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opinião

A árvore de Natal

06 Fevereiro 2018 14:00:00

E, agora, parece, chegou para ficar, perene, eternizada no verde-oliva de seu artesanato de gosto duvidoso


Dentre tantos valores característicos da cultura europeia - fundamentados ou não na religiosidade - que importamos sem filtros ou restrições estão aqueles ligados à simbologia natalina, como a árvore de Natal, cuja origem remonta aos povos pagãos vizinhos do mar Báltico, que, depois, foi incorporada à tradição cristã, no século XVI.

Uns atribuem a criação da moderna árvore natalina a São Bonifácio; outros, a Martinho Lutero. Isso não importa. O importante é que a árvore de Natal chegou à Praça Saldanha Marinho, no centro de nossa amada Santa Maria da Boca do Monte.

E agora, parece, chegou para ficar, perene, eternizada no verde-oliva de seu artesanato de gosto duvidoso.

Mas não é de concepções estéticas ou da comparação com a árvore montada na administração anterior que quero falar, embora, repito, eu a ache de gosto duvidoso. Não, isso não é verdade, não a acho de gosto duvidoso. Na real, eu acho a árvore feia. Também isso não corresponde à verdade. Na realidade, eu penso que a árvore de Natal da Praça Saldanha Marinho, para ficar feia, precisaria melhorar um bocado.

Bem, como afirmei, não é da beleza ou da feiura da árvore que quero falar. Quero falar é do descaso - e não vale contra-argumentar que a responsabilidade pela retirada não é da Prefeitura - que significa chegarmos ao dia 6 de fevereiro com a dita cuja montada e sobranceira no ponto mais central da cidade, sem qualquer razão que justifique tal permanência, quando, reza a tradição, no Dia de Reis (6 de janeiro) deveria a mesma ser desmontada.

Ora, se não há motivo que justifique a permanência, como, por exemplo, beleza ímpar, feérica iluminação, irresistível atração turística etc, por que razão mantê-la ereta e desafiante? Minha conclusão é que tal fato decorre do descaso que a administração municipal dedica às coisas menores, mais simples de nossa comuna. Quem deixa a árvore ao deus-dará, deixará também ao deus-dará os pequenos buracos em frente de minha casa até que eles virem crateras ou o chafariz da praça; não zelará pelo conforto que espero do transporte público urbano e deixará que as macegas e o mato tomem conta dos canteiros das praças e das avenidas.

Muitas vezes, os administradores não se dão conta de que a coletividade não quer obras grandiosas ou soluções definitivas para problemas estruturais graves. As pessoas querem ser acarinhadas e esse acarinhamento pode se revelar nas coisas pequenas, como a rua sem buracos, a escola pública bem cuidada, o transporte que atenda as necessidades de circulação da maioria, mínima segurança, espaços de lazer organizados, postos de saúde, creches, enfim, essas obrigações fundamentais dos entes públicos federativos. Tais aspirações, como se vê, na maior parte das vezes, não demandam recursos vultosos, obras faraônicas ou inchaço da máquina pública.

A coletividade quer, para viver, uma cidade aprazível, bonita, com as floreiras do Calçadão floridas e não tomadas pelo mato, com o velho chafariz da praça central funcionando, uma cidade, enfim, onde seja gostoso circular, apesar de todos os problemas que precisamos enfrentar e que extrapolam a responsabilidade do município.

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