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colunista do impresso

É tudo mentira daqueles americanos!

Eles tavam era mesmo pisoteando uns hectar de várzea lavrada no Alegrete

A humanidade inteira comemorou não faz muito os 50 anos da chegada do homem à lua, no lombo fervente da Apolo 11. Minto. Desculpa, não foram todas as pessoas. Boa parte jura até hoje ao pé dos confessionários e sacristias do interiorzão que tudo não passou duma empulhada. Bem produzida, é verdade, mas farsa da grossa, coisa talvez daquele diretor de cinema de Hollywood, o tal de Steven Spielberg. Para quem ensinou até chupa-cabra a andar de monareta pelos ares não custava nada fabricar no estúdio a historinha do bordejo lunar na minguante.

Pois logo após o ocorrido, isso no inverno de 1969, proseavam na beira do aramado divisório o Ambrósio das Neves, capataz da Cabanha Azul, dos Macedo lá de Uruguaiana, e o Oracildo Charão, peão da estância lindeira, a Tarumã. Ambrósio, adulão dos Macedo desde guaxinho, já chegou na conversa peitando o companheiro de lida bruta:

- Escuta aqui, ô Oracildo, não me diz que tu também é bocó de acreditá que aqueles homenzinho, com macacão de bombeiro e capacete igual a um aquário emborcado, foram naquelas lonjura, em viagem sem baldeação?

- Olha, enquanto não me derem prova e contraprova do invencionismo, eu sigo na crença, disse o Oracildo, mirando a cunheira do céu, enquanto fechava um palheiro que mais parecia um moirão de angico.

E voltou à carga o Ambrósio:

- Me admiro de ti, um homem cheio de neto e devoto de São Crispim, levar adiante bobagera tão entaipada. Pois vou te dá a mostra do pano. Uma, não. Duas. Primeiro, aquilo que apareceu na televisão não tinha jeito de lua. Eles tavam era mesmo pisoteando uns hectar de várzea lavrada lá pros fundo do Alegrete. Lavrada e já globeada, apenas no aguardo da plantadeira. Isso quem me disse, e não pediu segredo, foi o bodegueiro Zeca Bigode, que deu de cara com aquela gente entrouxada quando caçava tatu, e meio que se assustou com tanta luz e um gritedo fala-fina que ele não entendia bosta nenhuma. A pisada que o retratista fotografou como sendo do coturno do astronauta era, na verdade, da bota Sete Légua do Zeca Bigode, quando largava fincado pelo matagal.

- Tá, mas falta a segunda, indagou curioso o Oracildo.

- Pois te respondo de vereda. Todo o Brasil, e mais um bom pedaço de Santa Catarina, conhece a família Macedo, dona da metade de Uruguaiana, isso atirando por baixo, e mais léguas e léguas no Bororé, tudo terra de arroz desinfestada de inço. Pra te dar uma inópia da força do carvão de pedra dos munaia, eles compraram o sobrado do velho Fidêncio Dorneles só pra guardá os troféu que levantaram na Expointer. E ainda faltou casa!

E cravou até o cabo da prateada o argumento fatal:

- Raciocina comigo, animal véio: se os Macedo, que são os Macedo, com todo o dinheiro que têm ensacado no banco agrimer, não foram na lua, tu acha que os americano iria? Baita atochada daqueles infarento!


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