colunista do impresso

Dia das Mães + Pandemia + Melancolia

Quem tem a sorte fantástica de ainda ter a mãe viva não se queixe que vai almoçar longe dela

 

No próximo domingo, será comemorado mais um "Dia das Mães". Talvez uma  das datas mais importantes  para o  comércio, segundos especialista na área. Mas é  importante pela oportunidade em si que todos têm de manifestar-se às suas genitoras. Por gestos, palavras, cartas, telefonemas, e-mails e presentes materiais. Querendo demonstrar todo carinho, agradecimento, respeito e veneração por aquela que lhes deu a vida.

Desde a criação deste dia especial, os restaurantes ficaram lotados, pois reservas eram feitas com antecedência de muitos dias. Filhos e netos superlotavam rodoviárias e aeroportos viajando para a cidade da sua mãe. Ou aumentando o trânsito nas estradas com o aumento dos carros particulares transportando filhos para homenagear mamães residentes em outras cidades. Muitos filhos e filhas escolhendo este dia para apresentar à mamãe o seu(sua) namorado(a) para receber a aprovação da futura sogra.

Enfim, era assim o mundo e o dia das mães...Até o aparecimento da pandemia do coronavírus-19! Filhos ficarão afastados das mães com medo do contágio. Seguindo a recomendação dos infectologistas e epidemiologistas. Mensagens serão trocadas por vídeo. Messenger. Whatsapp. Telefone. Alguns buzinarão o carro e se verão da rua e abanarão da janela ou da sacada do apartamento. Alguns mandarão entregar flores, se é que elas ainda existem com esta falta de chuvas. Talvez outros mandem entregar um café da manhã.

Aqui em casa, dolorosamente, pela primeira vez não faremos o tradicional almoço em família. Quando os filhos, genros, nora e netos todos se reuniam - vindos de todos os cantos - para homenagear a Vera Maria, a mãe mais dedicada que eu conheço. Almoçaremos só eu e ela. Porque é preciso obedecer à ciência, à medicina, à nossa médica. Porque temos amor às nossas vidas.  Porque temos respeito pelas vidas dos nossos vizinhos, amigos, colegas, pessoas em geral. E principalmente porque queremos ter a oportunidade de viver mais anos para ver as vitórias de nossos netos. Já suportamos tantas coisas. Vamos suportar mais esta.

Quem tem a sorte fantástica de ainda ter a mãe viva não se queixe que vai almoçar longe dela! Porque se ela está viva, você ainda pode telefonar. Ouvir sua voz querida. Pode vê-la no vídeo do celular ou computador. Abanar para ela. Ver sua face emocionada. E suas lágrimas. Ir com seu carro e abanar para ela lá no terceiro andar do prédio onde aquela figura de cabelos brancos mora. Você pode fazer tudo isso. Você tem sorte.

Porque eu não posso mais fazer isso. Desde 28 de julho de 2016. O dia triste em que minha mãe morreu.


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