pandemia

O 2021 é, até aqui, uma reprise piorada do ano passado

Colunista fala sobre o colapso das redes pública e privada de saúde a corrida por salvar vidas

Há mais de cem anos, o mundo foi acometido por uma peste, a gripe espanhola, que colocou o planeta de joelhos. Estima-se que, pelo menos, 50 milhões de pessoas morreram. Isso foi em 1918 e, obviamente, que sem recursos tecnológicos e de comunicação, a preocupação de todas as pessoas era saber o que afinal era aquele mal que se apossou de todos os continentes e matou pessoas como moscas. As fotos, as notícias e os relatos - tudo ainda vivo e possível de ser acessado - nos trazem um cenário do que vivemos hoje: hospitais em colapso (sem recursos humanos e de estrutura); ruas desertas; valas sendo abertas para sepultar os milhares que caíam dia após dia; e, igualmente, dramático o quadro de pobreza agravado. À época, o que hoje chamamos de auxílio emergencial, se resumia a dar pão e sopa aos miseráveis.

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CRENDICES 

Na corrida por salvar vidas, no auge da gripe espanhola, também surgiram medicamentos milagrosos. Se hoje, há compostos e mix farmacológicos, naquela época, a aposta girava em vinagre de frutas, fórmulas à base de formol, canela e até flores de jasmim amarelo para "curar" os enfermos. As crendices populares eram disseminadas, em um estágio embrionário do que hoje são as fake news, como uma forma de dizer que elas poderiam salvar vidas. Desta forma, xaropes, purgantes e canja eram dados como receitas para curar os doentes. 

No Brasil, daquela época, as autoridades governamentais e sanitárias também minimizaram, inicialmente, o começo da peste por aqui. Uma demonstração de que a história, sim, se repete. A exemplo do que vemos hoje, o governo central, à época, havia uma recusa inicial em classificar a gripe como a Influenza. O presidente da época Rodrigo Alves, inclusive, morreu de gripe espanhola. Importante dizer que, antes mesmo da peste espanhola, foi ele quem designou o médico e sanitarista Oswaldo Cruz para melhorar as condições sanitárias do Rio de Janeiro, que era a capital federal.

Oswaldo Cruz deflagrou uma ampla reforma sanitária e combateu a febre amarela, a peste bubônica e a varíola. Hoje, talvez, Oswaldo Cruz seria chamado de "chinês comunista" com o agravante: comedor de mortadela.

NEGAÇÃO 

Por aqui, no Brasil de 2021, as coisas vão de mal a pior: colapso das redes pública e privada de saúde, pessoas morrendo por falta de leitos e insuficiência de oxigênio, a miséria que bate à porta e à mesa de brasileiros que se viram, de uma hora para outra, sem renda e emprego e, agora, sem ter o que comer.  

As crises são cíclicas e a história - carregada de um passado, que nunca deveria ser negligenciado - precisa estar latente em nossas cabeças. O momento, tanto o do presente quanto o do passado, evidencia, um entendimento secular de Marx, que diz que os homens fazem a própria história, ainda que não escolham como isso ocorrerá. Com quase 260 mil mortos, negacionistas, terraplanistas e espécimes que saíram, infelizmente, do mundo virtual para o mundo real, tiram o nosso oxigênio com a virulência, beligerância e desdém à vida.

Estamos envoltos de um vírus que nos sufoca, no corpo, e na alma. Todos nós, tenhamos perdido ou não alguém em meio à pandemia, e que não saímos bradando sermos "cidadão de bem", temos claro uma coisa: não vemos números e estatísticas na perda de vidas de brasileiros, o que enxergamos são vidas interrompidas e luto de famílias. Marx sentenciou que "a tradição de todas as gerações mortas oprime como um pesadelo o cérebro dos vivos". Isso só não ocorre com robôs.



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