colunistas do impresso

Angarita, meu Amigo

Os juristas amam o longe e as miragens. Pouco, um quase nada se envolvendo na e com a realidade

Quase cinquenta anos! Desde 1972 eu, que nunca tive irmão de sangue, tomei-o como irmão mais velho. Mais de uma vez Angarita - Antonio Ignácio Angarita Ferreira da Silva - deu-me a palavra certa, no momento exato. Com a franqueza absoluta de irmão.

Irmão mais velho é aquele cujas façanhas exultamos. Tenho histórias deliciosas por aí. Desde uma memorável viagem ao Caraça e Belo Horizonte, por conta de um seminário de professores de Direito Econômico organizado por Washington Albino Peluso de Souza. A Tiradentes, cá em casa, e a nossos encontros na EAESP, momentos inesquecíveis.

Os juristas amam o longe e as miragens. Pouco, um quase nada se envolvendo na e com a realidade. Por isso não direi que Angarita é jurista. Em não o ser ele deu marca registrada à EAESP. Estar na realidade e não flutuando sobre e para além da realidade. A EAESP, por ele criada, não seria o que é/como é sem a visão, o modo de ser do direito intruído na realidade, qual por ele esculpido. Seria outra, menos real, sem o pensar e as mãos --- porque o pensar sem ação é um nada --- do meu amigo.

Capaz de compreender que o modo de produção social em que estamos inseridos conserva recriando, de sorte que o velho passe a ser contemporâneo ao atual, sem romper com o que lhe serve. Compreender que para isso foram feitos os juristas, adequados, como são, à contínua recriação do direito e suas normas. Arrancando dos textos antigos normas compatíveis com a realidade. Termos dela consciência --- da realidade --- mantendo o senso crítico, isso nos aproxima da esperança. Por isso somos irmãos na esperança que há de estar sempre em nós.

Nossa fraternidade nasceu há cinquenta anos, mas nos mantemos permanentemente próximos por conta de múltiplas razões. No início dos anos setenta, quando na Secretaria de Cultura, Ciência e Tecnologia do Estado de São Paulo era o Chefe de Gabinete do doutor José Mindlin. Belos momentos de convivência humana e intelectual ao lado dos dois e de Flávio Bierrenbach e Celso de Mello que eu reencontraria anos depois em Brasília, no Supremo Tribunal Federal.

Em nossos almoços das sextas-feiras vivíamos horas e horas a relembrar momentos de convivência fraternal. Com amigos que se foram para o Céu e outros que por cá permanecem.

Angarita ensinou-me, desde um poema de Eduardo Alves da Costa, a dizer alguma coisa - gritar! - quando, em uma primeira noite, os de sempre se aproximarem para colher flores que não lhes pertencem.

Nada mais me comove na nossa idade, ele um pouco mais velho do que eu, do que relembrar o afeto e a realidade que aproxima e aconchega seres humanos. Nada a propósito do dever ser para além (ou para aquém) da realidade. O que importa é sermos fraternos seres humanos unidos, para sempre, pela Amizade.


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