiro-me a Educação Básica nas escolas públicas no Brasil. Vamos a algumas perguntas bem simples. (1) Quem sabe qual o valor médio do salário de um professor da educação básica da rede pública?; (2) Quem sabe o piso salarial para 20 horas de um professor com graduação ao ingressar na carreira?; (3) Quem sabe quantas horas de trabalho em sala de aula precisa ter um professor com um contrato de 40 horas semanais de trabalho?; (4) Quem sabe que atendimento à saúde recebe do Estado ou município esse profissional?; (5) Com quantos anos de efetivo exercício de trabalho esse profissional pode se aposentar?; (6) Quais os incentivos que esse profissional recebe do poder público para continuar estudando e se aperfeiçoando profissionalmente?; (7). Alguém sabe o valor que um professor da educação Básica da rede pública recebe de diária quando viaja a trabalho ou para participar de alguma atividade oficial?; (8) Quem conhece as condições de trabalho dos professores da Educação Básica das escolas públicas?; (9) Quem já visitou, pelo menos uma vez, as dependências de uma escola pública de sua cidade? Fez-se isso, peço que faça uma rápida comparação, por exemplo, com as instalações de um banco público, do Legislativo ou das dependências do poder Judiciário; (10) você sabe em média quantos planejamentos de aula um professor precisa fazer nesses tempos de "ensino remoto" ou "ensino híbrido?" Lhes digo: mais de 20 para um professor de 40 horas semanais e (11) para finalizar, em tempos de Covid-19, só após 14 meses de pandemia os professores e demais trabalhadores da educação começam a ser vacinados como parte do grupo prioritário.

Depois de respondidas essas simples questões, poderíamos começar uma franca, sincera e honesta conversa sobre a essencialidade da Educação Básica em nosso país. E no quesito educação esse não é um país qualquer. Afinal, quantos países no mundo tiveram o privilégio de ter em sua história um professor e educador como Paulo Reglus Neves Freire (1921-1997). Diga-se que no dia 19 de Setembro desse triste ano pandêmico, se vivo fosse, Paulo Freire estaria completando 100 anos. Em certa ocasião, ao desembarcar do avião aqui no Rio Grande do Sul, aonde vinha para uma conferência, lhe perguntamos o que esperava dos dirigentes e políticos desse país e ele, coçou a longa barba e respondeu mansamente: "Olha seu menino, queremos pouco, apenas que nos respeitem". Eita cabra da mulesta esse professor nordestino e brasileiro Paulo Freire, atualmente tão perseguido por certas mentes retrógradas e, ao mesmo tempo, tão "homenageado" por freireanos de ocasião.


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