colunista do impresso

A latinha do Natal: da praça ao Cadena

Pensas no lixo que produzes? Separas teus resíduos? Tens claro que ele interfere na vida de todos?

Natal, intensa programação na Praça Central, bate-papo, lanche, encontro de (des)conhecidos, e montanha de lixo ao lado do coletor. No desdobrar das apresentações uma aluna da maior/idade pergunta: o que poderíamos fazer para ver aonde vão parar as sobras desta festança? Observamos com o propósito de encontrar a resposta na próxima aula. 

Nem bem entrei e a discussão corria solta na sala de aula. Parei, escutei, perguntei: deste lixo, qual é o objeto que mais lhes preocupa? A resposta foi unânime: as latinhas.

Com o objeto do dissabor desvelado, nos cabia decidir o que fazer, como e onde usar o que produziríamos? Após muita argumentação, optamos por marcar com spray uma lata que estivesse no chão, filmar sua trajetória, transformar num audiovisual, e apresentar aos interessados.

No dia agendado, no lugar marcado, nos encontramos munidos de filmadora, máquina fotográfica, gravador, tinta, lanche e disposição para ver se o mundo das nossas ideias se concretizaria no da matéria, a motivação era grande.

Marcada a lata, grupo dividido, iniciamos a ação na expectativa do resultado. O dia era de vento, sol e movimento. Logo a lata começou a andar e o grupo a trabalhar. Pelo trecho e tempo que ela percorria, concluímos que ficaríamos envolvidos por horas, pois o combinado era acompanhá-la até aonde não pudesse mais andar. Nos reorganizamos, redistribuímos tarefas, turnos, e fomos em frente. Depois de 47 horas ela mergulhou no Cadena.

De posse do material, nos assessoramos com um professor da área. Tivemos oficinas para tratar nossos achados, concluir o projeto e divulgar. O professor se encantou com o que vira e sugeriu que o inscrevêssemos na Mostra Estadual de Produção sobre Meio Ambiente que estava com inscrição aberta. Achamos muito, mas ele insistiu, e nos encorajamos. Recebemos Mérito 3ª Idade e convite para a Mostra de Meio Ambiente do Festival de Gramado. Dali para Porto Alegre, Palmas, Manaus, Ilhéus, escolas, grupos, igrejas... Discutimos muito e nunca soubemos se havíamos produzido um curta, um documentário ou um vídeo, pois cada especialista o adjetivava conforme seu olhar.

Como nada dura para sempre, nosso trabalho transformou-se em cinza. Ficava arquivado num local que incendiou, não tínhamos copias, acreditávamos que nosso tesouro estava protegido.

Lembrei deste fato, porque: vem outro Natal com eventos na praça; vejo a Educação Ambiental bombando, projetos de lixo seletivo a todo vapor, 50 contêineres laranja pela cidade; mas as latas seguem jogadas, ajudando a poluir o Cadena; e nosso dever da sustentabilidade passando longe da disponibilização de nossos descartáveis a quem os usa como fonte de renda.

Caro leitor, pensas no lixo que produzes? Separas teus resíduos? Tens claro que ele interfere na vida de todos?


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