colunistas do impresso

Conflito de ideias

A história da torre é um exemplo de que conflitos de ideias e de opiniões sempre existiram

Há exatos 122 anos, em comemoração ao centenário da Revolução Francesa, foi inaugurada a Torre Eiffel. A construção, também conhecida como a Dama de Ferro, foi projetada pelo engenheiro Gustave Eiffel, que ganhou o concurso para criar um monumento no amplo parque "Champs de Mars". Ele seria o "portão" de entrada para as pessoas que visitassem a Exposição Universal de Paris, evento que celebrou a pujança da indústria, o reconhecimento do ferro e a diversidade das culturas, com pavilhões de países de todo o mundo. O projeto fez surgir numerosos opositores que consideraram a Torre como uma ameaça à estética da cidade. Entendiam que ela, além de inútil, era brutal e monstruosa demais para ser bonita e iria desfigurar a elegância e a beleza refinada da cidade.

É totalmente compreensível que certas pessoas temessem que a construção com dimensões tão grandes abalasse a visão da cidade. Também, não podemos dizer que os artistas e escritores franceses opositores à obra, na época, estavam errados, pois, ela não refletia os padrões de beleza da época. Apesar dos protestos e críticas ela foi construída e em 31 de março de 1889, Gustave Eiffel, subiu os mais de 1.700 degraus e hasteou a bandeira francesa no topo da torre que, na época, tinha 276 metros de altura (hoje, com 324 metros, em decorrência da instalação de antenas de rádios e TVs).

A obra tinha prazo de permanência no local. Quando o contrato expirou, em 1909, a Torre Eiffel deveria ser demolida, mas o seu valor como uma antena de transmissão de rádio e, principalmente a sua aceitação pública a salvou. A grande maioria das pessoas, como era de se esperar, ficou espantada com a grandiosidade e beleza da estrutura. Alguns que haviam protestado, reverteram sua opinião. Outros mantiveram seu descontentamento, o escritor Guy de Maupassant foi um deles. Quase que diariamente ele almoçava no restaurante do primeiro andar da torre, quando perguntado por um jornalista do "por quê?", visto manter sua contrariedade para com à obra, ele respondeu: "É o único lugar de Paris onde não a vejo".

Hoje, não conseguimos imaginar Paris sem a Torre Eiffel, ela se tornou uma referência para a cidade como ponto de encontro, de turismo e de convivência. A sua importância é inquestionável. Qualquer ser humano se rende a sua magnitude e imponência.

A história da torre é um exemplo de que o conflito de ideias e de opiniões sempre existiu. Que a polêmica é elemento constitutivo, principalmente da sociedade democrática e por ser recorrente ela, também, tem certa função social. Ela assegura o posicionamento, o dissenso e o protesto, além de propiciar elos sociais entre os "a favor" e os "contras". Por outro lado, ela, também, é uma prova de que, em certas situações, não existe bonito ou feio, certo ou errado, melhores ou piores, existem, sim, pontos de vista diferentes que podem conviver harmonicamente, sem a necessidade do consenso e muito menos do confronto.

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